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Quando o verde encontrou a verdinha. O Incrível Hulk #231 (Roger Stern, Sal Buscema e Mike Esposito)


É OFICIAL: Apertaram a braba.

Como já trouxe aqui para nosso querido blogzinho, essa era do Hulk do final dos 70 foram uma verdadeira maluquice, o personagem deixou de ter aquela dinâmica do médico e o monstro pra virar só um monstro verde gigante que representa uma AMEAÇA REAL para os Estados Unidos, onde tipo uns 80% é o Hulk vageando por aí, batendo em polícia, batendo no exército e eventualmente lutando contra um vingador. Essa não é diferente.

Hulk não é um herói mais, Hulk não tem evolução pessoal, sua vida virou um grande ciclo vicioso de raiva descontrolada e medo, em uma frase: A vida de Hulk não tem um rumo mais. Esse caráter melancólico dá uma liberdade de roteiro de colocar o verdão em qualquer situação que se possa imaginar, ele nem precisa salvar o dia, o roteiro é bem mais livre e por isso termos tantas histórias diferentes aqui.

Eu vi essa história em um reels do instagram, eu tive que checar do que se tratava, aqui é material investigativo também!

Qualé a da vez? Tudo começa de madrugada quando um hiponga é expulso de um bar de caipiras no interior da California.

beber fiado é foda mesmo


Para sua enorme sorte, simplesmente o Hulk, que é um exímio vagabundo nato, estava andando pela região e confundiu o tiozão caipira que estava com uma jaqueta preta com um soldado, fato que o deixou puto de raiva e desceu a mão nele. Assim os outros rapazes do bar saíram correndo.

o hiponga, Fred Sloan, de cara fez amizade com o Hulk e teve a brilhante ideia de levar ele pra casa, só que esqueceu de avisar pra sua esposa/namorada, de manhã o susto não foi pouco. Essa cena é incrivelmente cômica da mulher desesperada enquanto o Hulk estava na paz dele comendo um feijaozinho.




Pra variar, a paz do nosso herói em decadencia dura pouco, já que a dona resolve chamar a polícia, mas quem entra em desespero é o hiponga do Fred Sloan, porque ele sai mó desesperado, mesmo tendo A PORRA DO HULK com ele, será que alguns polícia seriam capaz de parar o Hulk? Quem já leu os quadrinhos sabe que jamais, aí que tá.

Fica de subtexto que esse hiponga já tá fichado ou tem culpa no cartório, se baseando na máxima da vida que quem não deve, não teme ou não treme. Assim ele mete o pé em sua van velha em caminho a Beverly Hills.


"já estive em blitz piores, eu consigo passar nessa" Existe cenário pior?

Vale registar que o nosso amigão do verde teve a ideia genial de só colocar um chápeu panamá e um poncho para esconder uma criatura do TAMANHO do Hulk, OBVIAMENTE NÃO DÁ CERTO, o Hulk se estressa assim que vê os homens e porra, destrói a porra toda, viatura, os mike, as armas, não sobra nada. Esse ponto do Hulk ter uma raiva irracional de homens de farda é um aspecto interessante.

ACAB. 
A história acaba com a fuga dos dois e continua no issue #230 do Capitão América (ou no caso tipo #231-B do Hulk...), que tem todo uma história paralela do Steve Rodgers em Alcatraz procurando por seu companheiro, o Falcão.

Depois da apresentação desse prólogo, os recém amigos estão correndo em alta velocidade nas estradas da California enquanto o nosso amigo Fred parece ser muito nervoso.... Por algum motivo... Para relaxar e espairecer das ideia, ele decide acender um cigarrinho de artista, e a lombra foi tão pesada que só a fumaça foi suficiente para o Hulk relaxar e voltar a ser o Bruce Banner!

Na moralzinha? O Hulk se relaxar por ficar chapado é o melhor plot dos quadrinhos que já vi, como que ninguém nunca pensou nisso antes?

Curioso como o Hulk é tratado nos quadrinhos como a maior ameaça a segurança nacional, um caso sem solução que envolve até os vingadores em muitas histórias (ele até luta contra o Capitão América nessa), mas tudo poderia ser resolvido com... Uma erva natural. Como o Bruce Banner é pouca coisa mais fraco do que o Hulk, são parados novamente, o Bruce foi reconhecido pelos policiais que não hesitou em atirar nos dois, dando cabo na vida do nosso querido maconheiro.

O maconheiro não ficou para ver o natal.
Essa história em específico do Hulk me fez pensar no quanto as forças de segurança (polícia e exército) são ineficazes ou até que ponto estão em busca de realmente resolver o problema, porque veja como em inúmeras histórias o Hulk é colocado contra o exército, mas nada irrita mais o monstrengo verde do que armas de fogo e homens de farda, por que a estratégia não muda? Até que ponto o Hulk, quando calmo e só andarilho, é uma verdadeira ameaça para o bem estar das coisas? Isso pode valer para a ideia genérica de criminalidade ou a questão específica de drogas, só que a resposta para o conflito da guerra as drogas é um pouco mais evidente a questão racial envolvida e as ferramentas de controle de populações racializadas.
Políticas conservadoras sempre aumentam o orçamento e promessas de mais repressão sobre o pretexto de evitar o mal maior, mas parecem não consegui dimensionar o quanto o remédio está agravando a doença, é exatamente o caso do Hulk, quanto mais ele enfrenta homens armados mais ele se enfurece, mais se isola e fica cada vez mais díficil, o que resulta no envio de mais homens armados e o ciclo vai se alimentando (pensando essa fase Sal Buscema do Hulk em específico).
Ninguém quer acabar como o Hulk porque sem ele não haveria uma razão de tanto investimento em bases militares ou em armas de guerra, mais polícia nas ruas e outros meios de "combate" do Estado.
Não que o Hulk não seja um problema, mas será que a estratégia adotada para lidar com ele é eficaz até que ponto? Ainda bem que tudo se trata de uma história em quadrinhos, imagina viver em um mundo desses, ai ai...
Tentando fazer uma associação forçada que eu não consegui desenvolver, as vezes parece que o Bruce Banner parece ser um viciado crônico, em um estado de descontrole que o tempo todo está tentando ser ajudado por amigos, no caso os vingadores. Mas aí é filosofia de boteco demais.

Viajei? Não sei

Voltando para história, fica óbvio que o Bruce Banner vai pra Alcatraz por algum motivo e lá se encontra com o Capitão América, sai a maior porradaria dele com o primeiro vingador e o resto... Ah o resto você tem que ler o capítulo #232 pra saber né amigão, sabe como é as histórias em quadrinhos.

Só digo que o issue #231b acaba assim:


Assim, no fringir dos ovos verdes e irritados:

Fried Egg GIFs | Tenor


Todos os problemas do nosso grande amigo Hulk poderia ser resolvido se ele bolasse um para esquecer dos problema. Como dizia Planet Hemp, uma erva natural não pode te prejudicar.



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O dia que Israel declarou guerra ao Hulk. O Incrível Hulk #256 (1981) - Bill Mantlo e Sal Buscema


"Hulk não sabe onde ele está! Hulk não liga"

Vou começar pelos agradecimentos: dedico a uma grande amiga minha que mandou um painel sem contexto desse quadrinho, e perguntou se conhecia, não conhecia de fato, mas fui atrás e aqui estamos.
 Falo de antemão que todas as imagens aqui estarão em inglês porque essa edição talvez não tenha saído no Brasil, ou ninguém pensou em scannear pra tropa.



A fase Bill Mantlo e Sal Buscema é uma das favoritas dos fãs do pepino agressivo,  eles foram responsáveis pelo Hulk na Encruzilhada, grande clássico da Marvel lançado lá em 86 eu acho. Sal Buscema já vinha desenhando o Hulk desde da metade dos anos 70, Bill Mantlo, nessa edição, tinha acabado de chegar, começou a escrever o Hulk na edição 246.

Em uma opinião pessoal, gosto bastante dessa interpretação do Hulk, por aspectos que vou delimitar lá na frente, e pela arte do Sal Buscema, porque faz um Hulk bem parecido com o Lou Ferrigno:
adoro esse Hulk

Qualé a história? Antes termos um pequeno prólogo sobre a desativação da base gama, onde Hulk, Dr Samson e o Líder foram criados (preocupante essa exposição aos raios gama), e a demonstração do verdão como uma ameaça ao Estados Unidos e por tabela ao planeta terra, principalmente depois de quase derrubar um viaduto cheio de civis na briga que teve contra o Thor na edição anterior. 

*efeito de soco do Chaves *

Ué? Mas o Hulk não é um vingador? Ele não é tipo um herói? Porque está brigando com o Thor? - pergunta o leitor confuso, então, essa fase do Hulk (a série dele ajudou a criar isso) ele não é mais um herói, não é mais a dinâmica do médico e o monstro, Bruce Banner perdeu totalmente o controle de suas ações e consciência, significa que ele virou o Hulk de vez? Não, mas é a maior parte do tempo, o que deixa situação mais dramática, melancólica, Bruce virou algo parecido com um viciado em crack, não tem ideia onde está, não tem controle do que está fazendo e vive vagando pelo mundo em busca da paz que não encontra em si mesmo. 
A sua raiva não vem mais do mundo exterior, vem da sua própria condição, se transformar vira uma espécie de válvula de escape, o que gera um ciclo vicioso, ele precisa se transformar em Hulk para dissipar a angústia da mente, mas toda vez que se transforma a sua condição só piora.

Nessa edição do Thor o próprio Hulk fala "Bruce Banner odeia o Hulk e Hulk odeia o Bruce banner" então é uma dinâmica de um viciado, um dependente químico, do que dupla personalidade, já que a personalidade do Médico se espaireceu totalmente, até pela distância que ele está do Rick Jones (seu melhor amigo) e de Betty (sua esposa), ele está distante, perdido, se transformando e Hulk e acordando em lugares aleatórios, totalmente sem rumo da própria vida. E assim, é que ele acorda em Israel, após os eventos da HQ anterior.

ressaca é foda

A mera presunção de que está sendo capturado é suficiente para entar em agonia. Falo agonia porque nesssas duas histórias o Hulk mal é movido pela "raiva", o desequilíbrio que Bruce vive é tão grande que qualquer pertubação mínima é suficiente para virar o Hulk. e a porrada come seca, no porto de Tel Aviv Hulk desmembra por completo as forças de segurança de Israel, que são meio burrinhas. 

Pensa, você está lidando com uma criatura que se alimenta de raiva, ele é capaz de quebrar a porra toda, qual a solução? ATIRA VELHO, claro, o comandante até mete um "FORÇA BRUTA!!"


Quem assiste a tudo isso é a nossa heroína da vez, a capitã Israel, digo Sabra, uma mutante que trabalha como policial e quando está de collant trabalha para o governo Israelense. Não é a sua primeira aparição, ela é mencionada pela primeira vez no Incrível Hulk #250, mas apenas mencionada em tela, mal sabemos seu nome aqui;

(Caso não tenha percebido, é ela no círculo vermelho.)

Sabra voa, tem superforça e lança um tipo de "espinhos" com as mãos que deixam as pessoas desacordadas, o que faz total sentido, já que Sabra é o mesmo nome de uma fruta-cacto típica da região ali de Israel, também é o mesmo se dá (ou dava talvez nos anos 80) aos habitantes de Israel, nativos. É uma mutante meio esquecida por motivos bleh, quem vai interessar por uma Homelander Israelense?

A sua apresentação aqui não dura muito tempo, porque quando estava se arrumando pra sair como Sabra recebe uma porrada de um saco de batatas na cabeça, durante o frenesi do Hulk. Logo após que acorda, termos a sua devida apresentação, Sabra!



Traduções livres: "Mas com sabra Super heroína do Estado de Israel" "Elaé determinada a preserva sua  terramãe da fúria de Hulk" 

Que logo passa quando a poeira baixa, daí Bruce Banner anda na feira de Tel Aviv, lá protege um pequeno gatuno que está roubando frutas da freira, o Sahad, um menino que é mostrado na história como "árabe", bem, sabemos que árabes no meio de Israel só podem ser palestinos não é mesmo? Mas ainda que não seja, os outros países árabes da região também se encaixam no que a história trás. Depois da perseguição (por uma mera melancia), lá trocam uma ideia franca, e Sahad conta das dificuldades de ser 'árabe' em Israel:


"As vezes é muito díficil ser árabe em Israel. Ambos, meu povo e os Israelis dizem que a terra é deles. Eles poderiam dividir, mas dois livros muito velhos dizem que devem se matar entre si. Eu? Não leio livros" (tradução livre)

Depois desse hot take uma conversa mais profunda, a HQ faz questão de lembrar que é uma história ocidental escrevendo o oriente, então termos TERRORISTA, BOMBAS, TIROS DE AK 47


Então, com o barulho da explosão, Sabra encontra o Hulk, que se revoltou ao ver o pobre garoto Sahad morrer, e Sabra ao ver a cena, pensa que Hulk estava colaborando com os terrorista, com isso, precisa PROTEGER a sua terra mãe:

Hulk foge com o corpo de Sahad, para enterra-lo dignamente, ao ser encontrado por Sabra que o acusa de matar o garoto, Hulk se revolta e chega a CHORAR, ao explicar que Sahad foi morto pelo conflito. Pesado. Eu nunca esperaria ver-lo chorar desse jeito, ainda mais com a expressividade do Sal Buscema.

Sabra, se comove com o acontecido, e toda passagem dá uma certa humanização a personagem, que, de subtexto, parece estar envolvida com ataques a comunidade palestina...

Tradução livre: Ela é, depois de tudo, uma Israeli, uma super-agente... Uma soldada... Uma máquina de guerra. Mas, ela é tamvém uma mulher, capaz de sentir e de se importar. Foi preciso o Hulk para ela ver que o garoto árabe é um ser humano. Foi preciso um monstro para acordar seu senso de humanidade. 

Sim, Sarab estava lutando contra o Hulk não pelas vidas que ele supostamente tirou, mas, primeiro por estar apararentemente colaborando com os terroristas, segundo por estar pertubando as ordem de sua terra mãe, a grande Israel (com ironias), ou seja, uma preocupação chauvinista barata, pela punição a aqueles que pertubam a sua terra. Imagine levar uma lição de moral de uma criatura verde que mal sabe onde está direito. Vendo a verdadeira face da guerra, que não é desejada por ninguém, a morte de civis, inocentes, que mal acreditam nas coisas os quais estão SUPOSTAMENTE sendo "protegidos", o garoto nunca leu os livros, e morreu em nome deles. 

Talvez você não ache a posição correta reduzir a questão palestina em um conflito, primeiramente, já que alguns grupos consideram um genocídio e regime de apartheid, e depois em uma questão meramente religosa, ok, não é o ideal, mas surpreende uma obra dos EUA não ter uma escrachada propaganda Israelense, comprando o discurso de fazendo mera propaganda, era 1980, ter esse tipo de obra que questiona brevemente a posição de Israel é bacana, relativamente.

Um ponto que achei interessante é o garoto ser morto pelo seu próprio povo. Vai muito na linha que considero mais acertiva de que o terrorismo não trabalha em favor da Palestina, esses ataques esporáticos, como o que gerou a volta a mídia da questão Palestina, não possuem apelo popular, só fode mais ainda os próprios Palestinos. O Hamas NÃO É "o que tem pra hoje"; Em linhas gerais, não é uma história tão bem escrita, mas tem uma posição bacana (considerando de onde veio e de quando), toca em um assunto caro aos dias atuais e é relativamente comica de ver uma capitã Israel. 

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