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Receita de bolo é tão fácil quanto dizem? X-Men '97 (2024)

 

Resenha SEM SPOILERS! 

Vou te falar, quando vi o trailer desse negócio fiquei até um pouco triste dos meus queridos mutantes serem mais uma vítima da cultura da lacração (piada) revival dos anos 90, ou seja, refazer obras muitos populares naquela época só pra arrancar dinheiro dos hoje quarentões. Saiu uma penca de filme HORRÍVEL nessa pegada, Indiana Jones, Pequena Sereia, Rei Leão (e os outros milhões de "live actions" da Disney) e The Flash que trouxe o Keaton como Batman de novo, totalmente não solicitado. 

Vendo esse histórico e o debate de "crise criativa" em hollywood, quando sai uma produção dessas você fica com o pé atrás, mas... Não é que começou a ser bem falado? Me Convenci a ver e não me arrependo. 

Já digo: X-Men '97 VALE A PENA DE SER VISTO, não é só uma obra boba que se apega a nostalgia como único recurso. Vamos investigar como isso é feito...

 Ele tem o mesmo trato com as obras originais que Pabllo Vittar teve em Batidão Tropical 2 (Confira a resenha) que é trabalhar dando um passo pra frente e não olhar pra trás. Isso fica muito claro quando não recorre a um período em genérico, esse é o erro de muitas produções que tentam apelar para nostalgia, não definem um modelo para se inspirar e ficam supracitando coisas aleatórias. Ou só pega as coisas mais famosas.

Vou dar um exemplo. Se fosse uma obra que só apegasse na nostalgia sem fundamento, iria ter um monte de música de rap aleatória, isso é bem anos 90, mas não tem nada a ver com os X-Men (sem um encaixo pra isso ser feito, deixando claro). O trabalho não é feito para você lembrar como era bons os tempos de criança, pelo contrário, ele tem a mesma estética e estrutura narrativa das histórias daquele período, gasta suas energias em sintetizar o movimento estético da época, do que meramente reproduzir coisas já prontas. 

Exatamente como Pabllo Vittar faz em Batidão Tropical (tanto 1 quanto o 2), não é tratar o antigo como antigo, mas tratar o passado como uma memória viva, que ainda pode ser plenamente reproduzida e dar bons frutos, basta ENTENDER o objeto que se tem nas mãos. Um exemplo contrário do que estou explicitando é a porra do Batman do Keaton reaparecendo quase QUARENTA ANOS DEPOIS e aquele bem fraquinho do Spielberg, Jogador Nº1 (2018):

tudo isso pros nerdola ficar apontando pra tela "olha ali olha ali caraca velhooo"

Assim como outras obras, apesar de jogar na tela ostentando compra de direitos de imagem não conseguem replicar a sensação/estética dos filmes do período, ficando em um tipo de vale da estranheza narrativo onde o personagem ou objeto da história é antigo, mas todo polido para os padrões atuais, não tendo competência de reproduzir a estética anterior e nem coragem de romper para fazer algo totalmente diferente. 

 X-Men '97 é dotado de PERSONALIDADE que é advinda da competência em entender o que é X-Men e o que foi X-Men dos anos 90. e dir mais, consegue SUPERAR o desenho original (X-Men de 1992), quando dá justamente mais PERSONALIDADE as personagens femininas, só olhar o próprio visual delas, deu uma ajeitada na anatomia e agora não se parecem mais com figuras de filmes eróticos:

Vampira no desenho original.
É justamente a necessidade de dar o passo para frente, chegar onde a obra original não conseguiu por questões de limitações técnicas (o visual do desenho de 1992 é bem esquisito) ou limitações ideológicas. Atualizando, encaixando para o mais razoável nos tempos atuais, incluindo o traço, que tá bem mais limpo.

Reproduzir a estética e elementos não significa repetir os erros, ao mesmo tempo não é sobre fazer diferente, mas revitalizar, por isso, tem algumas mudanças estéticas. Diria que são mais correções que casam melhor com a proposta do desenho, o seu objetivo final é bem delimitado, adaptar as histórias do Chris Claremont (tão falado aqui) junto com os personagens do desenho Original (que foram baseados nas histórias do Chris), só que tem um porém! Não é qualquer história do Chris, é especificamente do período Uncanny X-Men #200 pra frente. Isso fica bem evidente no visual da Tempestade, que tá com aquele moicano maravilhoso. 

Dois fatores que são bem Claremont é o ritmo frenético que é quase de HQ mesmo, o que gera uma enorme exaustão mental nos personagens, marca registrada do período e um protagonismo melhor elaborado de personagens femininas. Coisa que é bem rara nas produções de herói, esse é o diferencial muita das vezes.

Há também a velha história de genocídio e debates raciais. Mesmo que as abordagens mais modernas falem de questões de gênero de sexualidade (como o filme de 2000 e Grant Morisson) pelo menos em minha percepção não está presente aqui de forma tão clarevidente. 

Diria inclusive que a obra é bem discreta no quesito inovação, se arrisca muito pouco, não ousa mexer em muita coisa. É uma receita de bolo, que por muito tempo o meio nerd usou quase como uma forma pejorativa pra dizer que é fácil de fazer, apenas te desafio a fazer aquele bolo de fubá que tua vó fazia todo domingo, cê num ia conseguir... Porque em um bolo até se você errar a porra da temperatura do leite já foi, estraga completamente, além das texturas, sabor e outros fatores. Ou seja, pra fazer algo na base da receita de bolo, precisa saber cozinhar. X-Men '97 consegue aplicar a receitinha do vovô Claremont na medida certa.

É mais uma inteligência em saber dosar os ingredientes já estabelecidos, do trazer algo novo. O confortável ainda é capaz de levar a bons caminhos, quem precisa inovar quando se tem X-Men?

Por isso serve bastante para quem já conhece as histórias dos mutantes e vai saber se situar em qual período estamos e também vai servir, pelo seu modelo narrativo, pra quem nunca viu nada dos X-Men. Porque se parece muito com os desenhos que eram mostrados na TV Globinho e Bom Dia e Cia, porradaria comendo solta, arcos bem curtos de história. A dublagem tá maestral. Não consigo elogiar mais do que isso.

Apesar de tratar de assuntos como genocídio, o desenho é leve, colorido e até brega (no bom sentido) em alguns pontos, me trouxe a infância quando eu via X-Men Evolution na SBT, mas sem necessariamente precisar copiar nada ou esfregar na sua cara dizendo "SINTA SAUDADES SINTA SAUDADES".
"Sinta nostalgia Sinta Nostalgia... Compre remake pro seu millennial" 

É mais efetivo em alguns casos entregar algo no sobretexto do que expor para o mundo o que você está pensando. É claro que eles estão se apoiando na nostalgia também? Sim, mas esse não é a força motriz do desenho. Parece só mais um remaster/remake/reboot, entretanto X-Men '97 pode te pegar desprevenido, apesar de prometer muito pouco e jogar em um terreno certo, acerta na mosca em sua proposta e entrega um trabalho muito sólido.

Solidez, personalidade e frescor ao invés de cheiro de morfo... Não é sr. Keaton? 


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Dinastia M: Inverter para entender.

Legião Sapiens


Se-alguém-tinha-dúvidas do conteúdo político dos quadrinhos do X-Men a Dinastia M está aí para provar que esses elementos sempre estiveram presentes. 

Antes de mais nada, Dinastia M é uma imensa saga dos quadrinhos Marvel que compila mais de 50 issues, é a última grande saga antes do MCU chegar e varrer o resto de dignidade que os homenzinhos coloridos de collant tinham perante a cultura popular (falando assim nem parece que digo cultura pop). Ok, talvez não seja a maior saga antes do MCU, mas eu irei puxar sardinha pro meu lado, então sim, Dinastia M é a maior saga de todos os tempos, e quem discordar é DCzete. 

Pois bem, importante delimitar que esse post não é uma resenha, li apenas 1/5 da história, é um comentário da sua abordagem inicial das histórias que vou indicar ao final de tudo.
**Tem spoilers, foi lançado em 2006, mas custa nada avisar**

Na prequel da Dinastia M termos uma história da revista Excalibur (Excalibur #11 Chris Claremont e Adam Lopresti) sobre uma luta dos atuais X-Men contra o um golpe que está acontecendo na Zambia, através de mecenários enviados pela Rainha Branca, Courtney Ross. Não confundam com a Emma Frost, que é uma poderosa banqueira em Londres. Enquanto isso, Professor Xavier e o derrotado Magneto (eventos dos Novos X-Men, confira a resenha aqui) reconstruindo o que sobrou de Genhosa e o professor Xavier tentando recuperar a sanidade da Wanda (FILHA DO MAGNETO PRA QUEM NÃO SABE) que sofreu um colapso nervoso e deu uma péia nos novos vingadores. Aliás toda Dinastia M é sobre o colapso da Feiticeira Escalarte, foi nisso que Doutor Estranho 2 se baseou, só que o filme é uma porcaria! Nem deveria ter sido mencionado. Esse blog deve ser o único canal de mídia que lembra de Doutor Estranho 2, Marvel e suas produções esquecíveis. 

Como diria o carecão roxo:

Pois bem, só para fechar o arco, o grupo mecenário é derrotado, a Zambia vence sua "guerra civil" e recebe apoio para financiamento para reconstrução do país justamente da... Rainha Branca. Esse mini arco mostra bem a pegada do que estaria por vir.
 Ah sim, Wanda perdeu as estribeira, os heróis mais famosos da Big Apple se reunem para definir seu futuro, por insistência dos Vingadores, votam por deixar a Feiticeira Viva, ao desembarcarem em Genosha para uma conversa diplomática e avaliar a situação mental dela, plim plim. Um clarão surge. Com seus poderes descontrolados, Wanda bagunça a realidade e o universo senciente, tudo estava de cabeça pra baixo, agora os mutantes estão no poder. Em um reinado do Magneto e sua família como um todo. Depois de um clarão branco, tudo está mudado.


O que acontece nesse universo "paralelo"? Os mutantes vencem a guerra genética e asseguram a dominância do planeta terra em um reinado do Magneto, sim, dessa vez, o Magneto não é fascista, e os mutantes (aqueles com o gene X, o homo superior) estão no poder, sendo os dominados da vez os Sapiens (homo sapiens) e nisso que mora o barato dessa história, pra mim. Por um motivo simples, não é só um superman filho da puta sendo ditador genericamente (alô Injustice), mostra uma hegemonia verdadeira. Também não tem essa proposta de mostrar 'heróis realistas' (alô The Boys).

Sim, hegemonia completa tendo dominância ecônomica, cultural, religiosa e etc etc, é tanto a classe dominante, tanto a dirigente daquela sociedade, nesse "mundo ideal", Peter Parker, por exemplo, é um bilionário, casado com Gwen Stacy, e que raspa sua cabeça, por algum motivo.(?)

aliás, o Tio Ben é vivo nessa história

Se nas histórias originais o pobre do homem aranha tem dois empregos e é renegado por geral, aqui ele é uma lenda viva na cidade. As pessoas não adoram os heróis/mutantes por eles serem heróis ou mutantes, mas sim pela grande personalidade deles, um fato interno, isso se dá porque com a dominância total dos mutantes, o normal, esperado, é ser mutante, e uma vez que todes são mutantes, você avalia aqueles quadros que são os melhores, assim como os piores ainda existem, ser mutuna não tem nada de especial. Tá complicado de compreender? 

Vou puxar uma aspas do Gramsci para entender o raciocínio:
“uma classe é dominante em dois modos, isto é, é ‘dirigente’ e ‘dominante’. É dirigente das classes aliadas, é dominante das classes adversárias. Portanto, uma classe desde antes de chegar ao poder pode ser ‘dirigente’ (e deve sê-lo): quando está no poder torna-se dominante, mas continua sendo também ‘dirigente'."

Portanto, invertendo a situação, conseguimos entender como funciona a política de X-Men, aqui os mutantes correm soltos pelas ruas, voando, rastejando, o notíciario só se fala da fofoca dos mundo mutantes, com bastante êxito Dinastia M consegue demonstrar os processo de dominação e opressão que acontecem nessa sociedade ficcional, claro. (Ainda bem que é uma ficção, e não algo baseado no modelo de sociedade que vivemos.) E os humanos? Vivem lutando contra, sem muito sucesso a dominação mutante, mas não todos, apenas uma população mais marginalizada, pois a maior concentração de Sapiens é o pobre bairro cozinha do inferno em Manhattan, aquele mesmo que o Demolidor mora e faz a festa. Muitos teem relacionamentos com mutantes, outros chegam a trabalhar juntos em empregos menores, como políciais. Existem até grupos de resistência, terroristas mesmo. 
Ou seja, uma vez no poder, eles ditam tudo aquilo é da reprodução social, cultura, política e até psicologia, a psiquê social.

A pergunta que fica, "quanto poder! essa dominação é uma ditadura totalitária?' Não, as coisas acontecem em sua normalidade, os sentinelas até existem para perseguir alguns humanos, mas em aspecto gerais podemos dizer que o modo o qual se aconteceu essa dominação não fez precisa a extinção dos sapiens, toda segragação ocorre em plena normalidade moral, legal e ética. Até porque a moral, legalidade e eticidade é definida pela classe dominante, mas mesmos os valores esperados por eles mesmos não são rompidos. Os mutantes e os humanos estão segregados "naturalmente" ou seja, cada um ocupa o espaço o qual é devido, não se fazendo nescessário, um super plano de extermínio da raça humana. 

 Assim como, inclusive acontece na maioria das história dos mutantes, pelo menos aquelas que o Senador Kelly não aparece. Ou seja, por mais que vivemos em uma dita "democracia" (por mais que em Dinastia M seja uma monarquia) ainda há quem esteja passando por uma ditadura, toda democracia cheia de liberdades é ditadura para outras pessoas, especialmente aquelas idesejadas pelo grupo dominante/dirigente.

Essa 'direção' é tão aparente que quando o quadrinho vai mostrar o cenário do rap, termos um mutante lançando palavras de ordem e o famoso conscious rap (rap consciente) para uma platéia de humanos, mesmo sendo mutante. Um comentário bastante ácido sobre o mercado do rap. Achei uma passagem interessante também. Meio ácida, interpretem como quiser. 


Tudo é lindo e belo, exceto na Austrália. Lugar onde ainda existe o status quo mutante, porém o Estado da Austrália é completamente nazificado. Sim, com referências beeeeeem saltitantes aos olhos. Estamos na Austrália porque o Bruce Banner, em busca de misérios segundos de paz em sua alma acaba indo atrás de uma população aborígene (nativos australianos), em mesma aldeia que está sendo invadida por uma espécie de Gestapo Australiana. 

Tá nem óbvio isso aqui

Um ponto de contradição interessante é que esssa gestapo é formada justamente por HUMANOS (brancos), SAPIENS mesmo que estão assassinando seus próprios "parceiros de gene", todavia, toda essa perseguição, até genética mesmo, não é novidade para os povos aborígenes, que eram perseguidos tanto sob domínio Sapien por serem nativos (racializados) e agora são perseguidos por serem humanos. Em uma das falas o tipo de cacique do lugar relembra um episódio cruel da sociedade Australiana, a Geração Roubada. 



Essa parte não é ficcional, foi uma política do governo Australiano para o extermínio da população nativa do local, isso é genocídio no mais e simples sentido que a palavra pode ter.

 Óbviamente eles (australianos) possuem a anuência do Magneto, não que ele apoie, mas... Aquela coisa, a existência de um estado genocida de SAPIENS não é uma ameaça para o status quo MUTANTE, muito pelo contrário. Ou seja, existe uma dominação que funciona tanto em uma "democracia" tanto em uma ditadura descarada. 

Em modos gerais, ainda estou lendo a Dinastia M, achei os temas muito mais aprofundados do que a maioria das histórias que colocam heróis no poder. Voltarei com mais informações. 

informações chatíssimas, as HQ lidas
Excalibur #11 a 14 (Chris Claremont e Aaron Lopresti)
Dinastia M #1 e #3 (Brian Michael Bendis e Oliver Copel)
Homem Aranha Dinastia M #1 (Mark Waid, Tom Peyer e Salvador Larroca)
Quarteto Fantástco Dinastia M #1 (John Layman e Scol Eaton)
Hulk Dinastia M #1 (Peter David e Jorge Lucas)
Homem de Ferro Dinastia M #1 (Greg Pak e Pat Lee) 
Mutopia X #1 (Davide Hine e Lan Mendina)



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Nazi tomando fumo! X-Men #161 Chris Claremont e Dave Cockrun


"Fascistas, racistas, anti-imigrantes. SIGAM SEU LÍDER"

Primeiro, uma rápida explicação: Estou meio doente desde do começo da semana, por isso não estava postando no blog, ainda estou com bastante dor de cabeça, apenas movimentando essa joça aqui.

Essa postagem é complementar da postagem sobre o professor Xavier vs Magneto que fiz lá no começo do blog. Então recomendo ler. (leia por favor)

Contém spoilers, mas a história é mais um spinoff do que outra coisa

Lançanda em 1982 X-Men #161 pelo de nome de "Corrida pelo ouro" (Golden Rush) é a primeira edição da saga ninhada, uma importante saga para o mundo dos mutunas. Ela conta a origem do Magneto e do Professor Xavier, como é comumente mostrado, eles já trabalharam juntos em uma fase da vida. É um verdadeiro naziexploitation, o que não é problema, sempre bom ver esses sacanas da "Hydra" levando um couro. (Talvez não seja canônico, quadrinhos é uma bagunça né.)

O professor X está em estado catatônico em um leito de hospital, com isso se lembra de memórias do passado, voltando 20 anos antes para Israel, na cidade de Haifa, onde ajuda Daniel Shormon, psiquiatra que trabalha ajudando vítimas do holocausto na cidade Israelense, lá, também trabalha como voluntário um humilde senhorzinho chamado Magnus... Vocês-sabem-quem

primeiro encontro entre Charles e Magneto

Charles é chamado para ajudar uma pobre moça sobrevivente do holocausto que vive em uma espécime de estado pós traumático, também em estado catatônico (eu acho que o Chris Claremont só conhecia essa condição mental), ao adentrar em sua mente, termos uma das sequências mais sombrias dos quadrinhos, inferindo que Gabrielle possa ter sido vítima de violência sexual ao invés de ir para a câmara de gás

quadrinhos sobre o holocausto são muito bem produzidos.

 Já adianto que no decorrer da história Gabrielle é meio utilizada daquele velho recurso "princesa indefesa" para a história andar, mas ok. Se tratando de uma pessoa civil, é razoável (tendo em mente o que a Bárbara Gordon sofreu em Piada Mortal e a Alexandra Dewitt em Laterna Verde #54 (1994) a famosa famosa "Mulher na Geladeira")  e bem assim acontece. Bam! Gabrielle é capturada pela  Hydra, uma desmembrada célula da SS. Aliás durante o ataque já mostramos a verdadeira diferença entre Charles e Magnus, com atraso, Magneto consegue explodir as aeronaves e recebe esse tipo de pergunta do Professor Xavier 



O efetivo do Magneto não é suficiente para impedir a captura de Gabrielle nos tentáculos da Hydra a levando para o Quênia, onde descobrimos que está guardado a riqueza em barras de ouro do Furher, essa grana é planejada pelo Baron Strucker para reerguer um novo reich, o quarto reich! Consolidando os objetivos da Hydra. Frustrados graças a astúcia da dupla protagonista aqui, que se infiltram na caverna utilizando o uniforme da Hydra e derrotam os nazistas sem suar muito, diria até que o Baron é derrotado de forma humilhante. Toda edição tem um desavisado chegando com coisa de metal pra cima do Magneto, e ele faz questão de mostrar que é o mestre do magnetismo

Fez purêzinho da mão

Aliás, toda essa cena é o manifesto de criação do Magneto, numa fala marcante de "tudo é possível, nazista, (o triunfo da Hydra) ódio é mais popular que o amor, medo prevalece mais que a confiança. Se a humanidade deseja seguir você em sua danação, que seja. Eu não me importo com você ou com eles. E quando não existir mais homo sapiens, os homo superior vão clamar seu lugar de direito... Como os donos da terra!"

Tem como odiar o Magneto do Claremont?

Dando cabo não só ao Baron Strucker como a toda fracção daquela Hydra. Podemos deduzir que com a riqueza escondida do Furher, Magneto constrói seu aparato para a consolidação de seus planos futuros, incluindo, eu acho, a compra daquele belo uniforme, que não deve ter sido barato.

Consagrando assim a rivalidade mais famosa dos quadrinhos, que perdura na cultura pop até hoje.

Uma história simples, marcante e importante para compreender as diferenças entre Charles vs Magneto, não pode ficar fora da sua lista! E o melhor, nazista tomando uma coça.


Não esqueça de conferir outras histórias sobre os mutunas aqui no blog.
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Martin Luther King e Malcolm X não foram inspiração para os X-Men, desvendando um mito.


Se você é um usuário médio da internet já deve ter visto um papinho de que "Stan Lee em 1963 criou o Professor Xavier e Magneto como se fossem uma analogia do Martin Luther King Jr. e Malcolm X" essa afirmação está errada em tantos níveis que podemos considerar uma fake news do nível cloroquina pra covid, só que em proporções menores e nos mundo dos quadrinhos, diria que menos letal também.

Seja-lá-quem inventou essa lorota deve ser conhecer muito pouco de Malcolm X e MLK e menos ainda dos X-Men! Como negro e fã do x-men preciso fazer desvendar tudo isso. Essa postagem talvez seja longa, então pegue um copinho d'água, sente-se de uma forma confortável e simbora meu povo.   

A suposta rivalidade entre Martin Luther King e Malcolm X

Entre os dois, há mais semelhanças do que diferenças, a maior diferença é que um seguia a Maomé e o outro a Cristo.

O pacifismo do Martin Luther King é um verdadeiro GASLIGHT (manipulação) histórico, uma tentativa de apagamento do seu legado e simplesmente não é condizente com a realidade dos fatos. Ora, da forma que é narrada, Martin Luther King era só um pastor bonzinho, boa pinta, uma figura quase messiânica sonhadora que veio a essa terra para lutar bravamente contra o racismo atráves da paz entre os brancos e negros, como disse em seu discurso mais famoso "I Have a Dream" de 63, MAS Dr. King viveu bastante depois daquele discurso e o mesmo disse que "O sonho que eu tive naquele dia, em vários pontos, se tornou um pesadelo", admitindo na mesma entrevista que foi um discurso 'simplista' e otimista e que agora passa por uma fase mais de "realismo", essa fase, é a dedução que a revolução é a única arma de fato que os oprimidos tem contra os opressores, ou nas palavras do próprio doutor: "Em uma análise final, a REVOLTA (aqui ele usa riot no original) é a linguagem dos não ouvidos" [In the final analysis, a riot is the language of the unheard.]

Em uma perspectiva, a revolução/luta armada, só aconteceu, mesmo de forma breve e meio tímida porque figuras como o Martin Luther King, Malcolm X e os líderes dos direitos civis não foram ouvidas, ou então seja uma questão de classes, onde o capitalismo é aliado a supremacia branca, e o racismo sendo um componente do caráter inconciliável de classes, mas não vamos entrar nessa seara.

 nas palavras do próprio:

"Os militantes então com um espírito revolucionário, e preocupados em revolucionar, certos valores que tem existidos na nossa sociedade precisam ser revolucionados, E eu acho a outra coisa que precisamos ver é o que o Presidente Kennedy disse: 'aqueles que fazem a revolução pacífica impossível, fazem a revolução violenta inevitável.' "

Óbvio que: Não quero pintar o Martin Luther King como comunista só porque puxei um apanhado de frases/fatos históricos solto, contudo essa imagem de "pacifista" ou pior de REPUBLICANO a qual é atribuída do Martin Luther King é uma mancha em sua história e uma grande despolitização de sua figura, nós, enquanto negros, não podemos isso acontecer. Fato também que o Dr.King aos poucos foi se afastando de um discurso "utópico" e cada vez mais reconhecendo o poder e o papel da ideologia revolucionária nos movimentos civis, afinal, não há, até hoje, uma outra alternativa para conquista de direitos dentro do sistema atual fora uma luta verdadeiramente radical. King deduziu isso, não atoa, foi executado.

Óbvio que Martin Luther King nunca tacou tijolo na polícia, queimou camburão e botou a mão no rifle, mas essa posição é devida ao momento histórico da luta pelos direitos civis e as contradições de sua realidade, achar que a ação negativa (o não-fazer) pode ser interpretado como contrário a é uma posição bastante desonesta em certa medida.

Em suma: Martin Luther King NÃO ERA pacifista, contra-revolucionário, ou alguém que fora confortável no establishment, todo fofinho com o governo, muito pelo contrário, foi preso mais de 20 vezes. 

Abril de 1963

Doutro lado, há uma figura vilanificada ou igualmente estereotipada como "violento", um quase bárbaro Malik el-Shabazz, o Malcolm X, posto em uma falsa dictomia entre ele o MLK, o caminho violento e o não violento, ora, a luta de classes abrange vários meios e formas de atuação, não sendo necessariamente uma coisa ou outra, a realidade material é dialética, comportando diversas contradições. Malcolm é pintado como um separatista negro, alguém que fomentava a guerra racial e coisas parecidas. Palavras de discursos do Malcolm X

"Nós somos não-violentos com aqueles que são nãoviolento conosco" [“We are nonviolent with people who are nonviolent with us.”]

É exatamente como a Nina Simone fala em Revolution pt. 1 "Eu sei que eles vão dizer que estou pregando o ódio"  

Ainda vou tirar uma postagem parar falar como Nina Simone canta Beatles melhor do que eles mesmos .

Bem, assim como King, Malcolm X tem uma história mulfifacetda, que não pode ser resumida em seus tempos de nação islã, que defendia um certo 'nacionalismo negro' da qual se afastou por fortes divergências do seu principal líder (Elijah Muhammad). Aliás, apesar de ser pintado como "o violento", Malcolm nunca participou de grupos de lutas armada ou guerrilhas, a fase mais radical do movimento negro veio a acontecer na segunda metade da década de 60 (Panteras Negras e Black Libertation Army), depois de sua execução. Sim, sempre defendeu o discurso da luta armada da revolta popular ARMADA, pois todos os meios necessários,

"Sobre a não violência, é uma forma criminosa de ensinar o homem a não se defender a si mesmo, quando ele é vítima de constante ataques brutais" [“Concerning nonviolence, it is criminal to teach a man not to defend himself when he is the constant victim of brutal attacks."] 

Mas no fim e ao cabo, assim como Martin Luther King, nunca foi associado com grupos armados/ataques, tão pouco líder de milícias negras ou coisas parecidas. Diferente de King, Malcolm X realmente chegou a se aproximar no final da sua vida de lideranças conhecidamente comunistas anticolonialistas, tendo contato com o panafricanismo, como o líder de Ghana Kwame Nkrumah quem conheceu pessoalmente durante sua visita a África, mas morreu antes de qualquer sinal mais próximo da teoria marxista de fato, apesar que radical, no sentido de luta armada, sempre foi.

Ou seja: Martin Luther King e Malcolm X foram dois líderes populares ícones do direitos civis estadunidenses, que sempre reconheceram o poder a necessidade da revolução/revolta dos oprimidos, não havendo entre eles uma rivalidade ou qualquer antagonismo, se não apenas pela forma de discurso, porém, sempre tiveram os mesmos objetivos, nas palavras do Malcolm X

"O Dr.King quer a mesma coisa que eu. Liberdade." [Dr. King wants the same thing I want. Freedom.]

eles eram mais parecidos do que a história conta


AVISO, a história do movimento negro dos Estados Unidos é repleta de contradições e elementos difusos, sendo muito mais longas do que meros parágrafos em um blog, merece um estado aprofundado de suas características, NÃO TOMEM ESSE TEXTO COMO VERDADE ABSOLUTA DOS FATOS, é uma mera síntese do pouco que sei, e estou longe de ser especialista na história dos yankees. Dos conteúdos que vi, estão linkados. 


Professor Xavier e Magneto

De forma bastante resumida, quem são professor Xavier e Magneto? Charles Xavier, Professor X(ou Xavier) é um geneticista famoso mundialmente, diretor da Escola Xavier para jovens superdotados [Xavier's School for Gifted Youngsters] ou Instituto Xavier, a depender da época, só que, na verdade esse Professor secretamente um mutante telepata - e aí já a mora a maior diferença com o MLK, professor X não é um mutante abertamente, e nem um ativista dos direitos mutantes, que mantém por baixo dos panos (porra nem tanto né, a mansão Xavier é invadida toda semana) uma organização mutante chamada X-Men (que também são professores na escola em algumas histórias), dedicada ao combate de ameaças contra a humanidade, ao universo sensível como um todo também.

Já Magnus, ou Erik Magnus Lehnsherr o Magneto, o mestre do magnetismo tem o poder de controlar qualquer estrutura de metal, é um sobrevivente do holocausto, líder político pela defesa/autodefesa/full ataque as vezes dos mutantes perante a ameaça de guerra entre raças do homo sapiens contra o homo superior (como são chamados as pessoas com gene X, mutantes), liderando em alguns quadrinhos a chamada irmandade [brotherhood] grupo de supervilões liderado pelo mestre do magnetismo. A depender da história, Magneto é chamado de terrorista ou até de supremacista mutante.

Ambos, em 90% das histórias dos mutunas são meros rivais políticos, que vira e mexe entram no soco, sem perder a amizade. 

Em linhas gerais, esse é o imaginário geral dos personagens, contudo vamos para suas origens, o sumo dessa postagem, teria o Stan Lee criado o X-Men espelhados no movimento pelos direitos civis da década de 60??

The Uncanny X-Men, Setembro de 1963, origem dos mutantes


Lançada a quase 60 anos atrás, X-Men (que mais tarde seria chamada de Uncanny X-Men pois saiu uma revista chamada apenas X-Men em 91) criada por Jack Kirby que é creditado* junto ao Stan Lee os X-Men são muito mais um rápida série sobre adolescentes com poderes, do que uma crítica/analogia ao racismo

* eu não colocaria que Stan Lee CRIOU o X-Men devido ao método Marvel onde basicamente o quadrinista desenhava tudo (até os balões de fala) e o Stan Lee apenas preenchia eles e leva todo crédito de criador e pai dos quadrinhos, vamos superar essa fase de achar que Stan Lee criou o Quarteto Fantástico, X-Men e o Homem Aranha né pessoal - Steve Ditko, você será lembrado.
Ótimo método de trabalho, o bonzão leva toda fama e dinheiro por causa de seu marketing pessoal enquanto os artistas terminam a vida numa penúria e sem reconhecimento até hoje.

Você, nobre leitor, poderia até argumentar que a interpretação de uma obra não depende da vontade do autor, mas sim da mensagem que dali por ser extraída, é verdade, por isso, vamos analisar a história geral do primeiro issue dos X-Men:

eis a primeira aparição oficial dos mutunas. 

Aí estão eles, a primeira gênese dos X-Men, Ciclopes, Anjo, Fera e o homem de gelo, que estaria mais para homem de neve, a ideia original seria fazer primeiro: heróis adolescentes e em segundo lugar heróis "esquisitos", não sendo exatamente heróis convencionais que sofrem uma grande tragédia (apesar de muitos X-Men sofrerem terríveis tragédias pessoais, Cyclops que o diga) e daí se sentem na obrigação ou dever de proteger as pessoas e salvar inocentes, mas sim um grupo TREINADO pelo professor X para serem heróis, em questão de bizarrice o homem de gelo supera todos os aspectos

A história conta desse grupo que está treinando na famosa sala de perigo, o treinamento é pausado pela chegada de uma nova "estudante", a Garota Marvel, Jean Grey. Nesse quesito a hq é extremamente datada, ou pior, é horrível, porque mais de metade do gibi é um festival de assédio contra a Jean, que minha nossa, é até meio desconfortável de ler. A julgar pela PRIMEIRA FALA relacionada a Jean
O homem de gelo não foi na onda
Jean que é representada como uma moiçola típica dos anos 60, e não poderia ser diferente, até poderia, mas seria uma surpresa enorme... 
Aulas de bom comportamento com Bobby Drake

Eu nem vou me alongar nesse ponto do assédio/"cantadas" ou adolescentes vidrados numa figura feminina, mas rola até um beijinho na bochecha do Hank McCoy e quando a Garota Marvel coloca o seu uniforme, ela está sendo observada por 3... realmente heróis muito BIZARROS mesmo.  é dessa forma que Jean Grey é apresentada na história. 



"olha como ela RECHEIA esse uniforme" e porra Bobby Drake, tinha acabado de te elogiar :(

Enfim, entre assédios e espiadas, descobrimos a "razão de ser" dos X-Men, o combate aos mutantes malignos, ou seja, colocando em linhas, se o professor Xavier foi inspirado no Martin Luther King podemos dizer que MLK existia para COMBATER outros negros? Hein? Dr. King tinha uma tramitação com outras lideranças abertamente socialistas ou radicais mesmo, comparar esse professor Xavier em específico com Martin Luther King não faz o menor sentido 
cabeça de filtro de barro

 E aqui cabe delimitar uma coisa para ficar bem clara, durante a era de prata (1956 até metade dos anos 70), onde surgiu a maioria dos heróis que conhecemos, estava imposto uma literal CENSURA no mercado editorial dos quadrinhos o Comics Code Authority, as HQs não podiam tratar de temas que envolvessem violência, sexo ou qualquer "crítica social foda" que eram barradas, assim, matando o seguimento mais famoso dos quadrinhos nos anos 40 e 50, que eram as histórias policiais, contos de terror e até histórias de piratas, com isso, os heróis ficaram mais 'populares' porque eram a única opção não censurada no mercado, esse é o motivo de muitas histórias terem mocinhos contra vilões muito malvados que querem destruir o planeta, o velho maniqueísmo do bem contra o mal.
Então, claro que o Magneto vai ser representado como alguém que quer destruir a humanidade, estamos falando de anos 60, guerra fria,  era de prata, assim todos os vilões da era de prata, ele é bastante vilanesco e caricato. Apesar da caricatura, a personalidade do Magneto combina bastante com esse arquétipo   
a julgar pelos chifrinhos, eu adoro essa roupa do Magneto

Pois bem, Magneto ataca uma base militar, se achando o mestres dos magnetismos (apesar que ele é) todo dominador do mundo, até que é pego de surpresa ao ser atacado POR MUTANTES COMO ELE, e assim conhecendo os X-Men, numa clássica rivalidade que dura seus 60 anos.
 
Vale ressaltar que o Magneto não era originalmente um sobrevivente do holocausto, e aí vamos para o parte final dessa postagem:

Segunda gênese, a criação dos X-Men como conhecemos hoje

A fase ou segunda gênese trata-se do período do David Cockrum e (Gil Kane inicialmente) Chris Claremont. John Byrne viria depois, como desenhista. 
para-quem-não-sabe, os primeiros X-Men foram um fracasso terrível, não que a Marvel fora um sucesso de vendas, mas de público e vendas, os X-Men eram horríveis, dessas obras iniciais "do Stan Lee" os mutantes foram um verdadeiro fracasso, beirando o cancelamento da revista no começo dos anos 70, eram muito ruins mesmo, não é exagero falar.
Graças a Deusa, surgindo do limbo/cinzas como um fênix depois de 5 anos sem publicar novas histórias em sua segunda gênese com o GIANT SIZE X-MEN #1 em 1975, pouco tempo depois o principal roterista dos mutantes, Chris Claremont que os escreveu por 16 anos, assume na edição #94 e só uma edição depois mata o Thunderbird (acho que o nome dele traduzido é pássaro trovejante) e crava a mudança de curso dos mutunas pra sempre, sendo essa segunda gênese a fase mais conhecida, e sendo na era de bronze, era das HQs marcadas por fortes críticas sociais que se tem analogias ao racismo/preconceito no geral.  

Essa segunda gênese reciclou totalmente o que eram os X-Men, incluindo o Magneto que reaparece na edição 104


Claremont e Cockrum também são responsáveis pela retcon, a reformulação da origem do Magneto, o colocando como um sobrevivente de Auschwitz,  na edição 150 dos Fabulosos X-Men, que merece uma postagem só pra ela! É minha favorita disparada. Nela descobrimos que o Magneto é um Judeu nascido na Polônia, que teve a sua filha assassina e viu a sua esposa fugir quando a viu utilizando seus poderes. Não é spoiler, a capa tem a Kitty Pryde caída nos braços da Ororo, porque Magneto em um momento de fúria contra os X-Men dispara uma onda Magnética fatal contra a nossa querida ninfa. (que não morre é claro, a personagem tinha acabado de ter sido introduzida).


Uncanny X-Men #150, a melhor.


É uma das sequências mais fortes e emocionante dos quadrinhos Marvel. 
note o Magneto sem seu imponente capacete, mas ainda vestido de Magneto

Dado isso, fica a pergunta "ah então o Claremont (ou o Cockrum) admitiu ter se inspirado no Malcolm X?" não.

Em uma entrevista para a New York Magazine, nos anos 2000 Chris Claremont revelou que há alguém na realidade quem o inspirava/inspirou a escrever o Magneto, Menachem Begin, nas palavras do Claremont "é que ele é o terrorista que pode evoluir para um estadista" [is that he’s the terrorist who might someday evolve into a statesman.], Se de um lado termos Menachem Begin, doutro teríamos Charles Xavier sendo um paralelo ao David Ben-Gurion uns dos fundadores do Estado de Israel.
Antes da fundação de Israel enquanto Estado, durante a segunda guerra, os britânicos que estavam em posse das terras palestinas na época restringiram a imigração de judeus para aquela terra, mesmo no auge do holocausto de Hitler. Sendo este um cenário de luta e conquista pela terra, e não havendo um Estado ainda, haviam duas principais milicas (no sentido de exércitos sem Estado mesmo) a Hanagá liderada por Gurion, e a Irgun, liderada pelo Begin
Respectivamente: Irgun and Haganá


Em um resumo porco: Irgun era um grupo "mais extremista", comumente taxados de terroristas em alguns artigos, em relação aos britânicos os atacando diversas vezes como a explosão no King David Hotel, que matou 96 pessoas, não confiando na entrega da terra ao final da guerra, tal qual não aconteceu. Já o Haganá tinha uma postura "mais pragmática" em relação os britânicos, considerando que a posição do Irgun poderia vir a atrapalhar os tratados na criação de Israel, não eram aliados, nem eram inimigos em relação os europeus. Hmmm esse comparativo não te lembram bastante os X-Men (Haganá) e a Irmandade (Irgun)?

A diferença entre Begin e Ben Gurion era imensas, a começar pelo espectro político, Begin é o fundador histórico da direita Israelense (que hoje está no poder), já Ben Gurion está mais próximo de um "zionismo socialista", que era quem tomou o poder no começo de Israel, também adotando uma postura mais secular, notória figura do Partido Trabalhista que governava Israel até o final da década de 70. A diferença e rivalidade entre os dois não ficou apenas na conversa, os dois estavam diretamente envolvidos com o Ataque ao Altalena (completa 75 anos esse ano) quando o Irgun, liderado por Begin resistiu a integração de seu grupo ao IDF, forças armadas Israelense, que foi formada a partir do Haganá, o conflito facilmente poderia ter desencadeado numa guerra civil que acabaria com o recém fundado Estado de Israel. Tiro, porrada e bomba.
Ben-Gurion no final da década de 70 chegou ao poder, depois de sucessivas tentativas, ganhou um Nobel da Paz, e como a maioria dos ganhadores do Nobel da paz, tem algumas guerras no currículo, como a Invasão ao Líbano em 1982.

Mas vou parando de comentar a questão Israelense porque sei quase nada ou muito pouco sobre, recomendo alguns vídeos do canal Unpacked sobre o assunto, tem esse também sobre a rivalidade entre os dois.

Ao contrário de MLK e Malcolm X, Ben Gurion e Begin eram rivais políticos de fato, e estavam em campos político bem distintos, com atuações distintas, uma certa "esquerda institucional" contra uma "direita terrorista", algo bastante X-Men de fato.

Explicando as histórias dos dois, deve ter ficado claro o paralelo entre os dois, mais claro do que isso, só desenhando... Ah! Tá desenhado, vai ler a segunda gênese, meu chapa



No mais, a mesma posição foi reafirmada pelo autor em uma entrevista para a revista Empire em 2016.

Considerações finais: uma obra pode ser multifacetada, ter diversas interpretações, mas desde que sejam interpretações apesar que, ainda sendo só uma opinião, essa visão tanto do Malcolm X tanto do MLK não correspondem seu verdadeiro legado. Para mim, na medida do possível que talvez tenha consigo provar, essa opinião não faz sentido.

Sem vias de dúvidas, nas palavras de seu principal autor "X-Men sempre foi sobre achar seu lugar numa sociedade que não quer você" [“X-Men,” says Claremont, “has always been about finding your place in a society that doesn't want you.”]





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Mamilos são polêmicos! Novos X-Men (#114 a #154) Grant Morrison e Frank Quitely

 

Neste blog apreciamos o bom trabalho e contribuições do Grant Morrison!

Já que citei bastante essa fase dos X-Men na minha última resenha, nada mais justo do que fazer uma resenha desta também. Os Novos X-Men é uma obra que divide opiniões entre os fãs do mutunas, alguns acham ruim, outros acham uma bomba. Brincadeira a parte, a obra é bastante importante o suficiente para não ser chamada de ruim, todavia é não-bem-feita o suficiente para ser chamado de boa, ou obra prima, ou o padrão de qualidade Morrison.

Qualquer veredito que consiga resumir numa única frase está incorreto, apenas. Tem relativamente um tempo que li, mas ainda lembro de algumas coisas, então vai ser só uma opinião geral, não uma análise minuciosa como a anterior 

confira minha resenha dos Surpreendentes X-Men 

Resumidamente: New X-Men
Edições: #114 até #154
Criadores: Grant Morrison e Frank Quitely
Editora: Marvel 
Ano: 2001
Acha fácil? Sim.

AVISO: A resenha pode conter spoilers da obra, não vou ficar contando pedaço por pedaço, mas preciso falar de alguns momentos chaves, fique avisade  


Arte, muitas mãos pra pouco carinho.

A Marvel poderia ser processada por propaganda enganosa (artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor), porque geralmente a HQ é apresentada como fosse do Morrison e do Quitely, só que o Quitely dá um quit e praticamente não desenha nada da série, esse talvez seja o ponto mais fraco, a inconsistência visual, o que não é por se só um problema, mas tem algumas edições que parecem que foram feitas nas coxas, sabe? De maneira açodada. Sobre a arte do Quitely em si, no que ele desenhou, eu acho que ele tem trabalhos melhores.

#138, todo mundo com cara de ex-BBB (harmonização facial)

O Quitely tem esse 'problema' que a gringa chama de same face syndrome algo que no português pode ser chamado de "síndrome do mesmo rosto" quando todos os personagem tem a mesma cara, essa carinha grande é o traço mais memorável do estilo do Frank Quitely, nada de absurdo, só algo engraçado que é relativamente comum aos quadrinistas. As cores são um pouco desaturadas, uma escolha bem mais soft com bastante preto/cinza, dando um ar mais corporativo aos mutantes, no lugar dos velhos trajes de super-herói, um ar mais padronizado, menos a Emma Frost, e aí, eu PRECISO comentar a capa mais polêmica dos X-Men
Edição 116
Essa BIZARRICE, que é capa da edição 116, eu não gosto nem de lembrar. Uma das coisas mais desgostosas já feita.
Olhando agora o Torax dela forma um X né? A ideia foi até boa.

E onde mora o ponto fraco na questão gráfica dos Novos X-Men? A instabilidade, porque o Frank Quitely teve que se ausentar bastante, eu diria até que ele é o quadrinista que menos desenha em toda saga, ocorrendo até uma mudança abrupta de visual dos mutantes 

 
#139 e #138

Por exemplo, quando acaba o arco do Kid Omega, o Logan está com cabelos longos e aquela barbinha de Marcus Fenix (Gears of War) nas mãos do Quitely, na edição seguinte onde quem assume é o Phil Jiminez, o Logan está TOTALMENTE diferente, e não há qualquer lapso temporal entre elas. É estranhíssimo, mas o Logan tá longe de ser o principal aqui, nada que vá atrapalhar a experiência, só um estranhamento. Grant Morrison assina todas as edições no roteiro, e os outros artistas fora o Quitely, assinam o Igor Kordey, Phil Jiminez (uns dos meus favoritos), Ethan Van Sciver, John Paul Leon (RIP) e Chris Bachalo numa edição específica, alguns deles já costumam trabalhar com o Morrison. Devo ter esquecido de alguém.

Não quero ficar tacando hate, ou chamando de ruim trabalho alheio, talvez tenham sido coisas como prazos em cima da hora, ambiente editorial horrível (Novos X-Men) sofreu bastante com isso, mas coitado, tudo que o Igor Kordey bota a mão nessa saga é sofrido de ler, porque assim: Não é muito comum leitores de gibi darem tanta atenção para o imagem, falando assim até parece uma frescura, mas pra mim, eu valorizo bastante a questão gráfica porque um quadrinho mal escrito e bem desenhado dá pra ler tranquilamente, agora um quadrinho mal desenhado e bem escrito não dá um desanimo? 

#129
E respeito o trabalho e estilo do Kordey, só não me agradou nessa saga em específico. Parando de pisar em ovos, as cores, os ângulos, o traço meio grosseiro, as texturas principalmente as cores, nossa...
#119, Wolverine Trump



#119
Mas ok, sendo justo com o Kordey, vou culpar os possíveis prazos insanos que foram dado a ele, tanto que nas edições do arco relativo ao Phantomex, tá decente. (Sendo justo, o scan que eu tive acesso tava meio crocante, aquela imagem gostosa quase jpeg.)

Esse tipo de comparação só acontece pela instabilidade da saga, vários artistas botando a mão. Há edições que são belíssimas, em especial a #127 que é um pouco desconexa com o resto da história, continua sendo linda, assinada pelo Jonh Paul Leon, uma maravilha mesmo, tanto o roteiro, tanto a arte, é o quadrinho de toda a saga, 

#127
Aliás o Leon manda MUITO nas poucas edições que pegam aqui, é traço lindo. Grande perda pros quadrinhos a morte do John Paul Leon.
#131, olha a gaia aí minha gente


Outro arco que é um aesthetically pleasing  é o Ataque do Arma Extra (#142 a #145) que beiram a perfeição, é lindo, o traço é lindo, as sequências de ação são recheadas, os ângulos, a utilização de imagens vazadas como a sequência de abertura no cabaré, as cores, tudo isso feito pelo Chris Bachalo, e vou deixar algumas imagens desse arco: 



Os demais artistas fazem um feijão com arroz, apesar que o Ethan Van Sciver, mesmo não sendo o desenhista original, pegou muito bem qual é a vibe dos Novos X-Men, eu diria até que executou melhor do que o próprio Frank Quitely, porque pelo menos ele aparece mais.
Ethan Van Sciver, #133, essa edição é terrível (o roteiro*)


Phil Jiminez, #140


*rola um white-savior muito sem noção, do professor Xavier salvando um avião de um perigoso terrorista paquistanês, além do terrorista ser retratado da forma mais estereotipada possível. Esse ataque ao avião não acrescenta em porra nenhuma.

Em relação aos trajes, realmente eles estão mais para uniformes, pique de empresa mesmo, um pretinho e amarelo básico, e todos mais padronizados, em relação ao design dos personagem fica difícil de falar porque cada artista desenhou de um jeito, só ver o Wolverine como mostrei a cima, todavia o fera tá bem diferente dos anteriores, mais bestial fisicamente e SEM AQUELAS PONTINHAS no cabelo, penteado pra trás, na maioria das edições se fosse para eleger o melhor design  de personagem (tirando pelo novos !!) eu colocaria o Fera em primeiro lugar: 

Hank McCoy no shape, #140 

Depois de toda essa exposição, dá pra classificar graficamente os Novos X-Men como bom ou ruim? De forma nenhuma, apenas instável. 

Roteiro caótico

Grant Morrison é o papo de boteco materializado, aquela ideia viajada, aqueles conceitos bem longe do ponto e que bom! É o seu maior triunfo, até bacana ter no meio dos quadrinhos sempre aquele que sai da mesmice (e consegue colocar na prática claro), talvez tenha sido chamado pra isso, mas... Aqui ele peca pelo excesso.

Como dizem: "é melhor pecar pelo excesso do que pela omissão" se mostra verdade aqui, com muito 'poréns'.

É inegável que Grant Morrison traz consigo vários conceitos foderosos para o universo Marvel neste seu trabalho de despedida. Partido do básico, Morrison encarou a mutação de uma forma bastante diferente aqui, com uns poderes "esquisitos" (tipo em um moleque é um PEIDO vivo; a Martha que é um cérebro, coitada, um que não tem pele é só uma geleia, a mina de areia que some, na saga, não é poder) e nem sempre muito funcionais, a exemplo do mutante inicial que só tem uns 3 rostos e nada além do que isso - aliás morre de cara não durou nem a primeira edição. Claro que os mutantes "não-funcionais" são secundários, mas nem por isso deixam de ser bem desenvolvidos, o melhor exemplar é Barnell Bohusk, apelidado na maldade de bico, trata-se de um mutante que é só um pássaro humanoide (que nem voa direito), um tipo de pet do Morrison que acompanha a história dos Novos X-Men do começo ao fim. Com todas suas contradições e questões internas, é o tipo de mutante que vira-e-mexe aparecem nas listas dos "mutantes mais bizarros", quem faz esse tipo de coisa não entendeu a mensagem dos quadrinhos, sinceramente. 
Sacanagem com meu mano Bico...

Gosto muito do bico, ele é um mutante com a cara dos X-Men (adolescentes com problemas). Podemos dizer que os mutantes aqui tem menos "passibilidade" numa sociedade de humanos, é bem diferente dos X-Men saradões dos anos 90. 


Jim Lee e seus pôsteres de academia


Na lista de inovações positivas tem o conceito de 'segunda mutação' que é bastante interessante e abre um leque enorme de possibilidades, a que chegou pra ficar é a transformação da Emma Frost em diamante, uma blindagem de diamante que tá presente em toda obra dos mutantes depois dos Novos X-Men. Falando em Emma, tem todo arco da relação extraconjungal do Scott com ela, eu não sei se isso é anterior, mas aqui é bem aprofundado e mostra a diferença da Emma Frost dos demais X-Men, não possui ética nenhuma enquanto sensitiva (usar os poderes para ter um caso é algo que possa ultrapassar a ética mutante, mas é interessante).

Antes que eu me esqueça, na minha opinião de leitor a ideia mais fora da casinha que o Morrison trouxe consigo FOI QUE A ARMA X NÃO É X DE GENE X, MAS SIM DE X DE 10, ALGARISMO ROMANO, fazendo uma extraordinária costura que vai do Capitão América, Nuke (da Queda de Muddrock) até o Wolverine, na verdade até o Phantomex (e além), que dos personagens novos é uns dos meus favoritos. Então assim, foi uma inversão total de conceito apenas observando a grafia da palavra, isso é pensar além do objeto, muito além.

Devem ter mais coisas, isso é o que se salva do caldeirão de ideias dos Novos X-Men, e aí moram os problemas, os quadrinhos foram utilizados como um laboratório da cuca do Grant Morrison, que traz elementos que são muito bem utilizados fora da saga, mas na saga é um completo desastre. 

É tipo os cientistas do século 19 e 20 utilizando Raio X pela primeira vez, comendo elementos da tabela periódica para saber as propriedades, Freud tratando pacientes com cocaína e todas as coisas fofas que prática científica fazia antigamente, hoje são de bom uso e úteis, mas na época foi um completo desastre também.
 
"Um pequeno preço a se pagar pela salvação."


O que pega é tudo é jogado ao mesmo tempo, os 'SENTINELAS NATURAIS' da Cassandra Nova e um genocídio de 16 milhões de mutantes em Genosha, os U-Men, o Kid Omega e não-sei-que, não-sei-o-que, não-sei-o-que, são elementos que sozinhos tem potencial o suficiente para desenvolver uma saga INTEIRA, mas JUNTOS não funcionam, porque fica um ideia boa em cima de outra ideia, e acaba que nenhuma ideia se desenvolve de fato, como dizem os populares, "nem o mel e nem a cabaça".

Se bem que qualquer um desses conceitos se tornariam inúteis com a vinda da Dinastia M né!? Mas custava nada trazer :(

Eu fui tapeado pelo carequinha da massa, jurava que a história seria sobre os U-Men, que seria algo do caralho de bom, uma empresa privada que mutila mutantes para criar mutações artificiais, esse é o conceito inclusive do jogo X-Men Destiny (2011) e funciona bem demais, então obrigado Grant Morrison por ter trazido esse conceito, apesar de eu ainda estar magoado de você não ter utilizado ele a fundo na sua saga!

Por isso fica meio difícil de analise uma trilha narrativa de roteiro, já que as coisas só acontecem em micro arcos, são batidas no liquidificador e a gororoba que resta é o quadrinho. Em relação as escolhas, os X-Men são construídos praticamente do zero, sem o Magneto, olha só, que escolha narrativa arriscada para uma história dos mutantes, é como uma história do Batman sem o Coringa, ou uma história do Homem Aranha onde ele não é pobre ou não perde uma figura paterna importante na vida dele (coisa que nem faz sentido falando assim, imagine se já fizeram isso heinnn), Jean Grey aparece como líder nata dos X-Men enquanto o Cyclops é só um homem em crise conjugal porque não está recebendo chamego de sua amada, caindo nos braços psíquicos da amante, no finalzinho bem na raspa termos Wolverine curioso atrás do seu passado e o que termos de desenvolvimento de relações é bom, mas não aparece tanto, pelos motivos que coloquei acima. 

Ah, e o Professor Xavier deixa de ser cadeirante na maioria do quadrinho, apenas um fato.

Sendo justo, o único personagem que tem meio começo e fim é o Phantomex, Arma Treze (eu acho) um superladrão com sotaque francês, um baita personagem, carismático, habilidoso e rendeu belas sequências de ação, tá aí algo que seria adaptado pro cinema sem muita dificuldade, mas dificilmente algum estúdio colocaria em tela, não é tão popular. Vou procurar mais histórias em que ele aparece. 

Então Grant Morrison genuinamente na boa intenção, decide iniciar os X-Men com elementos que ele próprio coloca, viajando nas próprias ideias, se afastando ao máximo de qualquer coisa anterior, exceto elementos fulcrais como a fênix, que sim, Jean Grey morre de novo, a Fênix aparece de novo porque Morrison não conseguiu sustentar a sua aposta e tira o Magneto da bunda, terminando assim a saga, tendo um final brochante e a retcon mais REVOLTANTE que já presenciei. Queria poder eu escrever o quanto fiquei puto da forma que o Magneto apareceu. 

nunca te perdoarei sir Grant Morrison.

Calma, eu vou explicar, é criado uns dos personagem mais carismáticos e inovadores dos mutantes, o Xorn, que não tem nenhuma habilidade ofensiva, é apenas um curandeiro chinês, o personagem é excelente, suas passagens são incríveis, era o meu favorito, sendo honesto.Do nada, do nadinha mesmo é revelado que esse tempo inteiro, dele sendo o melhor personagem dos Novos X-Men, era o Magneto na mutuca, algo que não faz sentido e só prejudicou uma série que não era tão ruim assim, foi tudo pro espaço nessa escolha.

"Veja como eles massacraram meu garoto"

Meu mano Xorn, você não será esquecido. 

E veja bem, talvez a escolha tenha sido editorial, ninguém sabe o que rolou nos bastidores, mas a real mesmo é que o Magneto estava funcionando muito enquanto um mártir, alguém que era pôster de parede, era camisa, era bordão, do que vivo. Simples assim. O Magneto não foi esquecido da história, ele só não estava vivo e nem precisava, pelo visto não tiveram uma ideia melhor e tomaram o caminho mais preguiçoso possível, o personagem de história de heroizinho é um nazista (sim, o Magneto é apresentado como um NAZISTA mesmo) que vira ditador e ai minha nossa, alguém pare esse fascista. Caminho preguiçoso. Final horrível, a Fênix aparece e acaba com tudo, igual sabe o que? X-Men 3. 

"De novo não, esse filme de novo nãooo"
(Apesar que o final da saga é muito melhor do que X-Men 3.) 

Enfim, sobre as questões politicas, é interessante um tempero por cima de uma ideia de cultura mutante e o surgimento de uma figura populista rebelde o Kid Ômega, que destruiu o instituto Xavier pela terceira vez só nessa saga, pelo menos na minha contagem. Mesmo sendo um conceito interessante infelizmente durou só 4 edições, assim tudo que é bom nessa HQ, dura pouco.
As escolhas tomadas são ruins, não todas, mas muita delas. 

Em linha gerais, Os Novos X-Men do Grant Morrison e Frank Quitely (quando aparece) é um clássico. Poderia ter sido muito mais do que foi, mas o status de clássico ninguém tira, sofre com excesso de boas ideias que são aproveitadas depois, mas a sua obra em si é sofrido de terminar, porque Magneto nazista foi posto de uma forma tão preguiçosa que me fez querer as outras 40 edições de volta.

Não é um clássico pela sua qualidade, mas por sua importância para história do gênero, tanto quadrinhos como X-Men.

Na verdade, depois de todo anteposto, até difícil de definir se essa obra é boa ou ruim. Ela não pode ser chamada de ruim porque é mega importante para história dos mutantes e tem ideias incríveis que contribuíram muito para os quadrinhos; Porém, é uma obra bagunçada, sem coesão interna em alguns pontos e tem o pior final possível, de todos os cenários, esse era o pesadelo do pessimista.

Magneto nazista velho, como pode, acabaram com meu xodó pra isso?   

A questão é nem se você deveria ler ou não, você vai ler um dia sim, isso se for realmente fã dos X-Men e poder formar a sua própria opinião negativa sobre. Apesar das falhas, os Novos X-Men não podem ser ignorados, com todas as suas nuances a obra ainda vale a pena conhecer (até porque não há opção em relação a isso)

Pós-créditos: duas imagens que não achei contexto para colocar no texto

O Fera me agrada bastante nesse quadrinhos 

O Fera se declara gay após tomar um fora de uma jornalista famosa, só um detalhe curioso que não deveria ser passado batido. 




  
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