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Pabllo Vittar - Batidão Tropical Vol. 2 (2024)

 


Informações quentes: 
9 de Abril de 2024
14 músicas, 34 minutos
Forró, Brega, Tecnobrega, Melody, Piseiro a peste e o caraio tudo 
Sony Brasil

Se recuperando de uma tal Noitada que virou flop busca inspiração na sua raízes (de certa forma uma zona de conforto) Pabllo Vittar continua o projeto Batidão Tropical três anos depois do primeiro título e na boa, estamos em abril e já é o melhor álbum do ano. 

Pouco antes de falar do álbum eu preciso dizer que sou fã, muita fã, da Pabllo por um valor que prezo muito nos artistas que escuto: conseguir trabalhar em qualquer ritmo/gênero. Assim como o Prince, que é bastante próximo ao funk no começo da carreira e depois consegue cantar qualquer coisa, Pabllo Vittar tem essa qualidade parecida, ela se sai muito bem em qualquer coisa que se proponha a fazer, não é um indicativo de ser "melhor ou pior" (vamos parar de pensar tudo em ranking) apenas uma característica que me agrada bastante, então tenho mais facilidade em digerir tal projeto. Mesmo em zona 'habitual' entrega e ousa a apresentar determinada coisas, mas vamos com calma. 

Antes de mais nada, em nossa ritualística padrão, havemos de falar da capa primeiro. Com menos cores do que o primeiro título, mas mantendo o mesmo calor tropical presente, tonalidades quentes, uma paleta de cores bem discreta comparada a discografia da drag fontes bem blocadas e tímidas em vermelho com um "tropical" cursivo com um degradê entre o amarelo e o vermelho, bem ""anos 80"" o que nos indica um apelo a nostalgia, fato que pode ser observado com o "selo" de volume 2 no finalzinho do nome do álbum. 
Essa fonte cursiva misturada com texto blocado bem centralizado em cima do CD é um clássico das bandas de forró do período, isso denuncia a intenção de nossa querida Pabllo ao apresentar essa capa. A inspiração é mais "forrólesca" do que brega nesse caso.

Como em algumas que mostrarei embaixo: 

Clássico.

Pabllo bebe bastante dessa banda, falo depois

A capa da Magníficos também tá presente o degradêzinho, existe outros milhares de discos com mistura de fontes e cara, peak of design, termos que admitir. 

Resumidamente, a capa apresenta o mesmo calor do primeiro batidão tropical, mas dá alguns indicativos bem claros e consegue "atualizar" a estética do forró do finalzinho dos anos 90 comecinho dos anos 2000 sem parodiar nenhuma banda e ao mesmo tempo sem fazer algo genérico e sem personalidade, tem personalidade e tem apelo a saudade ao mesmo tempo.

Saindo inclusive em uma espécime de "revival" de algumas músicas consideradas retrô, fenômeno conhecido como báu pelas bandas antigas e contando com regravações ou até ressucitação de estilos praticamente mortos, como as músicas de vaquejadas (tipo Kara Véia) que voltaram a ganhar popularidade com Tarcísio do Acordeon, João Gomes e outros cantores que bebem dessa fonte. 

Esse último parágrafo resume tudo que eu tinha pra falar desse álbum, então é uma bela de uma capa que transfere precisamente o que o album precisa. Então assim que arrochamos o dedo no play vem...

Uma bela guitarrada de Pra Te Esquecer uma música do Calypso Algumas coisas presentes nessa música vão se estender ao resto do projeto, termos a clássica batida desse brega-pop (tipo Calypso**) com uma bateria bastante presentes, instrumentos de sopro, aquele guitarra mastigadinha com harmonias curtas e estrofes pequenas, o riff dos instrumentos de sopro são bem chicletinhos e precisamente todos os elementos da música da época.
** Eu NÃO SABIA que essa música era da Banda Calypso, descobri revisando o texto, então mesmo sem saber que era uma música regravada, ela me passou a impressão da música do período. Puxa vida... 

Não entendo NADA de brega paraense, mas aos meus ouvidos seria algo entre o "pico" do gênero, que é no período metade dos anos 2000 até o estourar dos anos 2010 (ou seja uns 2005-2012), só que com um porém, um polimento melhor na sonoridade até porque Pabllo tem muito mais recursos de produção hoje em 2024 do que essas bandas da época. Também um elemento bastante interessante na forma de cantar, não tenho outras palavras a não ser mencionar que ela "canta gemendo" (por mais hilário que pareça, não tem termo técnico para isso) o que também é beeeeem comum para as bandas do período, ao que me parece, um pouco abaixo do seu tom habitual que se aproxima melhor da voz da Joelma. 

Depois vem Idiota (música inédita talvez?) um tipo de forró atual (estilo Mari Fernandez, Fabinho Testado), um piseirinho bem básico sobre sentar em ex, nada diferente do gênero. Te falar, não que o arranjo do Mataderos tenha ficado ruim, mas se fosse uma seresta ou na pegada mais arrocha mesmo, acredito que ia dar um caldo muito mais palatável (pra mim) do que essa pegada de piseiro. Vou esperar sair a versão do Unha Pintada (cantor de arrocha daqui de Sergipe) para dar uma opinião melhor. 

Agora, Pede Pra Eu Ficar que é uma versão "traduzida"(na verdade brasileira mesmo) de uma música da Roxette (essa aqui) a senhora Pabllo Vittar entregou TUDO, foi o primeiro single lançado lá pra dois meses atrás e eu fiquei sem acreditar. A primeira coisa que veio a minha mente foi "caralho ela imitou aquela bandas de forró antigo" daí ela lança um álbum com estética de forró(e brega) antigo, isso é tudo que preciso dizer.

Ao traduzir uma música de tiozinho dos anos 80 Pabllo desmontra suas credenciais e entende perfeitamente o tipo de público que quer antigir com o projeto, é uma demonstração perfeita da estética que está visando sem precisar parodiar ou fazer uma caricatura de uma banda determinada, com o aportuguesamento fica evidente que é uma pessoa que ENTENDE claramente do assunto e tem propriedade para brincar com o gênero. 

Essa música poderia ter sido lançada, sem mudar uma vírgula da letra, pela banda Noda de Caju, Baby Som, Forrozão Tropykalia ou até Calcinha Preta ou seja, é a perfeita continuação do trabalho artístico feito no perído, uma continuação, um prosseguimento do legado de um gênero tão popular em nosso nordeste, é um passo a frente, sem pretensão alguma. 

Esse é erro muito comum de representação da cultura nordestina mídias a fora, inclusive em algumas feitos por alguns nordestinos (não vou querer mencionar aquele álbum tosco da Juliette). Na verdade uma série de erros, o primeiro é a caricatura, puxar só cacto, sertão, seca e chapéu de couro, não que esses elementos não façam parte da cultura nordestina, mas eles são mais efetivos para compor um personagem do Zorra Total do que um reconhecimento do nordestino nessas figuras. O outro elemento que se peca bastante é a paródia, a quase imitação de algo que já fez sucesso por aqui e daí fica algo meio tosco, forçado e pouco convincente, que na minha opinião entra o filme Bacurau (2019) um tipo de paródia de cidade pequena, que não me pegou legal. Continua sendo um filme decente. Alias tem bilhões de cidades fictícias na mídia tipo Bacurau. 

Longe de mim julgar produções que tentem reproduzir determinado período histórico (nesse caso o forró dos anos 2000) ou culturas como um todo, aliás uma tão complexa e rica como a nordestina até porque são NOVE estados, é um trabalho díficil, onde muitos se trupicam, mas quem consegue exercer com precisão sempre se destaca e ganha reconhecimento, do mesmo vale para a série Cangaço Novo, que tem uma resenha aqui nesse blog. 

Já que mencionei a obra, ela tem as mesmas valorações que Pede Pra Eu Ficar, faz o simples que dá certo, e as vezes a simplificidade consegue abarcar todo contexto cultural necessário e toda carga precisa para entender alguns temas, é o caso da música aqui, uma simples versão brasileira que só quem nasceu no nordeste ou viveu aqui no período sabe reconhecer a beleza e os objetivos da música. Acerta em cheio e puta que pariu QUE SAUDADES de músicas gringas traduzidas, melhores do que as originais, diga-se de passagem. 

Todo o exposto sobre o nordeste que apresentei aqui, se faz presente no brega que a Pabllo Vittar trouxe no álbum, mas estes tenho pouquíssimo repertório para falar, pois não entendo nada da cena mesmo assim a apresentação é agradável e conssoante com o resto do álbum não havendo uma divisão clara entre "momento brega" e "momento forró", ambos sempre se relacionaram bastante, havendo pontos de intercessão entre eles, esse álbum é um deles. 

Rubi que é originalmente da Banda Djavú. E cara, alguém desavisado pode achar que a música é original tá? Muito bem encaixada e muito bem regravada em comparação a original, não deve em nada o arranjo tecnobrega feito. Aliás só pesquisando hoje eu descobri que a Djavú é uma banda baiana, fica a informação.

Também na sequência termos São Amores que é originalmente do Forró Miúdo e que arranjo gostinho, a voz da Pabllo em seu belo tom habitual se encaixa muito bem no tema, uma boa escolha pro repertório. 

Achando pouco, a bonita decide regravar uns dos MAIORES HINOS da nossa música nacional, Me Usa, apenas. Cara, essa música me extraiu emoções que... Nossa, é algo inesperado; fantástico, pra não falar dizer magnífico e fazer trocadilho com a música. Bem, a versão da Pabllo não deve em nada em relação com a música original e é tão boa quanto, dá pra notar naturalidade de quem cresceu ouvindo esse tipo de música e hoje tem oportunidade de regravar. 

Vem uma regravação de uma música da Gaby Amarantos (uma música do Roxette de novo) junto com a própria Gaby, ok.

Só tenho a dizer que Pabllo Vittar gravou junto com Taty Girl, pra quem não conhece é uma verdadeira lenda viva do Forró eletronico/romantico chame como quiser, uns dos maiores nomes e cantou inúmeros sucessos, seja em carreira solo seja no Solteirões do Forró ou Forró Real, sou fã pra caralho, não esperava ouvir as duas juntas. Sem palavras totalmente me pegou com as calças arriadas. 

Nos finalmentes termos, nas Ondas do Rádio da Banda Companhia do Calypso que é a única música com o ritmo levemente diferente da original, mais 'piseirada'. Depois com Ai Ai Ai Mega Princípe da Banda Batidão que tem uma pegada muito diferente, se destoa bastante do resto da estilística do álbum.  Realmente é uma pegada muito diferente e pra fechar o caixão, Não Desligue o Telefone da Banda Djavu que tem uma pegada um pouco mais techno do que brega, mas é um mero detalhe, não me agradou bastante. 

Caixão e vela preta, está acabado Batidão Tropical Volume 2 

Resumidamente o álbum é uma coletânia de raízes da maranhense Pabllo Vittar com uma excelente música original no meio, ou mais de uma, não se Idiota é original ou não. Arranjos bastantes respeitosos sem um clima de homenagem que o EP recente pro Luiz Melodia tem. Estando mais na real regravação do que uma efeitiva homenagem. 

Tem um clima de na real apreciação, de celebração da cultura popular, que geralmente é escanteiada por ser "música meme" e tem pouca valoração artística no público geral. Eu digo com isso porque bandas como a Banda Djavu viralizam por serem 'engraçadas' ou enfadonhas, mas não no sentido leve da coisa e sim como algo que fosse de baixa qualidade, entendem? As vezes destacam só o amadorismo os poucos recursos e com isso acabam, mesmo viralizando a obra, a diminuindo de sua importancia na cultura brasileira.  
Ou seja, o povo acaba tendo uma vergonha de si mesmo ou vezes nem leva a sério, ainda assim há muitos que sentem saudades desse tempo e nessa saudades, não uma nostalgia barata, que se apoia todo o projeto. 
A nostalgia pode levar a um sentimento reacionário bastante comum de achar que tudo antigamente era melhor, mas na verdade você não sente falta da Banda Djavú, você sente falta das condições econômicas da época, idade mais jovens, das festas e uma vida com menos responsabilidades.

Saudoso, respeitoso e música popular levado a sério, é um belo extrato da marginal mercadológica brasileira, comendo igual a mingau quente, pelas beiradas. É um passo da frente ao invés de um olhar pra trás, um sopro de alívio e certeza que a nossa cultura continua viva. A cultura do forró é um gigante gesto de indepência cultural dos grandes artista e mídia do "eixo" (RJ/SP) que PRECISA ser tão levada a sério quanto. 

Mesmo com uma carga cultura fortíssima, o álbum funciona até para quem não entende de cara as referencias, por exemplo eu não conhecia nenhuma das músicas bregas regravadas, mas ainda sim ele funciona por completo, por casar muito bem os elementos de (tecno)brega e forró, é um ode a cultura e um ode ao amor. 

Por mais que pareça estar mais próxima e uma aparente zona de conforto, ousa na escolha de algumas músicas, percorrendo caminhos menos óbvios, o que garante PERSONALIDADE ao projeto ao invés de recorrer a escolhas preguiçosas. 

Esse álbum é um belíssimo convite ao norte do país para quem desconhece e um excelente passo adiante da nossa riquíssima cultura. Uma veradeira maniçoba, com gosto forte, convicta em si mesma e sem a menor preocupação de desagradar quem ache a aparência feia.  
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Pérolas Negras - Um Tributo Á Luiz Melodia (2024)


Informações legais:
2024
Universal MUSIC
MPB
Pouco mais de 10 minutos. 

Essa vai pra quem fala que esse blog só trata de velharia. No dia 6 de fevereiro a Universal de 2024 lança esse sinlge em homenagem aos 50 anos do álbum Pérola Negra, de 1973, sem palavras para tal, é o cartão de visitas do Luiz Melodia, um compositor responsável por inúmeros e inúmeros marcos da nossa música. O album conta com Sandra de Sá, Liniker, Zezé Mota, Analis Assumpção, Mahmundi e Mart'nália.

São cinco músicas selecionadas, será que ficou bão?

Pérola Negra - Criolo, 
Bastante fiel a versão original (a versão original é da Gal Costa (71) na verdade, original quis dizer do Melodia de 73), tem um ar de amadorismo no bom sentido, de parecer aqueles covers relaxante do youtube, uma sensação bastante confortável, música que o violonista (Webster Santos) e o Criolo gravaram em uma sentada, na paz e é um clima agradável para um álbum de tributo. Realmente é uma forma de "atualização" a versão de 1973 para 2024, porque mesmo em época e sonoridade diferentes, tem a exatamente mesma sensação. O que ajuda é o Criolo ter um timbre bastante parecido com o Luiz Melodia. Ainda assim, pessoalmente prefiro a versão da Gal Costa com a boca maior que a Bahia gritando "PEROLA NEGRA NEEEEEEEEEEEEEEEM SEI SE TE AMOOOOOOOO". De qualquer forma, uma excelente interpretação do Criolo, Webster e o clarinete tocado pelo Ivan Sacerdote. 


É uma música que eu sei tocar no violão, falo com propriedade que o Webster Santos detonou aqui. 
Fica de fun fact que essa música foi escrita para uma travesti, explico melhor numa resenha do Fa-Tal ou do próprio Pérola Negra algum dia. 

Estácio, eu e você - Mart'nália,
É uma das minhas músicas favoritas do Luiz Melodia, joguei grandes expectativa nessa. Ninguém melhor do que a Mart'nália para cantar, a versão soa muito mais limpa, mais 'bossa novística', com mais uma vez o Webster Santos roubando a cena, arriscaria dizer que o violonista desse álbum é a melhor coisa dele vou até parar de mencionar do coitado. No lugar da famosa flauta de Estácio, Eu e Você tem um sintentizador que de dá um ar da graça. Mais uma vez aquele elemento de 'atualizar' a música.

Estácio Holly Estácio - Mahmundi,
Arriscaria dizer, que na voz do Melodia, é a sua canção mais conhecida, ninguém menos capacitada para assumir essa bronca do que Mahmundi, que também é produtora do single. Entrega tudo, está a caratér. Cumpre bem a função, o violão é mais forte aqui, a percusão só da ritmo mesmo. Dá pra dizer que é a principal música do single porque é a música mais Melodia possível, da forma mais melodiosa possível. Mas nada de extraórdinário.
Não conhecia a Mahmundi, me interessou, vou ouvir mais dela daqui pra frente. 

Pra Aquietar - Sandra de Sá,
A música começa com uma cuíca gostosa, quebrando esse tom de música de barzinho que o álbum estava tendo, Sandra de Sá se divertiu cantando essa e até puxou Juventude Transviada no final, é uma música mais distoante das demais e ninguém melhor do que Sandra de Sá para fazer isso. A versão original é um suíngue fervoroso, devidamente equiparado com a do single analisado agora. Achei inteligente puxar para samba, ao invés de mais rock, como a de 73, iria quebrar muito a pegada do álbum, então mesmo sem respeitar o disco original, o single sabe como trazer seus elementos. 

Magrelinha - Zezé Motta, Anelis Assumpção,
Eu estava sentido falta do piano, que não tinha sido exatamente um problema nas outras músicas, ele chega em Magrelinha, mas meh. Achei paia, as interpretações entregam algo muito menos dramático que a música demanda, não que seja ruim, mas não curti. E NÃO TEM A FAMOSA GUITARRINHA NO COMEÇO, só pontuando isso.

Vale Quanto Pesa - Liniker, 
Eu não tenho palavras para descrever a Liniker, ver ela cantando Melodia é algo fodástico, disparado com um pé nas costas a melhor canção do álbum, ponto, ESCUTEM, sério. Vale Quanto Pesa também é uma das minhas favoritas do Melodia, e do álbum Perola Negra logicamente, como fã pessoal da música em específico, a interpretação está superando até as minhas próprias expectativas. Liniker + Luiz Melodia não tinha como dar errado, tudo isso que tenho a dizer.

Num geral:
 é um single muito respeitoso com a obra original, decisões conservadoras de produção (por exemplo o Lulu Santos lançou uma música com o Papatinho e João Gomes ano passado, sim o Lulu Santos tem oficialmente um piseiro) o que garante o seu relativo sucesso em "tributar" o Luiz Melodia, apostando pouco, se acerta mais. Uma das grandes surpresas que você pode tomar é ouvir Liniker, que é a minha favorita nesse single. Outro ponto magistral é Webster Santos colocando todas as músicas embaixo do braço, se fosse só instrumental de violão, valeria muito a pena. O single é conciente de suas próprias qualidades, sabendo explorar muito bem o de melhor que pode oferecer. 
Vale a ouvida, recomendo para os apaixonados MPB

Informações chatíssimas:

Vocalistas: Anelis Assumpção, Zezé Motta, Sandrá de Sá, Mahmundi, Mart'nália, Criolo e Liniker

Violão: Webster Santos

Clarinete: Ivan Sacerdote.

Produtor, Co-produtor e Synth  Pads: Josefe,  Mahmundi

Arranjo: Josefe

Piano: Samuel Silva (Sam Jazzy)

Compositor: Luiz Melodia

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Zito Righi e seu conjunto - Alucinolândia (1969)



Informações alucinadas 

1969
12 músicas, 30 minutos
Samba rock, Jazz, MPB wannabe, tem seu valor psicodelico 
Hot


Porra lá vem esse blog com disco de hiponga, sim, vamos lá:

Me escutem dessa vez, samba-rock psicodélico, vale a pena escutar. É um saladão de samba-rock com jazz, além de, claro, ter muito tempero de psicodelia e ser uma éspice de rito de passagem entre a música dos anos 60 e dos anos 70. Nesse álbum termos muitos elementos identificáveis de várias épocas, vamos nessa resenha decantar uma a uma.
Antes de mais nada, quem é Zito Righi? Não faço a menor ideia, toda biografia que achei não passava de um paragráfo, mas é um saxfonista tenor, líder de orquestra (dá as rédeas nesse disco), e tem nome de batimo Isidorio Righi, segundo seu próprio filho:

Achei essa informação comentada no blog "Esses Incríveis Músicos e Seus Maravilhosos Instrumentos" que Deus ou algo maior abençõe todos esses blogs obscuros de música, incluindo este que vós fala. 
Álbuns psicodélicos eram moda na segunda metade dos anos 60, até o Ronnie Von tem um (ainda vou fazer resenha), a estética do movimento hippie foi rápidamente, por ironia do destino, absorvida pela cultura, então meio que a contra cultura virou cultura de fato, isso aconteceu tanto em aspectos gráficos (como as fontes) e estilísticos, como a utilização de órgão agudo nas músicas e as guitarras elétricas que tanto pelejaram de entrar em nosso país. No Brasil, termos todo o tropicalismo que também impactou, a julgar a estética desse blog. 
Sobre o samba-rock é díficil dar uma definição precisa, mas eu gosto de definir como o "ritmo brasileiro que foi enxotado do mercado pela galera do disco" basicamente é a turma do suíngue, da batida, do boogie woogie antes dos ritmos estadunidenses se popularizar no Brasil, como a música de discoteca, funk e soul, tem como principal preominente o Trio Mocotó, algumas pessoas colocam o Jorge Ben Jor no balalaio, mas eu particulamente discordo. No mas, esse álbum é um ótimo exemplar para enteder o fenômeno do samba-rock, e vamos começar por sua capa.

A capa é terrível, eu diria até sem utilizar de palavras duras que é um pouco feia, tenta representar uma alucinação, mas tem cara de "badtrip" como a galera da droga fala, os olhos esbugalhados, gentilmente segurado por mãos queimadas, ou com aparência de cremação mesmo em um esquema de cores bem harmônico pra ser considerado psicodélico, como se conceita, acho que "arco iríco"? Tem as cores do arco íris, a capa me trasmite uma tensão, duvido que tenha sido a intenção dos artistas... Apesar de considerar ela feia, coitada, foi que me chamou atenção assim que a vi, foi amor a primeira vista, tem carinha de psicodélico eu fico daquele jeito, amor a primeira vista.

Assim que você desce o play tem uma introdução bastante cordial dizendo "a vida não vai tão mal, agora vejam que legal. Zito Righi e sua banda vindo de Alucionlânia para nos levarmos em um voo 'alucionológibom' nas delícias do seu som" e aí começa bem em um samba rock, pela presença do piano, uma matraca, apitos e a formação rítimica das palavras, a divisão dos versos, o pegada mastigadinha que o samba rock como característica, uma coisa interessante que rodeia toda obra é a voz da vocalista do conjunto, aquele vozeirão dos cantoras de rádio que foram extintas nos anos 60, um álbum "contra cultural" é interesse a combinação, a forma de cantar meio declamatória me lembra Gilberto Gil em Parque Industrial no famossíssimo álbum lá de 68, cansativamente mencionado nesse blog, também o mesmo em Marginália II no Frevo Rasgado.

A música seguinte é uma de protesto, meio pacifista das ideias não tanto apelativa politicamente, não tem um clima "governo filho da puta" (o que era plenamente razoável)  e mais "parem de brigar por favor, somos todos irmãos em cristo", o que não faz dela uma música de protesto, na verdade, mas uma de desabafo? A música de protesto só tem esse nome na época específica que foi produzida, então formalmente, é uma música de protesto, por mais que seu contéudo não seja revoltoso. Ela representa já a tensão que foram os anos de chumbo, tem algo ali no meio, mas não dá pra falar o que é direito, é o famoso "O que será que me dá, que me bole por dentro, será me dá" que o Chico Buarque escreve, engraçado essas músicas não mais de protesto como era no comecinho da MPB, mas a sensação de cansaço que já aparece aqui, em 69.

As músicas em inglês são jazzes, um tenor belíssimo, um hard bop clássico que não deixa fica muito pra trás dos clássicos saxofonistas tenores, com o Coltrane, Cannoball Adderley, Albert Ayler e essa turma boa do hard bop foi uma continuação do bebop lá pro finalzinho dos anos 50, especificamente em 1959, quando saíram 4 grandes álbuns de jazz que mudariam a histórica música, assim como a Bossa Nova surgiu nesse período o estilo é uma resposta a música antiga de jazz, trazendo essa carinha mais conhecida que termos hoje do gênero. Sabe esse jazz "sujo", noturno, pegada Taxi Driver do Scorsese? Hard bop. E sinceramente, se Once in a While tivesse no meio de um álbum do Miles Davis com essa execução do Righi, ninguém sequer notaria a diferença, um ótimo exemplar de jazz aqui.

Logo após, em Birimbau, a pegada vai um pouco mais pra MPB em geral, como era costumeiro a época, com o pézinho no tropicalismo, mas nada de tropicalista, afinal, a altura desse campeonato, o tropicalismo já tinha morrido, expliquei melhor aqui.

Também tem algumas faixas que são na pegada mais "Jovem Guarda" aqui, isso se dá pelo dedo do Roberval que era do show business dessa galera do iê-iê-iê, como Bye Bye, Adeus Amor e Sou Feliz Aqui, que tá entre a jovem guarda e o samba rock, mas nada que seja calça boca de sino demais.

Outro ponto de se ressaltar é de quão bom são as músicas de jazz aqui, onde há jazz há os irmãos Gershwin, nesse álbum é Love is Here to Stay, porém num ritmo desjazzustado, com a carinha mais brasileira, combinação polêmica, eu prefiro a versão da Ella Fitzgerald, porém comparar com ela é uma tremenda sacanagem, não é mesmo?
Por mim, o álbum acaba rápido com Hert, outra música gringa, e saí com aquela sensação de "mas já??", pois é tem um cumprimento ideal de um álbum, 12 músicas em 30 minutos, sucinto, sóbrio, bem apresentado. Me parece mais uma escolha editorial do que escolha própria dos artistas, todavia entrega muito bem um elemento da música psicodélica, a mistura, tem vários elementos aqui e todos estão bem coesos, uma verdadeira salada. Eu colocaria um pouco mais de jazz

Recomendo, principalmente as músicas de jazz e samba rock (metade do trabalho) 

Quebrou totalmente minhas expectativas, não esperava ouvir samba rock em um álbum com essa capa,
parece música psicodélica feita por gente que nunca usou psicotrópicos ou é bissexual. 

Informações chatas:
01.  Poema Rítmico do Malandro (Sônia Santos)
02. Somos Todos Irmãos (Roberval)
03. Once in a While (Green, Edwuares)
04.  Birimbau (Roberval)
05.  Primeira Conjugação (Wagner Santos)
06.  Bye Bye (Carlos Imperial)
07.  Love is here to Stay (George Gershwin & Ira Gershwin)
08.  Isn't a Dream (Zito Righi & Sônia Santos)
09.  Sou Feliz Aqui (Ruy P. Pereira)
10. 1 Adeus Amor (Roberval)
11.  Alvorada (Luís Freire & Maurício Einhorn)
12.  Hert (Richard Adler & Jerry Ross)
Pistons: Ubiratan e Barcelos, 
Trombone: Othon, 
Sax-Barítono: Renato, 
Órgão: Alberto, 
Contrabaixo: Paulinho, 
Bateria: Fernando, 
Ritmista: Nilo, 
Guitarra: Jorginho, 
Crooners: Verinha, Sônia Santos e Carlinhos, 
Saxofone: Zito Righi.

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Edy Star - Sweet Edy (1974)

Informações legais:

31 de agosto de 1974
12 músicas, 33 minutos
Rock, MPB, Glam Rock, música guei (piada)
℗ 1974 Som Livre

Nossa, quanto tempo que não trago um álbum pra vocês.

Eu recomendo fortemente a leitura prévia da história do Edy Star, o primeiro artista a se declarar assumidamente homossexual nesse país, terra adorada, lá conhecemos o artista, agora teremos acesso a obra. Leia a postagem aqui.

Nos início dos anos 70 a sensação era que a MPB tinha "morrido", ditadura militar, grande parte dos artistas responsáveis pelo frenesi dos anos 60 estavam em exílio, ou só trocaram de país (como a turma da Bossa Nova), tirando aqueles que estavam sendo continuamente presos, censura correndo solta e ainda o fim abrupto dos festivais de música popular brasileira, que revelou grandes, mas enormes artista para o Brasil. Uma injustiça das grandes com os novos compositores/artista que ainda estavam por vir, essa sensação de "estagnação" da música Brasileira acabou dificuldando o início de carreira de novos artistas, nesse "limbo" da indústria fonográfica fez que alguns ficassem esquecidos no tempo, todavia, teve o saldo positivo de testarem mais gente, oferecer mais oportunidades, numa dessas que Elis Regina fez carreira do Tim Maia (cantando junto a ela These Are The Songs), Ivan Lins (Madalena) e o Belchior, o que falar o quão importante Elis foi importante para o Belchior. Tomando só a Elis Regina de exemplo, assim aconteceu com outras gravadoras.

Esse disco foi um convite da Som Livre para o Edy Star, que tinha acabado de sair da CBS depois de gravar Sessão das 10, o álbum foi totalmente entregue nas mãos dele, a parte criativa e artística, incluindo a foto da capa. Nas palavras do mesmo: "Acho um disco muito simpático. É a minha cara. Transgressor, debochado, escroto… Sou eu. Eu continuo sendo Sweet. Continuo sendo terrível (risos)." (entrevista cedida ao site disconversa). 

A capa nos entrega ele mesmo, em uma cadeira antiga, meio relaxado de olhar misterioso, estola de plumas em volta ao pescoço, body rendado, salto alto (a lá Frank N Furter), também exprime uma certa androginia, não se "vestindo como mulher" mas claramente fora dos padrões masculinos da época (infelizmente os homens não se vestiam assim) muito glitter e letras enormes e setentistas, entregando a estética de cabarés*, local onde firmou sua fama.

*eu sei que no nordeste cabaré tem sentido de puteiro, mas não é só isso, são os cabarets uma espécie de balada, casa de festa, as vezes ligado a prostituição, as vezes não. Tem toda aquela estética noturna, boêmia, muito própria da cultura QUEER também, já que é comum (ou era não sei se existe ainda) a apresentação de drag queens nesses locais. Aliás toda estética clássica das drags, estão ligadas ao cabaré

Só que vem uma coisa interessante, o uso do preto e cores escuras no geral, o juazerense opta por esse tom mais dark, o que confere a pegada rock do disco. Ou seja, esse álbum é puro Edy Star, cabaré e rock'n'roll, é o que a capa nos entrega. E quando apertamos o play?

Chegamos com a boa voz do Edy Star, tem um timbre muito bonito, com uma baianidade no sotaque, a música é Claustrofobia da dupla Erasmo e Roberto Carlos, numa pegadinha bem rock, naquela guitarrinha mascadinha que a tropicália trouxe, um baixo estalando, e assim segue nesse estilo na maioria das músicas. Apesar de ser gravado em estúdio, tem um cheirinho de gravação ao vivo, como por exemplo gritos meio avulsos, improvisações e a qualidade do som, a voz é o instrumento principal, nenhum instrumento se sobressai, a performance mora na voz, que não é um puta vozeirão, mas se ganha e conquista pela movimento, boa utilização e amplitude, movimento. 

Todos os elementos que citei ficam mais claros na próxima música, Edith Cooper, composição de Gil feita exclusivamente para esse álbum, dedicado ao próprio Edy, amigos de juventude. Partindo de um doce bárbaro para outro, Caetano Veloso saudando alguns nomes da MPB, Novos Baianos, Jorge Ben e Jorge Mautner, uma música que eu consigo escutar o Caetano Cantando, é o meu tipo de composição dele favorita, que não tem tanto sentido figurativo, partindo para abstrações (ex: Eu Sou Neguinha e Dar Maior Importância).

Partimos para o rock pesado, em uma batida mais forte contando os sonhos de uma jovem estrela que sonha em ser artista, em voz mais rasgada, mais livre, narra em refrão "superestrela eu vou ser!" (muito cara de música de novela da Globo), que toma tons meio tristes, já que a carreira do Edy, infelizmente, não decolou. Os sonhos também conta com as noções de sucesso capitalismo, tal qual aquele episódio de Pica Pau:


Exceto pela parte das mulheres, claro

Num rol de grandes compositores, não poderiam faltar Lupenicío Rodrigues, com Esses Moços, Edy Star mostra sua versatilidade e apresenta uma música típica de cabaré, samba-canção, essa melancolia, conselhos de um velho detonado por uma decepção amorosa muito forte, que não acredita mais no amor. Essa música também contribui para a mistura de gêneros (ficou boa essa frase não é?), Glam Rock, com samba-canção e o mambo de Olhos de Raposa que opta por uma pegada de mambo cubano, apesar de falar "ARRIBA!!" no meio do som, apesar que, o que raposas tem a ver com cuba? Assim como Lupenicio Rodrigues não tem nada a ver com Jorge Mautner, enfim, viva a bagunça do brasileiro.

Por falar em bagunça, nada melhor do que mencionar os Novos Baianos, Edy Star respeita bastante os compositores em suas interpretações, no sentido de não desconfigurar o estilo de cada um deles, e ainda conseguindo impor seu próprio estilo, e que estilo, todo cabareístico. A maioria das músicas são gravações originais, porém, assim como na canção do Caetano, é perceptível o estilo do Morais Moreira aqui, mais uma vez, o sotaque baiano deve ajudar nessa impressão minha. Essa música ferve os novos baianos, pelo refrão repetitivo "Se meu sangue é A se meu sangue é O", a letra divertida. Emanence a essência de cada um dos compositores, até em Lupenício Rodrigues, mesmo sendo uma música gravada inúmeras vezes.

Para fechar com chave de ouro, a parte provocadora, Bem Entendido começa com um blues fortíssimo, um cantar debochado, uma música que não faço ideia como passou pela ditadura militar, mas palavras do mesmo "Mas no meu ambiente, por baixo, na “segunda categoria”, éramos mais quietinhos. Estávamos mais a fim de transar do que de mandar mensagem." por estar na segunda prateleira da MPB, passou por baixo dos olhos do regime, que na verdade nunca foi reconhecido pela excelência. A música é uma evidente refêrencia a homossexualidade, mas não uma homossexualidade evidente 

"Para um bom entendido meia cantada basta" e continua com "De só andar encalhado, encolhido, encubado, escondido, enrolado", citando um quase relacionamento talvez, talvez um amor que não se concretizou, em um grande tom de deboche, pra mim, a melhor música de todo álbum.

Em um apanho geral, é um álbum que tenta de tudo e um pouco, excelente peça para entender a figura do Edy Star em sua pura essência, apesar de estar presente aqui como um monolito (o álbum não possui feats, comum em cantores menos conhecidos) ainda consegue expremer a essência de seus respectivos compositores, o álbum é de estúdio, mas possui uma experiência de um ao vivo, pela presença, alma e vontade com a qual o juazerense Edy Star tem a nos oferecer, é uma excelente obra, que infelizmente foi esquecida pelo tempo.

Antes do David Bowie comprar seu primeiro kit da Avon, antes do Glam rock se consolidar como um todo, Edy estava lá primeiro! Nesse álbum que vale mais do que a pena.

Informações chatas:
A1 Claustrofobia 2:50
Composição – Erasmo Carlos e Roberto Carlos

A2 Edith Cooper 3:17
Composição  – Gilberto Gil

A3 Conteúdo 4:32
Composição – Caetano Veloso

A4 Superestrela 2:20
Composição – Leno
Composição [sem créditos] – Raul Seixas

A5 Esses Moços 3:25
Composição – Lupicínio Rodrigues

A6 Boogie-Woogie Do Rato 1:20
Composição – Augusto Duarte Ribeiro

B1 Sweet Edy 2:47
Composição – Piau, Sergio Natureza

B2 Briguei Com Ela 2:43
Composição – Edy Star

B3 Olhos de Raposa 2:42
Composição – Jorge Mautner

B4 Coração Embalsamado 2:37
Composição – Getúlio Côrtes

B5 Pro Que Der Na Telha 3:23
Composição – Luis Galvão e Moraes Moreira

B6 Bem Entendido 2:46
Composição – Piau, Sergio Natureza

B7 Eu Sou Edy Star 0:38
Composição – Edy Star

Capa – Edy Star

Engenheiro de mixagem – Orlando Costa

Engenheiro de gravação – Deraldo, Emiliano, Luis Carlos, Norival

Produtor executivo – João Araujo

Fotografia da capa – Antonio Guerreiro

Produtor, arranjos – Guto Graça Mello



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Jorge Ben Jor - Homo Sapiens (1995)

 

Informações legais: 
1 de Janeiro de 1995
10 Músicas, 47 minutos
MPB, Discoteca (?), Pop anos 90, funk à gosto
℗ 1995 SONY MUSIC ENTERTAINMENT (BRASIL) I.C.L.

Jorge Ben Jor é uma figura uníssona na música popular brasileira, este homem é praticamente um gênero musical próprio em vida, na verdade, isso não é tão difícil de acontecer. Um artista único não é, necessariamente bom, ou inspirador, ou etc, mas no caso de Jorge é mais do que inspirador, é a história viva 'suingando' pela nossa música. Assim chegamos nesse álbum, o primeiro álbum do Jorge Ben Jor junto a SONY e seu vigésimo nono álbum na carreira aos 56 anos, não é mais um menino, nem um novato, chega já consolidado e conhecido pelo o seu estilo marcante e amplamente acariciado e adorado por a gente (referenciando Amante Amado aqui).

Anos 90, muitos artistas deram uma repaginada no seu estilo, devido a "chegada" de novos instrumentos e novas formas de se fazer música, na verdade elementos da música não mainstream chegaram nas mãos das grandes produtoras, tal qual a popularização dos DJ. Todo fenômeno do rap que deixou fazer música "mais fácil" (ou com mais instrumentos para se brincar), nos anos 90 também termos a consolidação do eurodance e do house, ambos ritmos vindo dos anos 80 que tiveram a sua maturação completa na década seguinte, isso vale pro rap também de uma forma ou outra. Só a título de exemplo cito Lulu Santos, que se desgarrou da imagem de boyzinho rockstar para se consagrar uma grande figura pop, lançando aqueles álbuns maravilhosos dos anos 90, como Assim Caminha a Humanidade e Eu e Memê, Memê e Eu, também lançado pela SONY inclusive. Sou muito fã do Lulu, essa fase noventista é muito boa... Citando outro artista, dessa vez internacional termos o Prince, que também se descolou daquela imagem de jovem, chegando até a trocar de nome, por questões e mais questões.

Então ao chegar em Homo Sapiens, esqueça tudo que conhece sobre Jorge Ben e entenda o contexto de artistas experimentando coisas novas (falando assim até parece droga), em ritmos novos e uma forma nova de fazer música, efeito da grande indústria fonográfica descobrindo elementos que surgiram vinte anos antes (DJ's, sintetizadores, discoteca, samples e outros elementos), mais anos 90 do que isso, só a Tiazinha dançando seminua em plena TV aberta. 
Quem é saudosista desse tempo é canalha ou desinformado

Só a título de curiosidade, esse álbum foi produzido pelo Pena Schmidt, que também produziu os principais álbuns do Ultraje a Rigor e alguns do Titãs, como Cabeça de Dinossauro. 

Aí quanto lero lero cheguei até na Tiazinha. Vamos ao álbum, começando pela sua capa.
Ternos uma coloração vibrantes contendo apenas duas cores, azul claro e uma cor que chamo de 'roso' que é uma mistura entre roxo e rosa, que não fica claro se é nem um nem outro, somado ao Jorge Ben Jor, num sorriso safadinho e seus famosos óculos que viraram marca registrada em algum momento de sua carreira, talvez nos anos 90 mesmo. No reflexo o seu nome e seu álbum numa fonte sem serifa bastante grossa que me lembra a STENCIL (do word mesmo), essa capa me dá uma vibe de rave/balada da época, como se o Jorge Ben tivesse numa, tem esse ar noturno, esse ar de festa, mais ou menos condizente com o que o álbum trás. Sendo bem específico, talvez esteja até errado, olhando pra capa eu lembro da cena inicial do filme Blade (1998), onde a nós é apresentado o personagem, apesar de ser tons diferentes, me trás uma verossimilhança.

Créditos: Long Line - Facebook

Agora tenha a imagem mental do Jorge Ben Jor caçando uns vampiros na noite, é isso. Gosto da capa, é bem bonita. Fico feliz por quem comprou a versão física do álbum, talvez tenha atraído uma galera pela capa, julgando o livro pela capa, termos um bom projeto aqui.

Então você aperta o famosinho botãozinho do play as primeiras notas é uma batida muito forte, eu acho que é um snare (não manjo muito de percussão) junto ao um som mais agudo de sinos, algo que remete a natalino, natal, Jesus, ANJOS, e aqui estamos na música Ave Anjos Angeli, que é só o Jorge Ben lançando um flow brabo com um monte de nonsense característico dele. Muito de suas músicas são meio que codificadas, como W Brasil, Cosa Nostra, Galileu... Da Galiléia e o álbum inteiro da Tábua de Esmeralda né, algumas ninguém se importa muito em decifrar, é o caso dessa e tem outras nesse estilo no álbum também. Eu falei flow que é geralmente associado ao rap, porque ele canta um pouco diferente aqui, por estar tocando um tipo de música com pegada mais no funk (dos anos 70), então em alguns momentos seus versos parecem com a forma que o Gerson King Combo cantava, algo interesse que consegui pontuar.

Em relação a letra, ainda é um álbum do Jorge Ben Jor, então tem alguns fatores comuns a suas oturas obras. Suas letras geralmente são um nonsense, um fato histórico muito aleatório, esoterismos religiosos/leis herméticas/alquimia/magia mesmo, mulheres/estar apaixonado ou futebol. Eu dividi as 10 faixas desse álbum em grupo e vou continuar essa análise em grupo, já que as temáticas são parecidas. Até fiz um infográfico no BrModelo para ilustrar (quem trabalha com modelagem de dados não fique com raiva de mim) Em vermelho as músicas sobre mulher/amor, azul nonsense e verde fato histórico específico.

Vou começar do vermelho, assim que termina Ave Anjos Angeli, termos a bem humorada música Gostosa, que narra, com detalhes, um relacionamento a distância, que na época ainda era por telefone. Essa é a melhor música do álbum, foi a que virou "hit" e ganhou até um vídeo clipe que é hilário de assistir, tá aí outra coisa bem Jorge Ben, bom humor, o que não diminui o seu trabalho, é apenas um toque de comédia que deixa o clima mais leve. Os analistas de cultura dão muito pouco valor as obras engraçadinhas, parece que rir de algo tira a sua qualidade, algo que não faz o menor sentido, muito pelo contrário, por que eu gostaria de uma obra que me faz chorar? Bem, Gostosa tem um ritmo bem gostoso se me permitem outro uso da palavra, uma letra bem chiclete que vai morar na sua cabeça por alguns dias, impossível não ouvir sem cantar junto.

Outro musicão desse álbum, essa é a minha favorita junto a Café e Rabo Preso é Gertrudes Bon Hausen, essa tem uma diferenciação técnica, pelo menos nos meus ouvidos, o ritmo dela é em 6/4 no lugar do convencional 4/4, de novo com o famoso instrumento de percussão torando aqui, e com é bom ouvir ele, apesar que assim, nas músicas do Jorge Ben o instrumento que mais se destaca é a sua guitarra, nesse álbum ficou faltando um riff, um ritmo, uma batida de violão que fosse marcante, mas aquela coisa, os terríveis anos 90. Ainda falando de Gertrudes Bon Hausen o ritmo não é lento, mas a pegada é, aquela coisa arrastada, melosa do bardo (Jorge Ben) abrindo seu coração, a letra é a tão boa que talvez te faça passar vergonha tentando imitar os sons agudos que a sua voz chega.


Não se assuste, estou trazendo a capa do Salve Simpatia (1979) que tem Ive Brussel para falar das mulheres belgas, lembrando de uns dos seus maiores hits, Ive Brussel é sobre uma mulher belga que ficou com ele durante uma turnê em Bruxelas. Ele deve ter alguma relacionado (fantasia talvez) a isso porque em Musas de Bruxelas ele fala de mulheres belgas em genérico e em grupo como "elas querem me ver feliz, elas querem em ver brilhar" com a mesma batida de Gertrudes Bon Haussen, só que com um pianinho/harpa/algo de corda meio bêbado no meio do som, balançando entre a música.

Indo de um polo Benjístico a outro, no campo do nonsense/esoterismos. As vezes o Jorge Ben Jor é partidário a aquela famosa frase do Michael Scott (The Office), algo por volta da melhor temporada da série, também conhecida como quinta temporada.

Fonte: Torre de vigilância

Fazer músicas "sem sentido" é relativamente um artifício comum no mundo das composições, eu vejo como uma forma de quebrar um bloqueio criativo, as vezes fica só algo muito pseudo intelectual e chato, as vezes funciona, no caso do Jorge Ben, funciona MUITO, Rabo Preso é só uma música com pegada de funk 'recitando' ditados populares, com algumas frases aleatórias no meio, é uma boa música, rendeu clipe e talvez seja a segunda mais conhecida do álbum. Em termos rítmicos, é um funk bem clássico, tipo Ohio Players (com direito a metais), que pelo menos a guitarra aparece e se faz mais presente, ainda não é/não parece ser o Jorge Ben tocando, que nesse álbum é só cantor mesmo, ao que parece.
Quando eu digo frases aleatórias peço que me levem ao pé da letra, uma que estou pensando até agora é "Aquele pizzaria recebeu uma encomenda de 300 pizzas" ou o próprio refrão que é "olha o rabo, olha o rabão". Além de um momento aleatório que ele chama uma loirassa de gata, muito hornyposting e pouca música Seu Ben Jor!

I Love Little Black Joe's Band, essa música tem uma batida bem interessante, que deve ser sample de alguma coisa, é um pisadinho de maracatu, que deve ser influência do grupo Nação Zumbi que lançou da Lama aos Caos um ano antes. O ritmo tem uma encorpada melhor, já o Jorge Ben Jor achei meio preguiçoso nessa letra, a melodia é bem genérica, não atoa, eu tive que reescutar a música pra lembrar dela. O mesmo vale para Ubirani Ubiraci, eu parei 47 minutos do dia EXCLUSIVAMENTE para ouvir o álbum, e não lembro dessa música. Sem problemas em relação a isso, nem toda obra precisa ser marcante ou mudar a sua vida. Inclusive acredito que você não irá lembrar dessa postagem até o final do seu dia.

Deixei a minha favorita nessa ouvida por último, já adianto que a minha favorita é Gertrudes Bon Hausen, mas a canção Café que não a conhecia até escutar o álbum inteiro. Então eu tenho a minha favorita, mas por descobri Café, essa foi a minha favorita da experiência. Mais uma vez termos uma guitarrinha funk e o clássico snare pesadão ao fundo, dessa vez o funk tá mais pra James Brown, mas sem acentuação na terceira. Jorge Ben Jor canta "meu amor, meu amor me faz um cafezinho" com tanta paixão que desafia qualquer estômago vítima de gastrite a tomar uma caneca do "preto que virou ouro nas terras do Salgueiro". A letra é como fosse uma apresentação escolar sobre café, só que com alunos sem vergonha de falar ou o professor precisar dar um esporro na turma deixando todo mundo sem graça, menos o Pedro Henrique, que vai ficar fazendo caretas para o outros alunos do fundão.

Eu pressinto que talvez role uma auto referência quando ele cita que a planta veio da Etiópia, a mãe dele é Etíope, então, vai que, é muito difícil procurar algum significado quando a música fala figurativamente de café, apenas. 

Em um apanhado geral, eu tenho a impressão que Jorge Ben Jor só tinha escrito umas três ou quatro no máximo, daí a SONY resolveu dilatar essas 4 composições em 10, em 47 minutos. Dá pra sentir onde é dedo do artista onde é dedo da produtora, por isso, em um apanho geral, o álbum carece de criatividade, apesar do seu conceito ser bom e funciona. Explico, tacar Jorge Ben em um estúdio e adornar com todos esses adereços dos anos 90 é uma ideia boa o conceito criado é bom, mas ele não vai muito além disso. O álbum te entrega tudo que tem a oferecer nas suas duas primeiras músicas, sendo Gostosa o carro chefe do conjunto, que rendeu um clipe hilário, recomendo que vejam AGORA.


Contudo, entretanto, todavia (como dizia meu professor nas aulas de conjunções adversativas) uma hora apresentado todo seu potencial, você tem 40 minutos restantes da mesma coisa. Algumas letras são engraçadas, alguns suingues engatam, mas não é nada muito forte. E aí termos que entender que é um cantor passado do auge, depois desse álbum de estúdio só lançou mais dois e hoje é um simpático senhorzinho de 85 anos. 

No quesito entretenimento, pode te garantir com algumas músicas, como álbum, como conceito, não embala muito. 

Homo Sapiens te ensina que nem tudo precisa ser extraordinário, ouviu, sentiu, toca a vida pra frente que tá tudo certo. 

Vira e mexe tô sempre ouvindo Gertrudes Bon Hausen.

No frigir dos ovos, melhores músicas: Gostosa, Café, Gertrudes Bon Hausen
Músicas pulavéis: Maria Luiza, Homo, Ubirani Ubiraci.

Informações chatas: 

Tracklist: 

1 Ave Anjos Angeli 4:33
2 Gostosa 4:41
3 Maria Luiza 3:55
4 Rabo Preso 4:36
5 Gertrudes Bonhausen 5:55
6 Homo 4:47
7 Musas De Bruxelas 3:45
8 Little Back Joe's Band 5:36
9 Ubirani Ubiraci 4:57
10 Café 3:49

Produzido pelo Pena Schmidt. Não achei mais informações técnicas. 

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Gal Costa - Aquarela do Brasil (1980)

Informações legais:

1 de janeiro de 1980

MPB, 'Samba de exaltação' e retrogosto de bossa nova

12 músicas, 37 minutos

℗ 1980 Universal Music Ltda

Mas PUTA merda, que saudades da Gal Costa, eu ainda não superei a sua partida, essa baiana está fazendo muita falta na minha vida.

Que o outro plano a tenha muito bem guardada

Eu nem vou falar muito sobre a Gal Costa porque é capaz de começar a chorar, Gal Costa pode ser muito bem apresentada por ela mesma. Uma das vozes mais lindas da nossa música popular, tropicalista, eterna. Nesse álbum, em mais de suas aventuras de retratação do Brasil canta Ary Barroso, e é a proposta, um mini songbook de composições do Ary Barroso.
A capa diz em letras garrafais AQUARELA DO BRASIL, parece um álbum que pelo menos envolve Ary Barroso, o álbum é a Gal Costa cantando Ary Barroso, relação de expectativa e realidade ajustada, correto? Errado. Essa peça surpreende de forma positiva, te pegando de sobre salto com sua qualidade.

Uma cantora já famosa e prestigiada cantando um compositor famoso e prestigiado, é fórmula para aqueles álbuns chatos/protocolares/não merecem sua atenção, é como Zé Ramalho canta Luiz Gonzaga (2010), por mais que goste do Zé, por mais que goste do Gonzagão não tem NADA de especial, é tipo de CD que alguém compra na americanas e dá de "presente" de "amigo" secreto. Nem tudo que parece é. esse disco pode te surpreender.


É complicado, você compra um kit de toalhas e ganha um CD da Americanas, lamentável.

A começar da capa, Ary Barroso sempre deu vibe pra mim daqueles grandes salões e grandes festas dos anos 20/30, o álbum acerta bastante nessas notas e capa deixa isso muito evidente, uma capa bem colorida, toda verdinha e amarelo, bem brilhante, bem viçosa, que remete a grandes bailes de gala e toda aquela pompa de detalhes que a época tinha. Sabe aquelas pinturas da Lempicka, art déco, aquela sutileza chamativa pelo detalhe das cores e também um grande apelo a paisagem urbana...

Les Jeunes filles, Tamara de Lempicka - 1930

O detalhe do álbum está no sutil dourado do lado direito no busto da Gal e aquela geringonça na cabeça, acho que o (eu não faço ideia do nome de maquiagem, talvez fale errado) contorno preto dos olhos deu um bom contraste com a pele brilhante, quase dourado, casando com os cabelos negros e volumosos, também o seu batom vermelhão característico, isso não poderia faltar. Enquanto as mulheres de Lempicka tinha uma certa inexpressividade, o toque de brasilidade da capa trás um sorriso honesto, não é rasgado, é um sorriso art déco, Gal Costa toma bastante espaço na capa, ela é a estrela principal, harmonizada com esse ar de Ary e uma combinação de cores que exala Brasil, um Brasil idealizado... Essa capa é um luxo só!

E assim que se dá play você é vítima de uma nota aguda de metal a queima roupa, uma bateira marcante e uma guitarrinha safadinha na miúda, assim começa a primeira faixa do álbum É Um Luxo Só, toda instrumentação abaixa os córneos para Gal Costa cantar, como Gal está bem aqui, é até chato de elogiar. Eu não sei elogiar a Gal Maria da Graça Penna Burgos Costa, é isso. Nessa música em especial vale ressaltar o belo solo de sax e a quebradinha de ritmo na parte do "cai pra lá, cai pra cá" uma maestria. A música fala das "mulatas", dos sambas, do Brasil caricato que o Ary Barroso ajudou a criar. (Em relação as mulatas, cabe uma postagem só em relação a isso, estou propositalmente ignorando a questão)

Passamos dos sambas, do requebrados para um bolero água com açúcar de Já Era Tempo, que tem o baixo como principal maestro, conduzido toda orquestração e como tá apetitoso esse baixo do Moacyr Albuquerque aqui, sabe aquele pratinho de comida que bate em todos os cantinhos do seu paladar? O baixo é um instrumento muito pouco valorizado, a música seria muito mais chata sem as suas notas graves. Todo álbum é altamente recomendado num aparelho de som potente, pra sentir cada vibração. 

Vou pular Camisa Amarela propositalmente para falar de umas das melhores interpretações que já ouvi, sem nenhum tipo de exagero, Na Baixa do Sapateiro, versão Gal Costa, 1980 é uma das melhores músicas que eu tive o prazer de ouvir nessa vida, eu estou me arrepiando só de escutar ela novamente para escrever sobre, mesmo sendo a música que vira-e-mexe estou ouvindo, nessa versão principalmente. Na Baixa do Sapateiro é uns dos vários clássicos do Ary Barroso, tem várias interpretações, mas essa se supera pela introdução que apresenta, a afinação da Gal Costa e toda instrumentação é algo que ultrapassa a perfeição e te leva para lugares além da compreensão humana. Sendo apenas capaz de deduzir alguns dos inúmeros sentimentos que a música pode te passar, aliás, essa música é um sentimento novo, uma experiência sensorial nova. 

Como eu sou feliz de poder ouvir música, como essa forma de expressão humana é abençoada por algo maior do que eu, esse tipo de música é exatamente o que me motiva a descobrir mais e mais gêneros e cantores. A música te leva para uma Bahia, idealizada, que é um tipo de retratação mais comum na época que os baianos dominavam a MPB (Novos Baianos, Caetano, Gal, Betânia, Gil, Tom Zé, Dorival Caymmi, João Gilberto etc etc etc) e me faz ter saudades de mais músicas do tipo. A saudade é um sentimento nosso, que não é uma perda, nem uma falta, é uma... Certa alegria do momento, de uma coisa que você ainda tem em mãos, é saudade! É uma peça infungível na música Brasileira, que me faz sentir algo bastante nosso.

Folhas Mortas é uma música bem 'Gal Costeana', em ritmo e letra, é o tipo de canção que fez ela ser quem é pós tropicalismo, apesar que a tropicália nunca sai do estilo de quem participou, falando em tropicalista, na canção seguinte vem a voz de Caetano, na música "Tabuleiro da Baiana" que é uma das minhas favoritas do Ary Barroso, Caetano Veloso também cantou a mesma música no álbum Brasil do João Gilberto e os outros dois restantes dos doces bárbaros, três anos antes dessa gravação. São versões bem diferentes, é engraçado compará-las, mal parece a mesma canção.

Jogada Pelo Mundo, numa pegada bossa nova, dedo do Menescal, não poderia ter pessoa melhor; partimos desse soft samba para um samba mais "classicão" em Inquietação, Menescal mandando bem em ambas as interpretações. 

E aqui abro um parágrafo para falar de Tu, mas não és sobre tu nobre leitor, é sobre a nona canção do álbum, numa pegada mais bolerada, sambinha canção, não promete muito, apesar que de longe você escuta uma guitarra fraseando meio fora da pegada de toda música, parecida estar esquentando para algo maior, apenas em uma segunda ouvida você, tu, percebe que as frases soltas de guitarra estavam amaciando a canção para um excelente solo de guitarra no preciso minuto 2:18. Esse solo invade a música e toma para si, como é um solo gostoso, uma sensualidade, uma beleza, uma experiência quase sexual eu diria, de um prazer, que eu diria que o guitarrista tava bem disposto nesse dia, esse solo é o tesão gravado em forma de som, ele capta o movimento do ímpeto, não o do gozar, mas do querer, o prazer no desejo.

Ouvindo de novo, não lembrava de ser tão curto, a sensação que ele te traz na primeira ouvida é tão boa, que parece que durou cinco minutos. Depois disso termos duas músicas para fechar o tempo mínimo de um álbum e aí vem, a grande música que dá nome ao álbum, a magnus opus do Ary Barroso, a música mais brasileira para os habitantes fora do Brasil: Aquarela do Brasil.

Muita gente acaba torcendo o nariz para Aquarela do Brasil, pelo o "tom patriótico" e por causa daquela animação da Disney, que nos remete a aproximação do Brasil com os Estados Unidos nos anos 40, daí então formos do pior ao intragável eu sei, além de citar coisas tipo "mulato" e etc, parece só mais uma canção 'racistassa' dos anos 30 que devemos jogar fora, porque é reacionária, mas não, não é bem por esse caminho. 

"Gayest musical" kkkkkkk

   

Alguns fatos sobre Aquarela do Brasil: Na sua versão original ela foi cantada ERRADA, porque contém algumas palavras difíceis, o cantor Francisco Alves canta "mulato lizoneiro" ao invés de inzoneiro, também canta "morena sestrosa de olhar indiscreto" ao invés de indiferente. A música foi relativamente criticada na época por ser difícil, contando com palavras bizarras como "merencória", eu não faço ideia do que seja, sinceramente, nem nunca fiz questão de pesquisar porque gosto de acreditar que o Ary Barroso inventou essas palavras.
Tem até quem acredite que Aquarela do Brasil foi a mando do governo Vargas, muito pelo contrário, a música quase foi censurada pela ditadura varguista por causa dos versos "terra de samba e pandeiro", esse bagulho de samba não pegava muito bem na época não, até porque "madame diz que a raça não melhora/que a vida por causa do samba"  (Haroldo Barbosa e Janet Almeida, há muito tempo atrás).
Sim, essa ideia de país 'mulato' e coisa e tal pode entrar numa lógica de democracia racial, que não poderia ser chamado de democracia racial porque esse pensamento de materializou pós governo Vargas. É bom equilibrar, vem complexo de vira-lata e "somos todos a mesma raça" (tá aí um papo que merece uma postagem só pra ela também hein)

Para-terminar, a música Aquarela do Brasil merece uma chance sua, vale uma análise mais aprofundada,  ouvi-la vai ajudar a compreender uma música que poderia ser muito bem nosso hino nacional, a versão da Gal Costa, é com folga, uma das melhores já feita, não atoa, leva o nome do álbum nas costas.

Aquarela do Brasil, 1980, Gal Costa não vai aparecer nas listas, nem é lembrado como obras-primas, apesar disso, é uma verdadeira joia rara bem escondida na vasta obra da cantora baiana, no meio de tanta coisa e clássico que a MPB tem a oferecer. A obra é convidativa, aconchegante e prazerosa, talvez não te salte aos olhos de primeira, mas passando pela segunda vez, é um amor a segunda vista. 

Melhores músicas: Tabuleiro da Baiana, Tu, Aquarela do Brasil, Na Baixa do Sapateiro.
Músicas puláveis: Faceira e Novo Amor, justamente as que não citei.
Recomendo para quem gosta de: MPB, Bossa Nova, Gal Costa (claro).    

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Lista: Gilberto Gil tem os melhores feats

 

Gilberto Gil e teu grande feat da vida

Gilberto Passos Gil Moreira é alguém que dispensa apresentações, tropicalista, ex-ministro e um autêntico monumento da MPB, essa autarquia na nossa música também tem alguns álbuns colaborativos interessantes
OBS: para fins da lista de não ficar infinita, vamos ocultar alguns álbuns ao vivo com o Caetano Veloso, porque é capaz do Caetano aparecer mais do que o Gil aqui, incluindo aquele show deles com a Ivete Sangalo 

#1 Não poderia abrir com outro álbum, Tropicália ou Panis Et Circensis (1968)


Tem muito a ser dito sobre esse disco, que eu julgo ser o maior da música popular brasileira, o melhor talvez. Não sei se deu pra perceber né, o escritor do blog é tropicalista, então... kk
Mais do que essencial, Tropicalia ou Panis et Circensis deveria ser OBRIGAÇÃO legal de todo brasileiro.
Ainda vou dedicar uma postagem só para esse álbum 
Informações legais: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé e Gal Costa, ainda contando com o maestro Rogério Duprat, e os poetas Torquato Neto e Capinam 

#2 Gil Jorge Oxum Xangô (1975) - Jorge Ben Jor e Gilberto Gil 



Esse álbum duplo é imoral, imoraaaaal, absurdo, uma verdadeira bomba atômica figurativa na música brasileira, alguém na Philips teve a ideia de fundir Gilberto Gil e Jorge Ben e saiu um espetáculo, verdadeiras feras, bichos do mato soltos na floresta sedentos por sangue, destruindo por completo o estúdio, esse ep é radioativo da tamanha qualidade e suingue que possui, ainda não tive a oportunidade de ouvir inteiro, mas está na minha lista. A gravação mais curta tem 6:01 (Morre o Burro, Fica o Homem), - exceto pela faixa de conclusão. Vocais, instrumentos, a combinação dos dois artistas mais criativos da nossa MPB num disco de uma hora e dezessete minutos. 
Também conta com a melhor versão de Taj Mahal, com quatorze minutos inteiros, a mais linda história de ouvir que até hoje já ouvi contar. 
Ambos cantores em um ápice artístico, esse álbum é um verdadeiro gozo pra quem é amante da música.

#3 Doces Bárbaros (1976) - Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Betânia e Gilberto Gil


O Brasileiro não tem dimensão, não por negligência, apenas por estar habituado com isso, que existe um álbum que conta com: Maria Betânia, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil, em um delicioso vinil em nome dos Doces Bárbaros, tem comemoração aos 10 anos de carreira individuais de cada um. Sinergia pura, ressalto aqui a versão de Esotérico desse álbum cantada em dueto pela Gal e Betânia, sublime, a melhor já registrada. 
Doces Bárbaros reunidos é algo de dimensão que a gringaiada jamais conseguirá repetir 



#4 Refestança (1977) - Rita Lee e Gilberto Gil



Mais um show ao vivo gravado e mais um reencontro entre tropicalistas uma energia pura que a tropicália pode oferecer, o disco apresenta umas regravações interessantes como a de Odara, uma música que me agrada bastante 

#5 Antologia Samba Choro (1978) - Germano Martins e Gilberto Gil 

Eu não faço ideia do que seja isso, mas existe. 

#6 Brasil (1981) - João Gilberto, Caetano Veloso, Maria Betânia e Gilberto Gil

Os Doces Bárbaros sem a estridente voz de Gal mas com a sutileza e elegância de João Gilberto, álbum produzido pelo próprio. O quarteto baiano apresenta com uma orquestração digna de um filme da disney, algo mágico/fantasioso, algumas músicas bastante terra brasilis precisamente 6 músicas, lp econômico, mas de grande qualidade, talvez essa seja a síntese do João Gilberto.
Sempre me pego ouvindo desse álbum a versão de Tabuleiro da Baiana e a Aquarela do Brasil. Uma coisa linda, dotado de beleza. 

#7 Gil e Milton (2000) - Milton Nascimento e Gilberto Gil 


não parece aquele retrato de família?

Gilberto Gil disse em um canção que se quisesse falar com Deus bastava desligar a luz e ficar a sós, bem, por enquanto Gil não está em contato com o divino, mas teve a oportunidade de fazer um álbum com a autêntica voz de Deus, Milton Nascimento.. A obra tem tempero de blockbuster, grande orquestração, duas estrelas consolidadas, mas toda essa pompa dá um ar de "institucional demais", pra mim, é coisa minha, não é um álbum que eu gosto muito não. 
Enfim, o álbum conta com regravações de Dora, Maria, Xica da Silva e um feat com Sandy&Junior em Duas Safonas 

#8 Trilha Sonora de Um Trem Para Estrelas (1987) - Cazuza e Gilberto Gil


 Trilha composta para um filme do Carlos Diegues, conta com o meteórico Cazuza e Gil, um filme que honestamente não conhecia, será que é aqueles casos de trilha fodástica e filme mais ou menos?(como Under the Cherry Moon) algo a se investigar, talvez eu veja o filme e traga opiniões depois.

Falando em trilha sonora, Gil também participou das trilhas de Brasil Anos 2000, Copabacana Mon Amour, Z: 300 anos de Zumbi e Quilombo

E aí? Conheciam as obras citadas? 

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Zé Rodrix E A Agência De Mágicos - Quem Sabe Sabe Quem Não Sabe Não Precisa Saber (1974)


capa do álbum

Informações rápidas 3 de março de 1974
MBP, "Rock rural",notas psicodélicas (a capa que o diga) 12 músicas, 38 minutos
℗ 1974 EMI Records Brasil Ltda Tem nos (na maioria) serviços de streamings: sim!

"É uma orquestra de metais com eletricidade/E é uma banda de rock com facilidade"

Com um azulzinho claro e um amarelo definitivamente foi uma capa pintada a mão, e esse ar de "artesanal" que ela trás é bastante chamativa, na linha do "tom amador" um desenho do Zé parecendo uma divindade hindu, eu apostaria no Ganesha, mas acredito que não há divindade hindu especifica para música, ou melhor, o rock rural, apresentando seis braços tocando diversos instrumentos, ostentando um belo black com uma áurea laranja em volta, uma sunguinha e uma cara, mas uma cara de chapado a capa não é presunçosa, não é a capa mais bela da música nacional, mas com toda certeza está longe de ser esquecível, memorável sem ser clássica nas artes gráficas. 

Ganhesa, divindade de alguma coisa no Hindu 

Vamos combinar, a mitologia hindu, pelo menos em sua parte gráfica é psicodelia pura, amontoado de cores, braços e figuras coloridas deve ter deixado os hipongas da época fascinados, por isso não surpreende a escolha dessa estética para a capa e é bastante harmoniosa com a proposta do álbum.
Fato que me lembra as citações do Grant Morrison em Os Invisíveis (HQ de 1994) da banda Kula Shaker, banda de britpop que tem várias referências a esses misticismos hindu.


Mais o que é um rock rural ora bolas? - disse o leitor
Assim como tudo nessa vida, tudo fora do eixo Rio-São Paulo é regional, com o rock não é diferente, o rock rural pode ser definido como bandas de rock mineiras dos anos 70, a alcunha ficou de fato depois da música Casa no Campo (Eu quero uma casa no campo/Onde eu possa compor muitos rocks rurais/E tenha somente a certeza/Dos amigos do peito e nada mais) de Tavito com o próprio Zé Rodrix.
Em termos musicais, a distribuição dos elementos utilizados é diferente dos demais, não é nem a bagunça proposital tropicalista, nem um rock americanizado da turma do iê iê iê, um ritmo único, mas não com propensão de brasileiro, é apenas um mero rock rural, e nada mais do que isso. São basicamente as músicas de Tavito, Zé Rodrix e Sá & Guarabyra a santíssima trindade (com quatro pessoas) do Rock Rural.
E esse álbum é essencial para entender o gênero.
yep, as palavras chaves como vocês podem ver é psicodelia, rock, mas não é um rock gringo hiponga (nada contra, eu curto algumas bandas) é um rock rural.

Falando do álbum finalmente:

A obra começa com um delicioso riff de guitarra da primeira música que dá nome ao álbum, junto a uma bela mistura de instrumentos, elemento que nos fora dada pela tropicália, a 'orquestração' na música popular foi uns dos maiores presentes que o tropicalismo nos deu, nesse álbum não é diferente, junto ao riffzinho já chegam os metais e bem assim segue a tônica até a última música. Em um álbum, a coisa mais importante é o feeling, neste caso o feeling é daquilo que o rock rural nos trás, algo sutilmente provocativo, jovial e a valorização de alguns elementos do campo, um rompimento com a vida corporativa e cinza que as grandes metrópoles tem daí vem a fonte da psicodelia, essa provocação, essa instigação de "por que você é tão cinza?"  

Talvez por falta de conhecimento meu, mas em relação as músicas variam entre rocks "clássicos" com sutis notas de psicodélico (tipo um órgão e piano) ou baladas (músicas de ritmo indefinido), algumas possuem um belo storytelling que se fosse na gringa, seria chamado de música folk, como a título de exemplo "A Volta do Filho Pródigo"; "Roupa Prateada", "a Roupa Nova do Rei", "Muro da Vergonha".

Em relação a provocação é bem nos limites do que a MBP podia fazer na época, toda tensão política causada pela Ditadura Militar, que caramba, não deveria ser um país muito agradável. Muitas músicas tem um tom profético de "vocês vão ver", "vai acontecer", "algo mais mudar" ou transcrevendo Muro da Vergonha Só vai ter mais um planeta girando envolta do Sol/E a gente dentro dele, isso claro em suingue que só a música brasileira pode produzir.

Zé Rodrix abusa do recurso do refrão repetindo no final da música, algo que implica uma mensagem talvez. As músicas falam de sujeitos não nominados, tipo "você"; "todo mundo";"a gente vai"; "nós" é algo interessante porque é algo perfeito contrário daquelas obras intimistas onde conhecemos os sentimentos melhores escondidos do artista, ou pelo menos, a fabricação desses sentimentos. Esse álbum fala para a geral, expressa sentimento gerais, é um coração aberto e compartilhado que todes estavam sentindo na época, seja de fato a população geral ou esse extrato jovem específico do rock rural, aqui Zé Rodrix consegue fazer a identificação do indivíduo a partir do todo, e não do todo a partir do indivíduo como é o álbum Alucinação (1976) de vocês-sabem-quem, aquele rapaz latino americano sem dinheiro no banco e com uma canção do rádio onde um compositor baiano lhe dizia vocês-sabem-o-que. 

Esse senso de coletividade que gera identificação (ou deve ter gerado) fica bem explícito em "Noite de Sábado"; "Rock Para Futuras Gerações" E que se a guerra tá batendo lá fora/E a velha bomba vai pintar qualquer hora/A gente ainda tem um refúgio seguro no rock and roll.

O Rock and Roll, não só nesse álbum, mas muito presente na música brasileira dos anos 70 é realmente mostrado como esse lugar de refúgio, esse tal de roque enrow como diz a saudosa Rita Lee já foi um campo melhor utilizado, um lugar de refúgio não pelo seu conforto, mas pela capacidade de provocar, de causar e de chacoalhar os ossos e a mente. Por um rock mais corruptivo e menos confortável. 

Pequena nota de rodapé, mais um artista que possivelmente batendo na bossa nova E é nessas horas que eu canto/Um velho samba-canção/Estragado por pessoas que o ouviram da maneira errada o nome da música é Cadeira Vazia nº2, sendo Cadeira Vazia uma música do Lupicínio Rodrigues, uns dos maiores nomes do samba canção, se não, o maior! A bossa nova também tinha essa mania de readaptar os sambas canções (especificamente o João Gilberto que ficava ressuscitando música dos anos 40).


Outra nota de rodapé é que a penúltima música se chama "Não Perca o Final", e, de fato a última música é a melhor do álbum, mas aí eu não vou comentar ela porque quero que você escute

Para terminar, em questões instrumentais não há nenhuma performance individual que saia dessa levada do álbum, nenhum grande solo ou algum instrumento que se destaquem, a banda faz o seu papel e o faz muito bem, tudo bem encaixadinho e orquestrado com maestria (literalmente), padrão de qualidade dos anos 70, os metais me soam muito parecido com os do Gerson King Combo em seu autointitulado de 1977.

Em aspectos gerais, o álbum é divertido, provocativo, agitado mas sem aquela rebeldia-irritação punk que quer destruir 'as coisa', soa muito bem em um final de semana, uma música leve, pra se ouvir em caixa de som ou fones de ouvidos (eu o ouvi duas vezes, preferi na caixinha mesmo)

E talvez aí more o maior ponto alto dessa obra, a sua última música, tal qual um grande música, seu final é epopeico, sintetizando muitíssimo bem o feeling geral, A Roupa Nova do Rei é algo que para a alegria e leveza do álbum para te fazer pensar um pouco. Um álbum alegre, porém tenso, jovial, porém maduro ao tratar de temas políticos, no limiar do que poderia ser passado pelos censores.  
Promete pouco, entrega mais do que parecia dar, clássico do ROCK RURAL, álbum essencial para entender esse rock mineiro e o rock nacional dos anos 70 como um todo.
Músicas puláveis: Muito Triste, Circuito Universitário.

Melhores músicas: A Roupa Nova do Rei, Muro da Vergonha, A volta Do Filho Pródigo, Quem Sabe Sabe Quem Não Sabe Não Precisa Saber, Roupa Prateada 

Recomendo para quem gosta de: MPB, Rock psicodélico, Rock dos anos 70, Clube da Esquina.

  • Informações Chatas:
    Lista de faixas

  • Quem Sabe Sabe Quem Não Sabe Não Precisa Saber 2:43
  • Muito Triste 3:44
  • Compota De Cereja 1:55
  • Roupa Prateada 3:24
  • A Volta Do Filho Pródigo 3:07
  • Muro Da Vergonha 3:10
  • Circuito Universitário 3:59
  • Noite De Sábado 3:07
  • Um Rock P'ras Futuras Gerações 2:12
  • Cadeira Vazia Nº2 3:21
  • Os Bons Velhos Tempos (Estão De Volta Outra Vez) 3:33
  • Não Perca O Final 2:45
  • A Roupa Nova Do Rei 0:48

  • Ficha técnica
    Arranjo por
     – Zé Rodrix (faixas: A, B1 to B5, B6b)
  • Arranjo – Waldyr Arouca De Barros (faixas: B6a)
  • Backing Vocals – Francinette, Lizzie Bravo, Malu Balona, Márcio Lott, Roberto Corrêa (2), Ronaldo Corrêa*
  • Baixo – José Rosallis
  • Maestro – Waldyr Arouca De Barros
  • Dirigido por (Musical) – Maestro Gaya
  • Bateria – Gustavo Schroeter
  • Flauta, Sax Tenor – Aurélio Marcos
  • Guitarra – Paulinho De Castro
  • Orgão, Mandolin – Elias Mizrahi
  • Diretor De Produção – Milton Miranda
  • Remix – Nivaldo Duarte
  • Sax Tenor, Sax Baritone – José Albino Pestana
  • Sax Tenor , Flauta – Nivaldo Ornellas, Uratha
  • Trompete – Nilton R. Da Silva, Waldyr Arouca De Barros
  • Compositores – Maxine (11) (faixas: B1), Sá & Guarabyra (faixas: B4), Tavito (faixas: A5, B2), Zé Rodrix.
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