Bem-vindes a Marginália 3

Quadrinhos, música brasileira e outras coisas a mais. É somente requentar e usar! Made in Brasil

Dinastia M: Inverter para entender.

Legião Sapiens


Se-alguém-tinha-dúvidas do conteúdo político dos quadrinhos do X-Men a Dinastia M está aí para provar que esses elementos sempre estiveram presentes. 

Antes de mais nada, Dinastia M é uma imensa saga dos quadrinhos Marvel que compila mais de 50 issues, é a última grande saga antes do MCU chegar e varrer o resto de dignidade que os homenzinhos coloridos de collant tinham perante a cultura popular (falando assim nem parece que digo cultura pop). Ok, talvez não seja a maior saga antes do MCU, mas eu irei puxar sardinha pro meu lado, então sim, Dinastia M é a maior saga de todos os tempos, e quem discordar é DCzete. 

Pois bem, importante delimitar que esse post não é uma resenha, li apenas 1/5 da história, é um comentário da sua abordagem inicial das histórias que vou indicar ao final de tudo.
**Tem spoilers, foi lançado em 2006, mas custa nada avisar**

Na prequel da Dinastia M termos uma história da revista Excalibur (Excalibur #11 Chris Claremont e Adam Lopresti) sobre uma luta dos atuais X-Men contra o um golpe que está acontecendo na Zambia, através de mecenários enviados pela Rainha Branca, Courtney Ross. Não confundam com a Emma Frost, que é uma poderosa banqueira em Londres. Enquanto isso, Professor Xavier e o derrotado Magneto (eventos dos Novos X-Men, confira a resenha aqui) reconstruindo o que sobrou de Genhosa e o professor Xavier tentando recuperar a sanidade da Wanda (FILHA DO MAGNETO PRA QUEM NÃO SABE) que sofreu um colapso nervoso e deu uma péia nos novos vingadores. Aliás toda Dinastia M é sobre o colapso da Feiticeira Escalarte, foi nisso que Doutor Estranho 2 se baseou, só que o filme é uma porcaria! Nem deveria ter sido mencionado. Esse blog deve ser o único canal de mídia que lembra de Doutor Estranho 2, Marvel e suas produções esquecíveis. 

Como diria o carecão roxo:

Pois bem, só para fechar o arco, o grupo mecenário é derrotado, a Zambia vence sua "guerra civil" e recebe apoio para financiamento para reconstrução do país justamente da... Rainha Branca. Esse mini arco mostra bem a pegada do que estaria por vir.
 Ah sim, Wanda perdeu as estribeira, os heróis mais famosos da Big Apple se reunem para definir seu futuro, por insistência dos Vingadores, votam por deixar a Feiticeira Viva, ao desembarcarem em Genosha para uma conversa diplomática e avaliar a situação mental dela, plim plim. Um clarão surge. Com seus poderes descontrolados, Wanda bagunça a realidade e o universo senciente, tudo estava de cabeça pra baixo, agora os mutantes estão no poder. Em um reinado do Magneto e sua família como um todo. Depois de um clarão branco, tudo está mudado.


O que acontece nesse universo "paralelo"? Os mutantes vencem a guerra genética e asseguram a dominância do planeta terra em um reinado do Magneto, sim, dessa vez, o Magneto não é fascista, e os mutantes (aqueles com o gene X, o homo superior) estão no poder, sendo os dominados da vez os Sapiens (homo sapiens) e nisso que mora o barato dessa história, pra mim. Por um motivo simples, não é só um superman filho da puta sendo ditador genericamente (alô Injustice), mostra uma hegemonia verdadeira. Também não tem essa proposta de mostrar 'heróis realistas' (alô The Boys).

Sim, hegemonia completa tendo dominância ecônomica, cultural, religiosa e etc etc, é tanto a classe dominante, tanto a dirigente daquela sociedade, nesse "mundo ideal", Peter Parker, por exemplo, é um bilionário, casado com Gwen Stacy, e que raspa sua cabeça, por algum motivo.(?)

aliás, o Tio Ben é vivo nessa história

Se nas histórias originais o pobre do homem aranha tem dois empregos e é renegado por geral, aqui ele é uma lenda viva na cidade. As pessoas não adoram os heróis/mutantes por eles serem heróis ou mutantes, mas sim pela grande personalidade deles, um fato interno, isso se dá porque com a dominância total dos mutantes, o normal, esperado, é ser mutante, e uma vez que todes são mutantes, você avalia aqueles quadros que são os melhores, assim como os piores ainda existem, ser mutuna não tem nada de especial. Tá complicado de compreender? 

Vou puxar uma aspas do Gramsci para entender o raciocínio:
“uma classe é dominante em dois modos, isto é, é ‘dirigente’ e ‘dominante’. É dirigente das classes aliadas, é dominante das classes adversárias. Portanto, uma classe desde antes de chegar ao poder pode ser ‘dirigente’ (e deve sê-lo): quando está no poder torna-se dominante, mas continua sendo também ‘dirigente'."

Portanto, invertendo a situação, conseguimos entender como funciona a política de X-Men, aqui os mutantes correm soltos pelas ruas, voando, rastejando, o notíciario só se fala da fofoca dos mundo mutantes, com bastante êxito Dinastia M consegue demonstrar os processo de dominação e opressão que acontecem nessa sociedade ficcional, claro. (Ainda bem que é uma ficção, e não algo baseado no modelo de sociedade que vivemos.) E os humanos? Vivem lutando contra, sem muito sucesso a dominação mutante, mas não todos, apenas uma população mais marginalizada, pois a maior concentração de Sapiens é o pobre bairro cozinha do inferno em Manhattan, aquele mesmo que o Demolidor mora e faz a festa. Muitos teem relacionamentos com mutantes, outros chegam a trabalhar juntos em empregos menores, como políciais. Existem até grupos de resistência, terroristas mesmo. 
Ou seja, uma vez no poder, eles ditam tudo aquilo é da reprodução social, cultura, política e até psicologia, a psiquê social.

A pergunta que fica, "quanto poder! essa dominação é uma ditadura totalitária?' Não, as coisas acontecem em sua normalidade, os sentinelas até existem para perseguir alguns humanos, mas em aspecto gerais podemos dizer que o modo o qual se aconteceu essa dominação não fez precisa a extinção dos sapiens, toda segragação ocorre em plena normalidade moral, legal e ética. Até porque a moral, legalidade e eticidade é definida pela classe dominante, mas mesmos os valores esperados por eles mesmos não são rompidos. Os mutantes e os humanos estão segregados "naturalmente" ou seja, cada um ocupa o espaço o qual é devido, não se fazendo nescessário, um super plano de extermínio da raça humana. 

 Assim como, inclusive acontece na maioria das história dos mutantes, pelo menos aquelas que o Senador Kelly não aparece. Ou seja, por mais que vivemos em uma dita "democracia" (por mais que em Dinastia M seja uma monarquia) ainda há quem esteja passando por uma ditadura, toda democracia cheia de liberdades é ditadura para outras pessoas, especialmente aquelas idesejadas pelo grupo dominante/dirigente.

Essa 'direção' é tão aparente que quando o quadrinho vai mostrar o cenário do rap, termos um mutante lançando palavras de ordem e o famoso conscious rap (rap consciente) para uma platéia de humanos, mesmo sendo mutante. Um comentário bastante ácido sobre o mercado do rap. Achei uma passagem interessante também. Meio ácida, interpretem como quiser. 


Tudo é lindo e belo, exceto na Austrália. Lugar onde ainda existe o status quo mutante, porém o Estado da Austrália é completamente nazificado. Sim, com referências beeeeeem saltitantes aos olhos. Estamos na Austrália porque o Bruce Banner, em busca de misérios segundos de paz em sua alma acaba indo atrás de uma população aborígene (nativos australianos), em mesma aldeia que está sendo invadida por uma espécie de Gestapo Australiana. 

Tá nem óbvio isso aqui

Um ponto de contradição interessante é que esssa gestapo é formada justamente por HUMANOS (brancos), SAPIENS mesmo que estão assassinando seus próprios "parceiros de gene", todavia, toda essa perseguição, até genética mesmo, não é novidade para os povos aborígenes, que eram perseguidos tanto sob domínio Sapien por serem nativos (racializados) e agora são perseguidos por serem humanos. Em uma das falas o tipo de cacique do lugar relembra um episódio cruel da sociedade Australiana, a Geração Roubada. 



Essa parte não é ficcional, foi uma política do governo Australiano para o extermínio da população nativa do local, isso é genocídio no mais e simples sentido que a palavra pode ter.

 Óbviamente eles (australianos) possuem a anuência do Magneto, não que ele apoie, mas... Aquela coisa, a existência de um estado genocida de SAPIENS não é uma ameaça para o status quo MUTANTE, muito pelo contrário. Ou seja, existe uma dominação que funciona tanto em uma "democracia" tanto em uma ditadura descarada. 

Em modos gerais, ainda estou lendo a Dinastia M, achei os temas muito mais aprofundados do que a maioria das histórias que colocam heróis no poder. Voltarei com mais informações. 

informações chatíssimas, as HQ lidas
Excalibur #11 a 14 (Chris Claremont e Aaron Lopresti)
Dinastia M #1 e #3 (Brian Michael Bendis e Oliver Copel)
Homem Aranha Dinastia M #1 (Mark Waid, Tom Peyer e Salvador Larroca)
Quarteto Fantástco Dinastia M #1 (John Layman e Scol Eaton)
Hulk Dinastia M #1 (Peter David e Jorge Lucas)
Homem de Ferro Dinastia M #1 (Greg Pak e Pat Lee) 
Mutopia X #1 (Davide Hine e Lan Mendina)



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As vezes é preciso desagradar...


Anúncio do Daniel Craig como novo James Bond, outubro/2005

O ano era 2005/06, o mercado era outro, as demandas eram outras, porém, Casino Royale dá uma aula de como ressuscitar franquias conhecidas, aclamadas pelo público e pela crítica. Em um tempo onde estamos vivendo uma infestação de adaptações péssimas e um senso de nostalgia desenfreado que só querem tirar dinheiro de millennails, o que podemos observar com 007 Casino Royale (2006)?

Pois bem, quando Daniel Craig foi anunciado como o mais novo James Bond em outubro de 2005 sofreu um pesado boicote por parte da mídia e pela imensa maioria dos fãs, existindo inclusive um site chamado DanielCraigIsNotBond.com, que nem estar no ar mais (imagino o motivo), a CNN definiu como 'a maior controvérsia cinematográfica da memória recente', o tabloide inglês Daily Mirror o definu como 'James Bland' em uma tradução livre poderia ser chamado de 'James Meh', jornais consideravam um cast equivocado, mesmo sem o coitado sequer abrir a boca ainda. 
A torcida de nariz com o Craig ficou mais forte ainda pela especulação que se tinha da volta do Pierce Brosnan, o 007 do último considerável sucesso da franquia (na verdade praticamente o único filme bom depois dos anos 60) GoldenEye, olhando para o Brosnan, que era o padrão dos James Bonds entendemos porque a escolha do Craig foi tão "polêmica":

aquele olhar 43


O Daniel Craig é baixo comparado a outros atores que fizeram o espião mais famoso do mundo (1,80 em comparação a média de 1,85 a até 1,90), loiro, meio calvo sem o famoso topetão, orelhas de albano, mal encarado e talvez feio seria pegar muito pesado, eu não tenho uma posição para defini-lo como feio, coitado, porém com toda certeza não tem cara de galã do cinema mundial. Digamos que é uma estética não ortodoxa para filmes do gênero, definitivamente não tinha nada de James Bond, e o filme, sabendo disso, entrega exatamente o que prometera ao anunciar o Craig, um novo James Bond. funcionando de forma até metalinguística, aproveitando esse hype negativo que a escolha de seu espião principal levou.   

Até porque o filme é sobre o mais novo 007, com a franquia sofrendo um reboot total, não atoa, por todo filme o James Bond não é o 007, sendo apenas o 00, e ainda batalhando para se firmar no MI6, sempre muito alvo de críticas pela sua conduta estabanada, nesse filme não termos inúmeros apretchos tecnológicos mirabolantes, não termos a classe de um galã, apenas um agente secreto muito porradeiro, que sua e sangra bastante, e minha nossa, como o James Bond apanha em Casino Royale, com direito a famosa tortura em suas partes intimas no final do filme. Outro fator é suas falhas, ninguém estava acostumado a ver o 00(7) falhar, por ele ser o herói, o melhor e o mais inteligente, no filme o James Bond é até espertinho, mas carece de humilde e inteligência de enxergar o cenário completo, ou seja, ele até consegue pensar rápido, mas as vezes não pensa direito... 

Sobre o filme em si, em uma rápida resenha, é um filme pensado do inicio até a tortura, os trinta minutos finais eu considero meio gratuitos, meio off com o filme, poderiam estar muito bem na Quantum Solace (segundo filme com o Craig) mas enfim, acompanhamos a evolução do agente que aos poucos vai deixando o seu ego falar menos. Apesar de excelente, perde e apanha muita das vezes por excesso de confiança, porque quando você é bom, você pode para alguém melhor, mas quando você é o melhor, perde apenas para você mesmo. 
Termos um James Bond que começa explodindo uma embaixada no começo do filme, para no final matar alguém usando silenciador de forma bem discreta, já como 007 e pela primeira vez toca icônica música da franquia, mas sem perder a sua assinatura truculenta. Aliás, essa porradaria juntada a ações mais espertinhas em menos brucutus que pegam uma M60 e atiram para tudo que é lado é a assinatura de filmes de ação dessa época, mais "pé no chão", não visando um realismo, mas sim um humanismo do herói, olha como ele sofre de verdade, será que realmente vai conseguir? A exemplo de Busca Implacável (excelente filme, mas só o primeiro) e Agente Bourne.
A "bond-girl" também é diferente das outras, mas nesse blog você não verá eu comentando par romântico de ninguém.

Por falar em humanismo, humanidade do personagem principal vermos ele sentir mortes, mesmo sendo alguém com LICENÇA PRA MATAR, o sentimos titubear em algumas violências, por mais que ele tente transparecer que não sente nada todo frio e calculista peaky blinders, então termos uma excelente atuação do Daniel Craig fingindo interpretar alguém frio quando na verdade quer transparecer alguém que sente, densidade de personagem. 

Não é um filme nota 10, mas talvez seja aquele aluno que  acertou tudo e esqueceu de escrever o cálculo na prova naquela questão que valia 2 pontos, o professor é obrigado a tirar ponto, por mais certo que ele esteja.
sofreu mais do que Juliette no BBB 21

Todos esses fatores que eu listei, somado ao próprio fariam, por lógica, um 007 terrível, todavia, longe disso, Cassio Royale é admitido pelo fãs e pela crítica (agora a mídia trata bem o filme né) como uns dos melhores filmes da franquia (alguns dizem que Skyfall é melhor), por motivos simples de pensar além, e o mais importante, trazer o personagem pro século 21, é um James Bond do século 21, não aquele espião da guerra fria, apelar para isso poderia te causar uma nostalgia de ver seu bonequinho da juventude em tela novamente, e ser uma obra esquecível vinte minutos depois que se sai da sala de cinema. O 007 se tornou relevante novamente, só ao passo que deixou de ser uma caricatura de si mesmo a cada novo filme, Sean Connery ficou para trás.

Porque as obras foram feitas para serem superadas. 

E aqui chego no ponto dessa postagem:

Não importa o ano, Michael Keaton não consegue olhar pro lado

Os estúdios atuais parecem ter desistido de superar obras antigas, o motivo é bem razoável... Somado a prazos descabidos para produções desses filmes termos uma sequência maravilhosas de filmes horríveis, com um grande apelo a tempos passados e personagem clássicos, como as versões """"live action"""" da Disney, que ninguém aguenta mais. Ainda que tenha saído um filme bom que satiriza isso tudo, aquele do Tico Teco (Tico e Teco: Os Defensores da Lei de 2022), talvez você não tenha ouvido falar porque saiu direto pro streaming, o filme é bem ácido em relação ao fenômeno que estou descrevendo, e daí você entende, talvez, porque nunca tenha ouvido falar.
É óbvio que os filmes, incluindo o Casino Royale que elogiei tanto, são feitos para lucrar e dar bilheteria, porém, com as condições de trabalho e tecnologia que termos hoje é muito mais fácil fazer um projeto "genérico" e em 2023 mesmo sofremos com isso, A Pequena Seria (horrível), The Flash (péssimo) e Indiana Jones, coitado do Harrison Ford, foi obrigado, mesmo em quase 80 anos de idade a reviver o Indiana Jones, Rick Decard no Blade Runner 2049 e o Han Solo, que segundo as más línguas pediu para morrer no filme. Por falar em falecimento, os filmes recentes do Star Wars sequer respeitaram a morte da Carrier Fisher e colocaram ela de CGI no episódio 9 e em Rogue One, sinceramente, se você acha isso uma "homenagem bonita" é sinal que acredita muito bem no discursos das empresas. 

Sacanagem também é chamar o Michael Keaton pra fazer Batman novamente, sendo que ele fez Birdman (2014) que meio que explicita, suspostamente, a relação do ator com o homem morcego, só supostamente, vamos fingir que ele foi escalado para o papel por coincidência. Ironias do cinema.

E ainda de citar filmes consideravelmente não solicitados, como Detetive Pikachu, Sonic, Jumanji aquele com a pegada de "anos 80" que virou moda depois de Stranger Things (versão desqualificada de Os Goonies), tal qual o filme do Bumblebee que nem lembro o nome, o REMAKE DE IT,Jogador Número Um, Detona Ralph, aquele filme terrível do Adam Sandler de gamer (Pixels eu acho) e muitas produções dessa galera que tinha um Tamagotchi quando era criança. 
Eu posso ter citado coisas anos 90 aqui, mas o importante é o pensamento. O mandatório hoje é fazer o adulto se sentir uma criança, e das mais ousadas, que não podem receber um não. Tem pouquíssimas obras que saibam aproveitar os personagens, elas se sobressaem bem quando aparecem, O Homem Aranha no Aranhaverso que o diga, praticamente se mudou a forma de se fazer animação. (Batman lego não.) 
Os estúdios atuais não sequer ousam em desagradar a fã-base, aliás toda obra é pautada no fanservice, de quanto os nerdolas conseguem reconhecer easter eggs nos filmes. Falta ambição, falta ousadia, mas não falta uma coisa: grana e hegemonia cultural. A Marvel-Disney sempre vão faturar bastante em seus filmes, não importa o quão ruim ele seja. Não atoa essa empresa tá chegando na casa dos 40 filmes em 20 anos (considerando Homem de Ferro pra cá), o MCU é interminável, e até as marvetes mais apaixonadas estão perdendo o ritmo de acompanhar essa joça. Acorda nerdolinha, a Marvel não vai perder dinheiro por causa de lacração. 

Eu escrevi todo esse texto só pra reclamar do mal danado que o Tim Burton fez ao cinema ao trazer aquele Batman todo obscuro e de traje preto (pasmem Batman de 89 é o melhor filme), daí todos os filmes do Batman foram imitando ele, eu, com meu resquício de fã do morcego quero um filme diferente, Batman trevoso não dá mais. O ÚNICO BATMAN QUE TENTOU FAZER DIFERENTE FOI O DO JOEL SCHUMACHER, o filme é horrível, mas é disso que a gente precisa. Que pelos menos os filmes sejam ruins tentando fazer algo diferente, ao invés de incontáveis filmes genéricos.

um Batman drag queen ia balançar a história do cinema

Saio em defesa da Bat-tetas e bat-closes de bunda, aliás esse é uns dos poucos filmes do Batman que CONTAM UM ROBIN, algo que ninguém NUNCA parou pra pensar. É disso que o Batman precisa, sério.
Batman Eternamente é horrível, porém memorável, ao contrário desse The Batman de 2022, que daqui a um ano e meio ninguém vai lembrar, ao menos que saia uma sequência tão esquecível quanto.

O fã é uma criatura ingrata, mimada que precisa ser contrariado de vez em quando, até pela abrangência de novos públicos e novas pessoas que antes, talvez, nunca tenham se interessado naquela obra em questão, só pensar de quantas pessoas conheceram 007 pelo Casino Royale. É preciso a reciclagem, ao invés da reutilização.

(Como os anos 2000 eram cruéis, o Daniel Craig era considerado feio pra época...)

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Zito Righi e seu conjunto - Alucinolândia (1969)



Informações alucinadas 

1969
12 músicas, 30 minutos
Samba rock, Jazz, MPB wannabe, tem seu valor psicodelico 
Hot


Porra lá vem esse blog com disco de hiponga, sim, vamos lá:

Me escutem dessa vez, samba-rock psicodélico, vale a pena escutar. É um saladão de samba-rock com jazz, além de, claro, ter muito tempero de psicodelia e ser uma éspice de rito de passagem entre a música dos anos 60 e dos anos 70. Nesse álbum termos muitos elementos identificáveis de várias épocas, vamos nessa resenha decantar uma a uma.
Antes de mais nada, quem é Zito Righi? Não faço a menor ideia, toda biografia que achei não passava de um paragráfo, mas é um saxfonista tenor, líder de orquestra (dá as rédeas nesse disco), e tem nome de batimo Isidorio Righi, segundo seu próprio filho:

Achei essa informação comentada no blog "Esses Incríveis Músicos e Seus Maravilhosos Instrumentos" que Deus ou algo maior abençõe todos esses blogs obscuros de música, incluindo este que vós fala. 
Álbuns psicodélicos eram moda na segunda metade dos anos 60, até o Ronnie Von tem um (ainda vou fazer resenha), a estética do movimento hippie foi rápidamente, por ironia do destino, absorvida pela cultura, então meio que a contra cultura virou cultura de fato, isso aconteceu tanto em aspectos gráficos (como as fontes) e estilísticos, como a utilização de órgão agudo nas músicas e as guitarras elétricas que tanto pelejaram de entrar em nosso país. No Brasil, termos todo o tropicalismo que também impactou, a julgar a estética desse blog. 
Sobre o samba-rock é díficil dar uma definição precisa, mas eu gosto de definir como o "ritmo brasileiro que foi enxotado do mercado pela galera do disco" basicamente é a turma do suíngue, da batida, do boogie woogie antes dos ritmos estadunidenses se popularizar no Brasil, como a música de discoteca, funk e soul, tem como principal preominente o Trio Mocotó, algumas pessoas colocam o Jorge Ben Jor no balalaio, mas eu particulamente discordo. No mas, esse álbum é um ótimo exemplar para enteder o fenômeno do samba-rock, e vamos começar por sua capa.

A capa é terrível, eu diria até sem utilizar de palavras duras que é um pouco feia, tenta representar uma alucinação, mas tem cara de "badtrip" como a galera da droga fala, os olhos esbugalhados, gentilmente segurado por mãos queimadas, ou com aparência de cremação mesmo em um esquema de cores bem harmônico pra ser considerado psicodélico, como se conceita, acho que "arco iríco"? Tem as cores do arco íris, a capa me trasmite uma tensão, duvido que tenha sido a intenção dos artistas... Apesar de considerar ela feia, coitada, foi que me chamou atenção assim que a vi, foi amor a primeira vista, tem carinha de psicodélico eu fico daquele jeito, amor a primeira vista.

Assim que você desce o play tem uma introdução bastante cordial dizendo "a vida não vai tão mal, agora vejam que legal. Zito Righi e sua banda vindo de Alucionlânia para nos levarmos em um voo 'alucionológibom' nas delícias do seu som" e aí começa bem em um samba rock, pela presença do piano, uma matraca, apitos e a formação rítimica das palavras, a divisão dos versos, o pegada mastigadinha que o samba rock como característica, uma coisa interessante que rodeia toda obra é a voz da vocalista do conjunto, aquele vozeirão dos cantoras de rádio que foram extintas nos anos 60, um álbum "contra cultural" é interesse a combinação, a forma de cantar meio declamatória me lembra Gilberto Gil em Parque Industrial no famossíssimo álbum lá de 68, cansativamente mencionado nesse blog, também o mesmo em Marginália II no Frevo Rasgado.

A música seguinte é uma de protesto, meio pacifista das ideias não tanto apelativa politicamente, não tem um clima "governo filho da puta" (o que era plenamente razoável)  e mais "parem de brigar por favor, somos todos irmãos em cristo", o que não faz dela uma música de protesto, na verdade, mas uma de desabafo? A música de protesto só tem esse nome na época específica que foi produzida, então formalmente, é uma música de protesto, por mais que seu contéudo não seja revoltoso. Ela representa já a tensão que foram os anos de chumbo, tem algo ali no meio, mas não dá pra falar o que é direito, é o famoso "O que será que me dá, que me bole por dentro, será me dá" que o Chico Buarque escreve, engraçado essas músicas não mais de protesto como era no comecinho da MPB, mas a sensação de cansaço que já aparece aqui, em 69.

As músicas em inglês são jazzes, um tenor belíssimo, um hard bop clássico que não deixa fica muito pra trás dos clássicos saxofonistas tenores, com o Coltrane, Cannoball Adderley, Albert Ayler e essa turma boa do hard bop foi uma continuação do bebop lá pro finalzinho dos anos 50, especificamente em 1959, quando saíram 4 grandes álbuns de jazz que mudariam a histórica música, assim como a Bossa Nova surgiu nesse período o estilo é uma resposta a música antiga de jazz, trazendo essa carinha mais conhecida que termos hoje do gênero. Sabe esse jazz "sujo", noturno, pegada Taxi Driver do Scorsese? Hard bop. E sinceramente, se Once in a While tivesse no meio de um álbum do Miles Davis com essa execução do Righi, ninguém sequer notaria a diferença, um ótimo exemplar de jazz aqui.

Logo após, em Birimbau, a pegada vai um pouco mais pra MPB em geral, como era costumeiro a época, com o pézinho no tropicalismo, mas nada de tropicalista, afinal, a altura desse campeonato, o tropicalismo já tinha morrido, expliquei melhor aqui.

Também tem algumas faixas que são na pegada mais "Jovem Guarda" aqui, isso se dá pelo dedo do Roberval que era do show business dessa galera do iê-iê-iê, como Bye Bye, Adeus Amor e Sou Feliz Aqui, que tá entre a jovem guarda e o samba rock, mas nada que seja calça boca de sino demais.

Outro ponto de se ressaltar é de quão bom são as músicas de jazz aqui, onde há jazz há os irmãos Gershwin, nesse álbum é Love is Here to Stay, porém num ritmo desjazzustado, com a carinha mais brasileira, combinação polêmica, eu prefiro a versão da Ella Fitzgerald, porém comparar com ela é uma tremenda sacanagem, não é mesmo?
Por mim, o álbum acaba rápido com Hert, outra música gringa, e saí com aquela sensação de "mas já??", pois é tem um cumprimento ideal de um álbum, 12 músicas em 30 minutos, sucinto, sóbrio, bem apresentado. Me parece mais uma escolha editorial do que escolha própria dos artistas, todavia entrega muito bem um elemento da música psicodélica, a mistura, tem vários elementos aqui e todos estão bem coesos, uma verdadeira salada. Eu colocaria um pouco mais de jazz

Recomendo, principalmente as músicas de jazz e samba rock (metade do trabalho) 

Quebrou totalmente minhas expectativas, não esperava ouvir samba rock em um álbum com essa capa,
parece música psicodélica feita por gente que nunca usou psicotrópicos ou é bissexual. 

Informações chatas:
01.  Poema Rítmico do Malandro (Sônia Santos)
02. Somos Todos Irmãos (Roberval)
03. Once in a While (Green, Edwuares)
04.  Birimbau (Roberval)
05.  Primeira Conjugação (Wagner Santos)
06.  Bye Bye (Carlos Imperial)
07.  Love is here to Stay (George Gershwin & Ira Gershwin)
08.  Isn't a Dream (Zito Righi & Sônia Santos)
09.  Sou Feliz Aqui (Ruy P. Pereira)
10. 1 Adeus Amor (Roberval)
11.  Alvorada (Luís Freire & Maurício Einhorn)
12.  Hert (Richard Adler & Jerry Ross)
Pistons: Ubiratan e Barcelos, 
Trombone: Othon, 
Sax-Barítono: Renato, 
Órgão: Alberto, 
Contrabaixo: Paulinho, 
Bateria: Fernando, 
Ritmista: Nilo, 
Guitarra: Jorginho, 
Crooners: Verinha, Sônia Santos e Carlinhos, 
Saxofone: Zito Righi.

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O dia que Israel declarou guerra ao Hulk. O Incrível Hulk #256 (1981) - Bill Mantlo e Sal Buscema


"Hulk não sabe onde ele está! Hulk não liga"

Vou começar pelos agradecimentos: dedico a uma grande amiga minha que mandou um painel sem contexto desse quadrinho, e perguntou se conhecia, não conhecia de fato, mas fui atrás e aqui estamos.
 Falo de antemão que todas as imagens aqui estarão em inglês porque essa edição talvez não tenha saído no Brasil, ou ninguém pensou em scannear pra tropa.



A fase Bill Mantlo e Sal Buscema é uma das favoritas dos fãs do pepino agressivo,  eles foram responsáveis pelo Hulk na Encruzilhada, grande clássico da Marvel lançado lá em 86 eu acho. Sal Buscema já vinha desenhando o Hulk desde da metade dos anos 70, Bill Mantlo, nessa edição, tinha acabado de chegar, começou a escrever o Hulk na edição 246.

Em uma opinião pessoal, gosto bastante dessa interpretação do Hulk, por aspectos que vou delimitar lá na frente, e pela arte do Sal Buscema, porque faz um Hulk bem parecido com o Lou Ferrigno:
adoro esse Hulk

Qualé a história? Antes termos um pequeno prólogo sobre a desativação da base gama, onde Hulk, Dr Samson e o Líder foram criados (preocupante essa exposição aos raios gama), e a demonstração do verdão como uma ameaça ao Estados Unidos e por tabela ao planeta terra, principalmente depois de quase derrubar um viaduto cheio de civis na briga que teve contra o Thor na edição anterior. 

*efeito de soco do Chaves *

Ué? Mas o Hulk não é um vingador? Ele não é tipo um herói? Porque está brigando com o Thor? - pergunta o leitor confuso, então, essa fase do Hulk (a série dele ajudou a criar isso) ele não é mais um herói, não é mais a dinâmica do médico e o monstro, Bruce Banner perdeu totalmente o controle de suas ações e consciência, significa que ele virou o Hulk de vez? Não, mas é a maior parte do tempo, o que deixa situação mais dramática, melancólica, Bruce virou algo parecido com um viciado em crack, não tem ideia onde está, não tem controle do que está fazendo e vive vagando pelo mundo em busca da paz que não encontra em si mesmo. 
A sua raiva não vem mais do mundo exterior, vem da sua própria condição, se transformar vira uma espécie de válvula de escape, o que gera um ciclo vicioso, ele precisa se transformar em Hulk para dissipar a angústia da mente, mas toda vez que se transforma a sua condição só piora.

Nessa edição do Thor o próprio Hulk fala "Bruce Banner odeia o Hulk e Hulk odeia o Bruce banner" então é uma dinâmica de um viciado, um dependente químico, do que dupla personalidade, já que a personalidade do Médico se espaireceu totalmente, até pela distância que ele está do Rick Jones (seu melhor amigo) e de Betty (sua esposa), ele está distante, perdido, se transformando e Hulk e acordando em lugares aleatórios, totalmente sem rumo da própria vida. E assim, é que ele acorda em Israel, após os eventos da HQ anterior.

ressaca é foda

A mera presunção de que está sendo capturado é suficiente para entar em agonia. Falo agonia porque nesssas duas histórias o Hulk mal é movido pela "raiva", o desequilíbrio que Bruce vive é tão grande que qualquer pertubação mínima é suficiente para virar o Hulk. e a porrada come seca, no porto de Tel Aviv Hulk desmembra por completo as forças de segurança de Israel, que são meio burrinhas. 

Pensa, você está lidando com uma criatura que se alimenta de raiva, ele é capaz de quebrar a porra toda, qual a solução? ATIRA VELHO, claro, o comandante até mete um "FORÇA BRUTA!!"


Quem assiste a tudo isso é a nossa heroína da vez, a capitã Israel, digo Sabra, uma mutante que trabalha como policial e quando está de collant trabalha para o governo Israelense. Não é a sua primeira aparição, ela é mencionada pela primeira vez no Incrível Hulk #250, mas apenas mencionada em tela, mal sabemos seu nome aqui;

(Caso não tenha percebido, é ela no círculo vermelho.)

Sabra voa, tem superforça e lança um tipo de "espinhos" com as mãos que deixam as pessoas desacordadas, o que faz total sentido, já que Sabra é o mesmo nome de uma fruta-cacto típica da região ali de Israel, também é o mesmo se dá (ou dava talvez nos anos 80) aos habitantes de Israel, nativos. É uma mutante meio esquecida por motivos bleh, quem vai interessar por uma Homelander Israelense?

A sua apresentação aqui não dura muito tempo, porque quando estava se arrumando pra sair como Sabra recebe uma porrada de um saco de batatas na cabeça, durante o frenesi do Hulk. Logo após que acorda, termos a sua devida apresentação, Sabra!



Traduções livres: "Mas com sabra Super heroína do Estado de Israel" "Elaé determinada a preserva sua  terramãe da fúria de Hulk" 

Que logo passa quando a poeira baixa, daí Bruce Banner anda na feira de Tel Aviv, lá protege um pequeno gatuno que está roubando frutas da freira, o Sahad, um menino que é mostrado na história como "árabe", bem, sabemos que árabes no meio de Israel só podem ser palestinos não é mesmo? Mas ainda que não seja, os outros países árabes da região também se encaixam no que a história trás. Depois da perseguição (por uma mera melancia), lá trocam uma ideia franca, e Sahad conta das dificuldades de ser 'árabe' em Israel:


"As vezes é muito díficil ser árabe em Israel. Ambos, meu povo e os Israelis dizem que a terra é deles. Eles poderiam dividir, mas dois livros muito velhos dizem que devem se matar entre si. Eu? Não leio livros" (tradução livre)

Depois desse hot take uma conversa mais profunda, a HQ faz questão de lembrar que é uma história ocidental escrevendo o oriente, então termos TERRORISTA, BOMBAS, TIROS DE AK 47


Então, com o barulho da explosão, Sabra encontra o Hulk, que se revoltou ao ver o pobre garoto Sahad morrer, e Sabra ao ver a cena, pensa que Hulk estava colaborando com os terrorista, com isso, precisa PROTEGER a sua terra mãe:

Hulk foge com o corpo de Sahad, para enterra-lo dignamente, ao ser encontrado por Sabra que o acusa de matar o garoto, Hulk se revolta e chega a CHORAR, ao explicar que Sahad foi morto pelo conflito. Pesado. Eu nunca esperaria ver-lo chorar desse jeito, ainda mais com a expressividade do Sal Buscema.

Sabra, se comove com o acontecido, e toda passagem dá uma certa humanização a personagem, que, de subtexto, parece estar envolvida com ataques a comunidade palestina...

Tradução livre: Ela é, depois de tudo, uma Israeli, uma super-agente... Uma soldada... Uma máquina de guerra. Mas, ela é tamvém uma mulher, capaz de sentir e de se importar. Foi preciso o Hulk para ela ver que o garoto árabe é um ser humano. Foi preciso um monstro para acordar seu senso de humanidade. 

Sim, Sarab estava lutando contra o Hulk não pelas vidas que ele supostamente tirou, mas, primeiro por estar apararentemente colaborando com os terroristas, segundo por estar pertubando as ordem de sua terra mãe, a grande Israel (com ironias), ou seja, uma preocupação chauvinista barata, pela punição a aqueles que pertubam a sua terra. Imagine levar uma lição de moral de uma criatura verde que mal sabe onde está direito. Vendo a verdadeira face da guerra, que não é desejada por ninguém, a morte de civis, inocentes, que mal acreditam nas coisas os quais estão SUPOSTAMENTE sendo "protegidos", o garoto nunca leu os livros, e morreu em nome deles. 

Talvez você não ache a posição correta reduzir a questão palestina em um conflito, primeiramente, já que alguns grupos consideram um genocídio e regime de apartheid, e depois em uma questão meramente religosa, ok, não é o ideal, mas surpreende uma obra dos EUA não ter uma escrachada propaganda Israelense, comprando o discurso de fazendo mera propaganda, era 1980, ter esse tipo de obra que questiona brevemente a posição de Israel é bacana, relativamente.

Um ponto que achei interessante é o garoto ser morto pelo seu próprio povo. Vai muito na linha que considero mais acertiva de que o terrorismo não trabalha em favor da Palestina, esses ataques esporáticos, como o que gerou a volta a mídia da questão Palestina, não possuem apelo popular, só fode mais ainda os próprios Palestinos. O Hamas NÃO É "o que tem pra hoje"; Em linhas gerais, não é uma história tão bem escrita, mas tem uma posição bacana (considerando de onde veio e de quando), toca em um assunto caro aos dias atuais e é relativamente comica de ver uma capitã Israel. 

Continue acompanhando o Marginália 3 para mais posts como esse

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Parece uma estupidez...

 

Só queria deixar registrado nos anais da internet que uns dos meus álbuns favoritos (Pharoah de 77) agora está disponível no Spotify, essa versão era tão rara que eu tinha baixado em FLAC no meu cartão SD com músicas... Agora posso ouvir e registar em meu last.fm (fishjak, meu last), então... estou feliz :)))

É algo simples, mas devemos se alegrar com as poucas coisas que a vida tem a oferecer de bom. 

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Edy Star - Sweet Edy (1974)

Informações legais:

31 de agosto de 1974
12 músicas, 33 minutos
Rock, MPB, Glam Rock, música guei (piada)
℗ 1974 Som Livre

Nossa, quanto tempo que não trago um álbum pra vocês.

Eu recomendo fortemente a leitura prévia da história do Edy Star, o primeiro artista a se declarar assumidamente homossexual nesse país, terra adorada, lá conhecemos o artista, agora teremos acesso a obra. Leia a postagem aqui.

Nos início dos anos 70 a sensação era que a MPB tinha "morrido", ditadura militar, grande parte dos artistas responsáveis pelo frenesi dos anos 60 estavam em exílio, ou só trocaram de país (como a turma da Bossa Nova), tirando aqueles que estavam sendo continuamente presos, censura correndo solta e ainda o fim abrupto dos festivais de música popular brasileira, que revelou grandes, mas enormes artista para o Brasil. Uma injustiça das grandes com os novos compositores/artista que ainda estavam por vir, essa sensação de "estagnação" da música Brasileira acabou dificuldando o início de carreira de novos artistas, nesse "limbo" da indústria fonográfica fez que alguns ficassem esquecidos no tempo, todavia, teve o saldo positivo de testarem mais gente, oferecer mais oportunidades, numa dessas que Elis Regina fez carreira do Tim Maia (cantando junto a ela These Are The Songs), Ivan Lins (Madalena) e o Belchior, o que falar o quão importante Elis foi importante para o Belchior. Tomando só a Elis Regina de exemplo, assim aconteceu com outras gravadoras.

Esse disco foi um convite da Som Livre para o Edy Star, que tinha acabado de sair da CBS depois de gravar Sessão das 10, o álbum foi totalmente entregue nas mãos dele, a parte criativa e artística, incluindo a foto da capa. Nas palavras do mesmo: "Acho um disco muito simpático. É a minha cara. Transgressor, debochado, escroto… Sou eu. Eu continuo sendo Sweet. Continuo sendo terrível (risos)." (entrevista cedida ao site disconversa). 

A capa nos entrega ele mesmo, em uma cadeira antiga, meio relaxado de olhar misterioso, estola de plumas em volta ao pescoço, body rendado, salto alto (a lá Frank N Furter), também exprime uma certa androginia, não se "vestindo como mulher" mas claramente fora dos padrões masculinos da época (infelizmente os homens não se vestiam assim) muito glitter e letras enormes e setentistas, entregando a estética de cabarés*, local onde firmou sua fama.

*eu sei que no nordeste cabaré tem sentido de puteiro, mas não é só isso, são os cabarets uma espécie de balada, casa de festa, as vezes ligado a prostituição, as vezes não. Tem toda aquela estética noturna, boêmia, muito própria da cultura QUEER também, já que é comum (ou era não sei se existe ainda) a apresentação de drag queens nesses locais. Aliás toda estética clássica das drags, estão ligadas ao cabaré

Só que vem uma coisa interessante, o uso do preto e cores escuras no geral, o juazerense opta por esse tom mais dark, o que confere a pegada rock do disco. Ou seja, esse álbum é puro Edy Star, cabaré e rock'n'roll, é o que a capa nos entrega. E quando apertamos o play?

Chegamos com a boa voz do Edy Star, tem um timbre muito bonito, com uma baianidade no sotaque, a música é Claustrofobia da dupla Erasmo e Roberto Carlos, numa pegadinha bem rock, naquela guitarrinha mascadinha que a tropicália trouxe, um baixo estalando, e assim segue nesse estilo na maioria das músicas. Apesar de ser gravado em estúdio, tem um cheirinho de gravação ao vivo, como por exemplo gritos meio avulsos, improvisações e a qualidade do som, a voz é o instrumento principal, nenhum instrumento se sobressai, a performance mora na voz, que não é um puta vozeirão, mas se ganha e conquista pela movimento, boa utilização e amplitude, movimento. 

Todos os elementos que citei ficam mais claros na próxima música, Edith Cooper, composição de Gil feita exclusivamente para esse álbum, dedicado ao próprio Edy, amigos de juventude. Partindo de um doce bárbaro para outro, Caetano Veloso saudando alguns nomes da MPB, Novos Baianos, Jorge Ben e Jorge Mautner, uma música que eu consigo escutar o Caetano Cantando, é o meu tipo de composição dele favorita, que não tem tanto sentido figurativo, partindo para abstrações (ex: Eu Sou Neguinha e Dar Maior Importância).

Partimos para o rock pesado, em uma batida mais forte contando os sonhos de uma jovem estrela que sonha em ser artista, em voz mais rasgada, mais livre, narra em refrão "superestrela eu vou ser!" (muito cara de música de novela da Globo), que toma tons meio tristes, já que a carreira do Edy, infelizmente, não decolou. Os sonhos também conta com as noções de sucesso capitalismo, tal qual aquele episódio de Pica Pau:


Exceto pela parte das mulheres, claro

Num rol de grandes compositores, não poderiam faltar Lupenicío Rodrigues, com Esses Moços, Edy Star mostra sua versatilidade e apresenta uma música típica de cabaré, samba-canção, essa melancolia, conselhos de um velho detonado por uma decepção amorosa muito forte, que não acredita mais no amor. Essa música também contribui para a mistura de gêneros (ficou boa essa frase não é?), Glam Rock, com samba-canção e o mambo de Olhos de Raposa que opta por uma pegada de mambo cubano, apesar de falar "ARRIBA!!" no meio do som, apesar que, o que raposas tem a ver com cuba? Assim como Lupenicio Rodrigues não tem nada a ver com Jorge Mautner, enfim, viva a bagunça do brasileiro.

Por falar em bagunça, nada melhor do que mencionar os Novos Baianos, Edy Star respeita bastante os compositores em suas interpretações, no sentido de não desconfigurar o estilo de cada um deles, e ainda conseguindo impor seu próprio estilo, e que estilo, todo cabareístico. A maioria das músicas são gravações originais, porém, assim como na canção do Caetano, é perceptível o estilo do Morais Moreira aqui, mais uma vez, o sotaque baiano deve ajudar nessa impressão minha. Essa música ferve os novos baianos, pelo refrão repetitivo "Se meu sangue é A se meu sangue é O", a letra divertida. Emanence a essência de cada um dos compositores, até em Lupenício Rodrigues, mesmo sendo uma música gravada inúmeras vezes.

Para fechar com chave de ouro, a parte provocadora, Bem Entendido começa com um blues fortíssimo, um cantar debochado, uma música que não faço ideia como passou pela ditadura militar, mas palavras do mesmo "Mas no meu ambiente, por baixo, na “segunda categoria”, éramos mais quietinhos. Estávamos mais a fim de transar do que de mandar mensagem." por estar na segunda prateleira da MPB, passou por baixo dos olhos do regime, que na verdade nunca foi reconhecido pela excelência. A música é uma evidente refêrencia a homossexualidade, mas não uma homossexualidade evidente 

"Para um bom entendido meia cantada basta" e continua com "De só andar encalhado, encolhido, encubado, escondido, enrolado", citando um quase relacionamento talvez, talvez um amor que não se concretizou, em um grande tom de deboche, pra mim, a melhor música de todo álbum.

Em um apanho geral, é um álbum que tenta de tudo e um pouco, excelente peça para entender a figura do Edy Star em sua pura essência, apesar de estar presente aqui como um monolito (o álbum não possui feats, comum em cantores menos conhecidos) ainda consegue expremer a essência de seus respectivos compositores, o álbum é de estúdio, mas possui uma experiência de um ao vivo, pela presença, alma e vontade com a qual o juazerense Edy Star tem a nos oferecer, é uma excelente obra, que infelizmente foi esquecida pelo tempo.

Antes do David Bowie comprar seu primeiro kit da Avon, antes do Glam rock se consolidar como um todo, Edy estava lá primeiro! Nesse álbum que vale mais do que a pena.

Informações chatas:
A1 Claustrofobia 2:50
Composição – Erasmo Carlos e Roberto Carlos

A2 Edith Cooper 3:17
Composição  – Gilberto Gil

A3 Conteúdo 4:32
Composição – Caetano Veloso

A4 Superestrela 2:20
Composição – Leno
Composição [sem créditos] – Raul Seixas

A5 Esses Moços 3:25
Composição – Lupicínio Rodrigues

A6 Boogie-Woogie Do Rato 1:20
Composição – Augusto Duarte Ribeiro

B1 Sweet Edy 2:47
Composição – Piau, Sergio Natureza

B2 Briguei Com Ela 2:43
Composição – Edy Star

B3 Olhos de Raposa 2:42
Composição – Jorge Mautner

B4 Coração Embalsamado 2:37
Composição – Getúlio Côrtes

B5 Pro Que Der Na Telha 3:23
Composição – Luis Galvão e Moraes Moreira

B6 Bem Entendido 2:46
Composição – Piau, Sergio Natureza

B7 Eu Sou Edy Star 0:38
Composição – Edy Star

Capa – Edy Star

Engenheiro de mixagem – Orlando Costa

Engenheiro de gravação – Deraldo, Emiliano, Luis Carlos, Norival

Produtor executivo – João Araujo

Fotografia da capa – Antonio Guerreiro

Produtor, arranjos – Guto Graça Mello



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50 anos atrás surgia o primeiro artista gay do Brasil: Edy Star, o astro esquecido

esta bicha é tão velha que a palavra gay nem existia ainda

Sim, é óbvio que existiam artistas gays antes do Edy Star, porém, Edy foi o primeiro a se declarar gay assumidamente! Em 1973, em plena ditadura militar e seus pânicos morais a solta. Vamos com calma, vem conhecer a história dessa estrela.

Antes de adentrar no tema, precisando do ponto principal:

Quem é Edy Star?

É exatamente aquele tipo de pessoa pública que não é reconhecida quando pega um ônibus, e olha só, ele deve pegar ônibus, pois nunca conseguiu ser milionário com a música, mas admite ter dinheiro suficiente para viajar e viver bem, em suas próprias palavras: 
"Mas quem ganha dinheiro são autores de músicas. Artistas ganham pelo show. Faço uma média de um ou dois show por mês. Tem meses que eu faço sete shows e em outros nenhum. Tem vezes que me pagar a passagem, hospedagem e ajuda de custo e também vou fazer o show. Gosto de viajar" (Entrevista para a revista Quem. Junho/2020)

A sua discografia é menor que sua importância na música

Isso se dá por ser um músico satélite, ou de segunda prateleira, ou seja, não é pequeno o suficiente ao ponto de ser independente ou regionalizado, ao mesmo tempo que nunca recebeu holofortes o suficiente da mídia, apesar de ter gravado em gravadoras grandes, e ser próximo de artistas famosos, como Caetano e Gilberto Gil, amigos da juventude e Raul Seixas, amigo de infância com quem gravou Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, junto ao Sérgio Sampaio e Miriam Batucada. Além de Sweet Edy que já ouvi e vai sair resenha essa semana ainda! E um disco de 2017 idealizado por Zeca Baleiro cunhado de Cabaré Star. 

Edy Star não é de uma família de artistas, muito pelo contrário, quando decidiu largar seu emprego para ir embora de sua cidade com o circo da cidade causou o maior bafafá, o pai revoltado disse "minha família nunca teve artista!" e o jovem Edy respondeu "estava na hora de ter um então", vamos admitir que a largada era compreensível, ele trabalhava em plena petrobrás, apesar de estar ganhando bem, decidiu largar tudo, aos 20 anos para virar artista. Edy Star nunca gostou de trabalhar na petrobrás, pela homofobia do local de trabalho, tanto que nunca teve vocação nenhuma:
“Odiava aquilo tudo. Eram 1.500 homens no campo e uns quatro ou cinco gays, todos enrustidos. A gente soltava a franga, mas chegava alguém e a gente tinha que mudar a voz, falar de mulher. Sempre escutava umas piadinhas e, ainda por cima, ficava todo sujo de petróleo. Um horror.” (Entrevista a Revista Trip maio/2010)

Depois de seguir a vida se apresentando em circos, trabalhou em algumas emissoras de rádio, mas o episódio mais marcante foi na TV Itapoan, quando cobrou os 3 meses de salário atrasados ao vivo! E foi expulso da emissora em seguida, sendo jogado no estacionamento pelo próprio dono da emissora.

"E ele nunca vinha pra televisão. Sabe, nesse dia o filho da puta estava na televisão, aí eu estou no palco e "Alô seu Paulo! Eu tenho um problema chamado estômago!". Quem gosta desse caso é Jerônimo, Jerônimo adora. "Olha eu tenho um problema chamado estômago, o supermercado não quer aceitar aplausos, só quer aceitar dinheiro, como é que é? Vai me pagar quando?"."(Entreivsta ao programa Espelho com Lazáro Ramos agosto/2019)

Logo após ser demitido, encontra Raulzito (Raul Seixas) em um bar, tomando um choppe, por acaso do destino Raul Seixas estava procurando justamente Edy, para gravar o disco sessão das 10 pela CBS, qual Raul era produtor. Tem uma história sensancional sobre esse disco, mas irei comentar quando fazer uma resenha pro blog.

Raul Seixas, Miriam Batucada, Sergio Sampaio e Edy (que não era star ainda)

4 quatro anos depois dos eventos da CBS (que culminharam na saída), grava a convite da som livre o clássico Sweet Edy, que terá resenha nesse blog ainda nessa semana, não percam.

Seguiu se apresentando em cabarés do Rio e de São Paulo, até o modelo de boates assim irem se esgotando aos poucos, Edy Star não se adaptou bem a nova modalidade de apresentação noturnas, o playback, ao invés das bandinhas da noite que estava acostumado, o que acarretou em sua saída do Brasil, na verdade um exílio para a Espanha, após ter sido ameaçado pelo regime militar

"Porque não tinha mais como trabalhar, as boates não tinham mais conjuntos acabaram com os conjuntos na boate, toda boate tinha um conjunto: piano, baixo, bateria, um trompete ali. Então a gente cantava, tinham os cantores da noite, né? Emílio (Santiago) era cantor da noite, Everardo, tinham vários cantores... A Auréa Martins, Djavan, (Maria) Alcina todos eram cantores da noite, acabaram com isso.
Eu só sabia cantar, e fazer meus numerozinhos de publicidade e não tinha mais onde trabalhar. Daí eu tive que viver cantando com playbacks, as pessoas me davam Alcione me dava, Emílio Santiago me dava, a Beth Carvalho, as gravações, o fundo musical, das gravações deles, só que isso você tem que se adaptar a respiração, as paradas, os timmings dessas pessoas que não é o seu timming, muita das vezes você quer inventar e não pode. Aí, eu fiquei muito chateado com isso, não dá mais" (Entrevista ao programa Espelho com Lazáro Ramos agosto/2019) 
 
A gota d'água foi uma censura que sofreu somado a ameaça de que "vão sumir comigo" como o próprio Edy diz. Pelos anos seguintes se aventurou pelas artes plásticas, e só voltou aos estúdios praticamente 40 anos depois, com uma idealização do Zeca Baleiro para gravar seu segundo disco, Cabaré Star, que conta com vários artistas convidados.

Além da música, Edy Star também trabalhou em algumas peças, dirigiu alguns puteiros em Madrid, e até se aventurou nas artes plásticas, muito além de cantor, era um artista completo. Inclusive, participou da primeira versão nacional do musical Rock Horror Picture Show  em 1974/75, substituindo o Eduardo Conde, sinceramente, Edy é o Frank N Furter em pessoa! A peça também contava com Zé Rodrix, que já tem resenha de álbum aqui.

uma pena da peça ter sido picotada pela censura
Se era quem eu precisava apresentar, está entregue, Edy Star por ele mesmo.

Conheça mais sobre ele em, fontes que utilizei:
https://lucassville.blogspot.com/2011/04/rocky-horror-show-montagem-nacional-de.html
https://www.youtube.com/watch?v=ndHFItxJ4ss
https://www.youtube.com/watch?v=9QbYSLkyuLQ
https://revistatrip.uol.com.br/trip/o-primeiro-gay-a-gente-nunca-esquece
https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2020/07/edy-star-sobre-ser-o-primeiro-artista-se-assumir-gay-no-brasil-sai-quem-pode-e-quem-quer.html
https://disconversa.com/disco-da-semana/disco-da-semana-edy-star-e-sua-naturalidade-transgressora/

• A saída do armário, quer dizer, no armário nunca esteve.

O fato aconteceu em 1973 para a revista Fatos & Fotos, eu não achei a porra da fonte original, mas o fato é conhecido consolidado e público. Foi nessa mesma época que começou a adotar o sobrenome artístico de Star, quando foi "adotado" pela mídia como o Pasquim, que ditava a opinão pública da época.
Apesar da declaração pública, duvido bastante que alguém ainda estivesse dúvidas, pois Edy sempre foi do vale, desde de sua adolescência, de quando andava com gilete embaixo da língua e descia a porrada naqueles que o chamava de "viado", teu apelido de praça era Bofélia, assim como todas as outras tinham seus nomes, isso em pleno anos 50. Deve ter causado bastante confusões. 

Qual a importância de termos artistas gays e outras letrinhas do meio LGBTQIA+?

De duas figuras públicas gays antigas que me veem na mente penso em dois, João do Rio, o criador (praticamente) do modelo de "crônica carioca", inovador lá pros anos 20, porém a sua homossexualidade nunca fui assumida de fato, também me vem a mente Johnny Alf, que nos anos 50 foi o primeiro músico a se pensar bossa nova, ou modelo que viria a ser bossa nova, já que tocava em salões algo que viria a ser inovador, pórem a história do Johnny Alf* é tão triste, tão vazia de informações, que enfim. Nem vou falar de tristeza que não combina com a simpatia do Edy Star, curiosamente, todos os citados além de gays, são negros.
*Posso falar de Alf em outro momento.

O próprio Edy conta que até conhecer a turma gay/travesti lá da Bahia se sentia "a única bicha do mundo", sofrendo com a "maldição" (muita homofobia interna), após o conhecido de uma comunidade reconheceu a si mesmo se enxergando nos pares, porque a normativa da sociedade reprime qualquer comportamento minimante fora da linha, como homens chorarem! SIM, chorar (uma emoção humana) é proibida aos homens, por demonstrar fraqueza, como os homens mais emotivos podem se reconhecer como homens emotivos se a norma manda ele parar de ser daquele jeito? É praticamente impossível ter uma autoaceitação.

Mais importante pelo direito de escolher (no sentido de escolher viver) a sua sexualidade e viver em paz, é importante a peversão daquilo que reprime, da subversão da norma que foi imposta de forma violenta em nossa sociedade, assim como aconteceu nos anos 70, com o próprio Edy Star, o grupo Dzi Croquettes, Ney Matogrosso,  Maria Alcina, Rogéria em menor medida Gilberto Gil e Caetano Veloso, e mundo a fora com o surgimento do Glam Rock. 

Por falar em Gil e Caetano, sabemos que não tem um fodido hétero nesse meio da MPB, porém nem todos quebravam a cisheteronormatividade de forma tão escancarada, porém, isso não é de forma nenhuma demérito desses artistas, a luta deve ser tanto para quem quebra com tudo, tanto para quem não se expressa de forma tão 'colorida', digamos. Dialectamente a isso, a possibilidade não-pressão em figuras públicas que não falam tão abertamente sobre sua sexualidade só é possível porque termos aqueles que afrouxam a corda de nossos pescoços com a provocação e subversão.

A ideologia dominante prevalece, por isso que todo processo de aceitação levam uma vida inteira.
 O próprio Edy fala sobre:
“Antes de mim, durante e até hoje tem muito artista que ainda está no armário. Muitos artistas que nós sabemos que são bichíssimas, mas que estão no armário, casadas, que são pais… Assim como lésbicas também. Todos sabem, mas isso é uma coisa de cada um. Alguns anos atrás, existia uma militância para fazer os artistas saírem do armário. Não concordo com isso. Ninguém é obrigado a nada! Sai quem pode e quem quer. Tem gente que tem receio e eu entendo. Porque o mundo não é gay! Ele é feito de uma convivência de homossexuais com heterossexuais. O mundo nunca foi gay.”  (Edy Star para a revista Quem. Junho/2020)

O mundo nunca foi gay, também, nunca foi hetero, essa dominação nada mais passa de uma ideologia, assim como todas as outras, imposta de forma violenta, ela deve ser combatida, para inclusive até aqueles que não aptidão ao combate, possam conviver bem, então se queremos um cenário onde a sua sexualidade não seja motivo de debate, precisamos de mais debate sobre sexualidade e comportamento humano, parece contraditório, mas assim que é bom.

Aliado a outras grandes figuras da música, e a arte um geral, Edy Star faz parte, sendo pioneiro, na subversão, no combate e embate nessa ideologia caquéctica, que irá de perecer, junto com a velha ordem.

Por mais que ele seja modesto em relação a isso, a sua memória deve ser preservada e viva, segue vivão e simpático como sempre, vida longa a Edy Star! 


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Lista: Músicas sobre gatos! :33

 

tuts tuts tuts
A internet foi feita para gatos, todo mundo na internet ama gatinhos, até quem se diz "não gostar" se diverte horrores com essas criaturas peludinhas fazendo alguma estupidez pela casa, como cair, dobrar no meio e outras coisas que atentam as leis físicas.

Sejam em fotos fofas, nas esquisitas também em todo lugar está povoado de gatos, nesse blog não vai ser diferente.

Antes de mais nada, a primeira música que veio a sua mente é Atirei o Pau no Gato que é curiosamente creditada a Robert Cat Miau, que é pura piada (ou miada), ninguém teria um nome LEGAL DESSES, a música é uma cantiga popular, com muita possibilidade de ter origem portuguesa, assim como as demais. O Brasil demorou um tempinho pra perceber que essa música não tem nada de infantil, porque a música dá pra entender que o pobre do gatinho QUASE MORREU, com toda certeza deve ter perdido umas 4 vidas nessa brincadeira, a Dona Chica se impressionou com razão.

Portugal é tão cruel assim? Não, a cultura 'infantil' do século 18 era assim mesmo porque nem se existia uma noção de infância ainda.
A infância é um conceito muito recente na civilização ocidental, não vou me alongar no assunto, mas vocês podem dar uma lida sobre nesse artigo.

Vai tacar pau na PQP meu amigo

Mencionado o inominável, vamos para a lista verdadeira agora 

Diferente de outras listas, nessa vou colocar fotinhas de gatos e o link embaixo delas

#1 Fora da lei - Ed Motta 
"Cidade nua/Noite neon/Gata de rua faz ronron ao luar"
Na minha humilde opinião, a melhor música do Ed Motta, a letra, o swing, a vibe

Fora da Lei

#2 Dono do Pedaço - Gilberto Gil 
"Sou um gato esperto/Não sou tatu, não/Não sou nem do mato, iê, iê"
De um álbum que estou devendo uma resenha nesse blog, excelente álbum.

Dono do Pedaço

#3 Negro Gato - Luiz Melodia (versão Zé da Onça)
"Eu sou um negro gato/Sete vidas tenho, para viver/Sete chances tenho, para vencer/Mas se não comer, acabo num buraco"
Um clássico da MPB, na voz do Roberto Carlos, de que negro não tem nada (gato já teve seu tempo também...) que assim como na pegada de Dono do Pedaço, exalta essa malandragem gatuníssima, existe várias gravações, escolhi Zé da Onça por pura conveniência ao tema, ora

Negro Gato


#4 História de um gata - Nara Leão no musical Saltimbancos
"Nós, gatos, já nascemos pobres/Porém, já nascemos livres/Senhor, senhora ou senhorio/Felino, não reconhecerás"
Saltimbancos é aquele famoso musical dos bichinhos, precisamente um galo, um burro, um cachorro e uma gata, a depender da versão (e existem infinitas versões) o gênero das personagens varia. A peça musical é originalmente italiana, e foi trazido pelo Brasil nas mãos do Chico Buarque. Ambas são baseadas no livro Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, tenho medo de qual obscura deve ser a história original...

História de uma Gata


#5 Gata todo dia - Marina Lima 
"Pega logo no meu pêlo/Seu carinho me arrepia/Não quero água/Tomo banho é de lambida/Tiro o gosto desse corpo"
Essa é a mais furry community da lista um pouco mais literal em se parecer uma gata. Essa música tem uma vibe de sapatão, não por acaso é de composição da própria Marina, então... Minha intuição acertou em cheio. Aliás a quantidade e cantoras lésbicas da MPB é algo que merece uma postagem.
 Outro banger, me fez sentir gostosa também

Gata Todo Dia


Menções honrosas
Eu coloco Jackson do Pandeira em toda lista, então O Gato e Gato do Romeu
E as que fogem ao tema: 
Tigresa do Caetano Veloso e Gatas Extraórdinárias da Cássia Eller, só porque estou numa fase bem Cássia ultimamente

Até a próxima lista! :3




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Arma-X, Barry Windsor-Smith (1991)


Só a ponto de curiosidade, Barry Windsor-Smith fez essa sozinho, uns dos maiores clássicos da Marvel.

Se você é do ramo, já deve ter ouvido falar dessa HQ, a Arma X, será que é um clássico pela sua qualidade ou por sua fama? Veremos 

Sem spoilers, na verdade, é bem díficil de dar qualquer spoiler nessa aqui

o cartunista britânico fez fama desenhando HQs de Conan O Bábaro, e outras histórias mais fantasiosas-medievais, lá na rabetinha dos anos 80 desenhou algumas edições do X-Men, pórem, ficou na história dos quadrinhos com essa história lançada em 1991 em 3 edições, mas antes de falar do roteiro, vamos para a arte.

Traços grossos, posições mirabolantes e cores bastante saturadas, garantindo uma espécie de psicodelia ao quadrinho, como se fosse um delírio, um sonho, que na verdade é mais um pesadelo...
O estilo de coloração me lembra muito o Jack Kirby, tem um arzinho de retrô, algo dos anos 60 e 90, talvez isso seja pela qualidade do Scan que tive acesso

Belíssimo
Só que, claro, sem aquela regrinha de "quadrinhos americano" que é o famoso 2 por 6, ou seja, doze quadrinhos por página, o Layout ainda respeita o formato de quadrados, porém em sua maioria são bastante estreitos, o que dá uma dinâmica a história e cria uma sensação de confusão mental, algo com utilidade narrativa presente. Em algumas páginas você se perderia, se o texto não estivesse bem posicionado. Portanto a disposição dos quadros e a narrativa estão muito bem casadinhas.

Outro ponto interessante, e é marca registrada do Windor-Smith é desenhar corpos em variadas posições, trazendo uma ideia muito presente de movimento, com a dobragem das roupas, posição de queda e etc 


Apesar do método não-ortodoxo de layout, algo bem quadrinístico é o uso de Splash pages essas páginas grandes que tomam todo espaço. Faz bom uso, o ritmo é frénetico, você lê 130 páginas como se fossem 13, tal como o roteiro ajuda.

E sobre o que é essa história? A premissa é simples, a origem do Wolverine, Logan é capturado nos cafundós do Canadá e subemetido a inúmeros testes e pesquisas, da maneira mais dolorosa possível, porém, surpreendendo os cientistas, Logan é um homo-superior (mutante) que pode ter atrapalhado o funcionamento das coisas...  

Tudo isso narrado em uma história bem quirky, quanto americanismo meu, mas não sei se peculiar serve bem, mas farei um comparativo. É como os filmes do Shyamalan, roteiros fechadinhos, excução diferente, e baseado em um grande plot twist apostando na confusão narrativa do leitor, mas nada que impeça o enterterimento, isso é o ponto mais forte da HQ, ela é divertida de ler, apesar dos temas abordados serem escabrosos. 

Outro ponto bom, mais esquecido nas outras HQs do Wolverine, a dor que é ser ele mesmo:

que dor, que dor!

Ser o Wolverine é praticamente uma punição da mitologia grega, teu corpo possue fator de cura, é praticamente imortal, as garras rasgam a sua pele toda vez que saem do antebraço, mas ele se recupera.
Não é porque ele consegue se recuperar rápido que não foi um processo dolorido, toda santa vez.

Wolverine não é muito bem um herói, ele só está junto aos X-Men por ser perigoso o suficiente se estivesse do lado de lá.

Por fim, essa história tem um ritmo bastante cinematográfico, não sei porque nunca foi adaptada antes, poucos personagem (só quatro), em um ambiente fechado e roteiro amarradinho que vai confundir a sua cabeça, mas fique tranquilo, não tem o que entender. 

A experiência de ler vale mais do que a história em si díficil falar sobre, um verdadeiro clássico que não pode ficar de fora de sua lista; 



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